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Observatório econômico Economia e política Por André Matos Magalhães*

Publicado em: 01/12/2016 08:00 Atualizado em: 01/12/2016 15:59

André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
A gestão econômica atual é séria e altamente qualificada. Estamos claramente na direção que o país precisa. Infelizmente, não existe mágica que resolva o problema atual. Será necessário fazer o caminho correto. Aí entra o problema da política. Quando o governo perde credibilidade e força, a gestão econômica sofre. Por consequência, tudo fica mais difícil e mais lento na recuperação da economia.

A semana passada foi tensa em Brasília. Os velhos “hábitos” atacaram novamente. Um importante ministro do governo tentou usar a força do cargo para benefício próprio. Pressionou o então Ministro da Cultura para conseguir uma alteração em uma decisão técnica. No caso era uma questão de um apartamento. Poderia ter sido qualquer outra coisa. Ele acreditava não ter feito nada de demais. Ficou irritado quando não conseguiu o que queria. Pediu ajuda ao chefe. O chefe achou que devia ajudar. E o Brasil não muda, correto?

Na verdade, algo novo aconteceu. O agora ex-ministro da Cultura não aceitou a pressão. Entregou o cargo e contou tudo. Incluiu o chefe na história. Já seria ruim se fosse um chefe qualquer. Pior ainda quando o chefe é o Presidente da República de país com problemas sociais e econômicos sérios. De um país dividido e que acabou de passar um processo traumático de impeachment.
Não dá para negar o estrago que situações como essas causam, e causaram agora, para o governo. O primeiro problema que surge é a incerteza. O governo terá forças para fazer o que se propôs no campo econômico? O país vai começar a melhorar ou ficaremos mais um ano em recessão? Como aprovar as reformas sem força política e passando por situações como essa?

Talvez, por isso, alguns se apressaram em acusar o ex-ministro da Cultura de cometer ilegalidades. Pensaram em pedir uma investigação contra a suposta atitude de gravar a conversa com o presidente. Ele teria sido irresponsável. Teria colocado o governo e o país em risco.

Será? Claro que não. Errou quem tentou usou o cargo para ganhos privados. Ponto. Precisamos ficar preocupados com o impacto do caso na economia? Talvez, mas isso não dá o direito de ignorar o erro. O governo atual é igual ao anterior? Calma aqui. Sim e não. O sim vem pela relação com a corrução. O governo mudou, mas os políticos aparentemente continuam fazendo as mesmas coisas de sempre. Isso precisa mudar.

O não vem do lado econômico. O governo anterior tinha uma visão “estranha” da economia e do papel do Estado. Gastou mais do que podia e deveria. Saqueou o país. A gestão desastrosa levou a maior crise econômica que o país já viveu. Sair dela nos custará anos de sacrifícios e a realização de reformas duras.
A gestão econômica atual é séria e altamente qualificada. Estamos claramente na direção que o país precisa. Infelizmente, não existe mágica que resolva o problema atual. Será necessário fazer o caminho correto. Aí entra o problema da política. Por melhor que a equipe econômica seja, ela está associada ao lado político do governo. Quando o governo perde credibilidade e força, a gestão econômica sofre. Por consequência, tudo fica mais difícil e mais lento na recuperação da economia. Está mais do que na hora do lado político ajudar, esquecer os “velhos hábitos” e começar a cultuar novos hábitos de transparência e lisura. Isso certamente fará bem a todos nós.

* Professor do Departamento de Economia da UFPE

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