• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Observatório econômico O céu é o limite

Publicado em: 16/10/2016 08:00 Atualizado em: 14/10/2016 18:44

Por Alexandre Jatobá (*)

Alexandre Jatobá é economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Alexandre Jatobá é economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
A ANEFAC (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) divulgou sua pesquisa mensal, onde são mostradas as taxas médias de juros cobradas pelas instituições financeiras do país. A taxa média das seis principais linhas de crédito para pessoas físicas aumentou pelo 24º mês consecutivo, chegando a 8,24% ao mês, ou 158,61% ao ano (a maior taxa desde julho de 2003). Nos cheques especiais, a taxa média é de 12,46% ao mês (309,24% ao ano) e no rotativo dos cartões de crédito a taxa média atinge inacreditáveis 15,39% ao mês (463,03% ao ano). Ou seja, um cidadão que não pagar uma fatura do cartão de R$ 100,00 hoje, com essa taxa, estará devendo R$ 563,03 em um ano. Para se ter uma ideia do absurdo desta taxa, se o mesmo cidadão aplicar R$ 100,00 em renda fixa hoje terá menos de R$ 115,00 neste mesmo período. A linha de crédito “mais barata” para pessoa física é o CDC bancário para compra de automóveis, com 2,36% ao mês (32,3% ao ano), ainda bastante alta.


Para Pessoa Jurídica, a taxa média para os três tipos de linhas de crédito pesquisadas (capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida) chegou, em setembro deste ano, em 4,81% ao mês, ou 75,72% ao ano. A linha ”mais barata” é de capital de giro (2,78% ao mês ou 38,96% ao ano), seguida do desconto de duplicatas (3,25% ao mês) e, a mais cara, a de conta garantida (8,39% ao mês).

Por que as taxas são e estão tão altas? Há quatro razões principais. A primeira delas, e menos relevante, é a carga tributária. Sobre as operações de crédito há a incidência do IOF e de imposto de renda. Assim, as instituições financeiras repassam esses custos tributários aos tomadores. Em segundo lugar, as taxas de juros também sofrem a influência da taxa de juros básica, a SELIC, taxa que reflete o custo do dinheiro para empréstimos bancários, com base na remuneração dos títulos públicos. Por ser referencial, ela atua como uma espécie de piso para as operações de crédito.

A terceira razão é a alta inadimplência. O principal culpado, neste caso, é o atual cenário econômico. O alto nível de desemprego e o crescimento da inflação nos últimos dois anos tem provocado o aumento da inadimplência e isso eleva bastante o risco das operações de crédito para as instituições financeiras. E esse risco é repassado diretamente para os tomadores.
Por fim, a última e principal razão, é a estrutura do sistema bancário brasileiro. Temos um oligopólio no setor bancário. Hoje, o mercado bancário brasileiro está nas mãos de poucas instituições financeiras, o que diminui a concorrência e permite que elas cobrem essas taxas abusivas. É necessário incluir na agenda do Estado uma reforma do sistema bancário que estimule e facilite a entrada de novas instituições no país. Não é à toa que, mesmo na maior crise econômica da história do país, em termos de lucratividade dos bancos, ao que parece, o céu é o limite.

(*) Economista e diretor da Datamétrica.

TAGS: obseconomico

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.