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Observatório econômico Vamos apostar no Brasil?

Publicado em: 08/08/2016 08:00 Atualizado em: 07/08/2016 21:57

(*) Por Alexandre Jatobá

Jatobá: ambiente de certo otimismo em relação à retomada da economia brasileira. Crédito: Tiago Lubambo/Divulgacao.
Jatobá: ambiente de certo otimismo em relação à retomada da economia brasileira. Crédito: Tiago Lubambo/Divulgacao.
Na última sexta-feira assistimos à abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A julgar pela belíssima apresentação e pela boa organização do evento, aqueles que apostavam que não seríamos capazes de mostrar ao mundo uma festa digna de um evento deste porte, perderam. Obviamente, a Olimpíada ainda vai até o dia 21 de agosto e até lá há muito que acontecer, mas certamente a abertura dos Jogos foi um excelente indicador. Ao que parece, valeu a pena apostar no Brasil.


Indo agora para a economia brasileira, será que vale a pena continuar apostando no Brasil? Uma das mais importantes empresas de avaliação de oportunidades de investimentos, a MSCI (Morgan Stanley Capital International), que divulga um índice que acompanha as bolsas de todo o mundo, está colocando o Brasil em segundo lugar em uma lista com 165 países (perdemos apenas para o Peru). O banco norte-americano J.P. Morgan também divulgou recentemente um índice de global para mercados emergentes indicando o Brasil com o terceiro melhor desempenho entre 66 países analisados. A Bolsa de Valores já acumula alta de 33% no ano. Assim, podemos dizer que grandes investidores do mercado de capitais estão apostando no Brasil. Dados recentes de nossa economia real também mostram que os empresários também podem ter começado a apostar no Brasil. Depois de dois meses apresentando desempenhos bastante tímidos, a produção industrial brasileira aumentou 1,1% em junho, a segunda maior alta do ano. A situação está longe de ser considerada boa (no acumulado dos últimos 12 meses, a queda foi de 9,8%), mas o desempenho foi considerado bom.

Também há outros sinais positivos, como os dados da balança comercial. No último mês, a balança comercial acumulou o maior superávit acumulado para o período de janeiro a julho desde 1989, quando o Ministério da Indústria e Comércio Exterior começou a contabilizar esses dados, atingindo U$ 28,23bi. Se por um lado, o resultado não é de todo bom porque ele ocorreu principalmente pela queda significativa das importações, alguns setores importantes estão exportando um pouco mais (automóveis e calçados, por exemplo).

O FMI também revisou as projeções de crescimento para o Brasil, e depois de várias revisões para baixo, a expectativa de crescimento “melhorou”. A queda prevista para o PIB de 2016, passou de -3,8% para -3,3% e para o próximo ano, já se vislumbra um crescimento de 0,5%.
Se no caso da Olimpíada podemos dizer que parece que valeu a pena apostar no Brasil, no caso da economia, ainda é cedo. Para que os investidores, tanto do mercado de capitais, e principalmente os investidores do mercado real de bens e serviços, voltem a apostar ou continuem apostando no país, é necessário que o país demonstre uma capacidade de organização do mesmo nível da equipe que organizou a abertura dos jogos olímpicos. Para que “a tocha” da economia permaneça acesa, será necessário realizar o ajuste fiscal e aprovar as reformas que tanto temos comentado aqui.

(*) Economista e diretor da Datamétrica.

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