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Observatório econômico Maratona

Publicado em: 18/08/2016 08:00 Atualizado em: 17/08/2016 20:40

(*) Por Alexandre Jatobá

Alexandre Jatobá é economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Alexandre Jatobá é economista e diretor da Datamétrica. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
A economia brasileira vem dando sinais de um início de recuperação como vem sendo notado por todos que acompanham o noticiário. A má notícia é que, ao contrário das últimas crises econômicas, a recuperação desta será bem mais lenta. Só voltaremos a crescer no próximo ano, e será de forma bastante tímida (as previsões do mercado apontam para um crescimento de até 1,5% em 2017).


Inicialmente, não poderemos contar com as políticas governamentais expansionistas para acelerar a retomada do crescimento, ou seja, o governo não poderá utilizar os gastos públicos para estimular a economia, dado que para sair da crise, será necessário um belo ajuste fiscal. Há ainda uma restrição de crédito nos bancos e as famílias estão bastante endividadas de forma que não terão como contribuir tanto, consumindo bens e serviços. E ainda, o “resto do Mundo” não irá crescer muito e isso também limita a recuperação porque restringe o crescimento de nossas exportações. Por fim, a recuperação da nossa economia será lenta também porque estamos na maior recessão da história da economia brasileira desde a crise da quebra da Bolsa de Nova Iorque de 1929. Ou seja, como a crise é “grande” teremos muito o que recuperar. Os dados da PNAD contínua, divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira, ilustram bem o tamanho do nosso problema.

Segundo os dados do IBGE, entre o segundo trimestre de 2015 e o segundo trimestre de 2016, tivemos mais de 3 milhões de novos desocupados. No total há 11,6 milhões de desocupados no Brasil. A taxa de desocupação fechou em 11,3% no segundo trimestre deste ano. Além disso, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro caiu 4,2% no mesmo período.  O setor econômico com a maior queda no nível de ocupação foi a indústria, em que a quantidade de pessoas ocupadas caiu 11,0%, nos últimos 12 meses. Em seguida, temos o setor que podemos chamar de “área de apoio” que engloba as atividades de informação, comunicação e atividades financeiras imobiliárias, profissionais e administrativas. Nele, a quantidade de pessoas ocupadas caiu 10,0%.

Vale mencionar que o desemprego é como aquele amigo nosso “que sempre chega atrasado”. Quando há o início da desaceleração da economia, os empresários evitam desligar seus colaboradores em um primeiro momento, tanto em função dos altos custos das rescisões como também para evitar descartar mão-de-obra já treinada e qualificada. Isto é, eles esperam um pouco para ver se há alguma perspectiva de recuperação no curto prazo. Somente quando a crise se agrava, eles começam a demitir. Da mesma forma, quando a economia começa a dar sinais de recuperação, os empresários ficam mais reticentes em voltar a expandir o quadro de pessoal da empresa, até que ele tenha “segurança” que a recuperação de fato ocorrerá. Eles tendem a aproveitar o máximo possível de seu quadro atual de colaboradores, para somente depois pensar em abrir novas vagas.

Sendo assim, embora os sinais estejam apontando para o início de uma recuperação, há ainda uma verdadeira maratona a percorrer.

(*) Economista e diretor da Datamétrica.

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