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Observatório econômico Desespero ou chantagem Por André Matos Magalhães

Publicado em: 15/09/2016 09:00 Atualizado em: 19/09/2016 16:23

André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Julio Jacobina/ DP
André Matos Magalhães é professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Julio Jacobina/ DP
Esta semana quem bateu à porta do governo federal foram os governadores de 14 estados. Sim os estados estão quebrados, ou à beira disso. Alguns já enfrentam problemas mais sérios há anos. Mas será que o governo federal pode resolver tudo?

Estamos vivendo um dos piores momentos econômicos da nossa história. Recessão, inflação, déficit público gigantesco, desemprego alto. O impedimento definitivo da ex-presidente Dilma trouxe um breve alívio. As expectativas com relação a economia começaram a melhorar. Tiramos uma grande incerteza política do caminho e a passagem ficou aberta para o novo governo avançar na direção das mudanças que podem tirar a economia do buraco.

Simples assim? Na verdade, não. Como todos sabemos, não há soluções mágicas, rápidas e indolores. A questão política era um entrave importante, mas não era o único. O problema econômico persiste e ainda precisa ser resolvido. Todos estamos sofrendo. O governo federal está atolado em problemas e busca aprovar reformas importantes que podem melhorar as condições de curto, médio e longo prazos (a PEC do limite dos gastos, a reforma da previdência e trabalhista são as mais evidentes).

Mas a crise não para aí. Ela não está restrita ao governo federal. As famílias estão sofrendo com o desemprego e a queda na renda, os governos estaduais e municipais estão sem dinheiro. A economia continua sagrando. O pior, estamos acostumados a olhar para o governo federal como a salvação, como se ele fosse um ente superior que pudesse dar soluções mágicas para o problema de todos. Parece, às vezes, que nos comportamos como uma criança que pensa que os pais podem tudo! Não é bem assim. Aprendemos a lição quando temos que pagar as nossas próprias contas.

Esta semana quem bateu à porta do governo federal foram os governadores de 14 estados. Sim os estados estão quebrados, ou a beira disso. Alguns já enfrentam problemas mais sérios há anos. O Rio de Janeiro foi o pior de todos, mas não está só. O que os governadores pediram? Dinheiro, é claro. Afinal o governo federal “pode tudo”, certo? Errado. Não pode, infelizmente. Seria bem mais fácil se isso fosse verdade!

Na conversa com o governo federal, os governadores foram diretos: precisamos de ajuda, caso contrário entraremos em estado de calamidade. Os efeitos práticos de uma medida dessa podem ser grandes, tanto do ponto de vista econômico, quanto político. Do lado econômico, a situação pode piorar ainda mais se os governos começarem a não pagar o funcionalismo e os fornecedores (esses últimos já vivem em dificuldades para receber dos estados há algum tempo). Do lado político, pode-se criar um clima de instabilidade e acabaria por rebater no governo federal. Desconfio que há um efeito maior advindo da falta de apoio das bancadas estaduais para as reformas necessárias.

O tom da conversa foi duro, dos dois lados. Parece chantagem e talvez seja. Mas também é um pouco de desespero. Os governos precisam de verba, é fato. Mas precisam encarar o problema dos gastos descontrolados, isso também é fato. Acredito que deveremos chegar a um meio termo e logo. Afinal, nossos pais não podiam tudo, nem o governo federal. É hora de encarar a realidade.

 

*Professor do Departamento de Economia da UFPE



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