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Observatório econômico O investimento em capital olímpico

Publicado em: 08/09/2016 08:00 Atualizado em: 06/09/2016 20:08

(*) Por Paulo Aguiar do Monte

Paulo Aguiar do Monte é professor de Economia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Foto: Divulgação
Paulo Aguiar do Monte é professor de Economia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Foto: Divulgação
O termo capital humano refere-se ao conjunto de atividades desenvolvidas pelos indivíduos que aumenta a sua produtividade, gerando um valor econômico (Jacob Mincer, Gary Becker e Theodore Schultz). Com o passar dos anos, este conceito foi sendo cada vez mais explorado tamanha a sua amplitude, o que deixa em aberto uma vasta gama de variáveis que podem ser consideradas como parte do investimento em capital humano. Dentre estas variáveis, está o investimento em saúde, da qual a atividade esportiva, aqui restrito ao chamado “capital olímpico”, é considerada um elemento fundamental.


Recentemente o Brasil foi o centro do maior evento esportivo do mundo: as Olimpíadas Rio 2016. No total, contando com os dispêndios em infraestrutura (equipamentos e afins) e preparação dos atletas, o investimento em “capital olímpico” alcançou R$ 3,68 bilhões (contra cerca de R$ 2 bilhões no ciclo de Londres 2012).

Sabe-se que o investimento no esporte gera uma série de benefícios para o indivíduo. O economista Michael Grossman já havia alertado que a saúde é um estoque de capital durável e que o seu investimento gera um efeito cascata na educação, treinamento, qualificação profissional, dentre outras variáveis de capital humano. Isto ocorre devido ao aumento da taxa de retorno que é maior quanto mais tempo de vida, com saúde, tiver o indivíduo no trabalho. Nesse contexto, quanto mais cedo for feito o investimento (por exemplo, nas crianças) maior tendem a ser as oportunidades de ganhos comparativamente ao investimento tardio (por exemplo, feito nos adultos).

De 2012 (Olimpíadas de Londres) a 2016 (Olimpíadas no Rio), o Brasil praticamente dobrou seu volume de investimento em “capital olímpico”. Se os resultados desses  investimentos puderem ser analisados em medalhas conquistadas, a conclusão é que o país não foi eficiente na alocação dos seus recursos. Afinal, cada medalha conquistada custou aproximadamente R$ 194 milhões – possivelmente o maior valor de nossa história. Só a título de comparação, cada medalha conquistada pelo Reino Unido custou cerca de R$ 24 milhões (14,4% do valor brasileiro).

Esse é o resultado do custo de oportunidade de se investir de forma ineficiente (e tardiamente). Enquanto países como o Reino Unido passaram a investir na formação de base, no desenvolvimento do esporte nas escolas e na descoberta de novos talentos, o Brasil preferiu apostar em atletas adultos, de alto rendimento. Como exemplo, pode-se citar que, nos últimos vinte anos, o Reino Unido saltou de uma medalha de ouro (Atlanta, 1996) para 27 medalhas de ouro (Rio de Janeiro, 2016), passando da 36ª posição para a 3ª posição geral no quadro de medalhas. Comparativamente, o Brasil saltou de 3 medalhas para 7 medalhas de ouro, respectivamente, passando da 25ª posição, em 1996, para a 13ª, em 2016.

É bem verdade que não se pode ainda obter o retorno do investimento no “capital olímpico”, dado que o mesmo ainda se diluirá no tempo, mas já é possível dizer que o retorno inicial foi aquém do esperado.

* Professor de Economia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba).

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