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Observatório econômico Keynes x Hayek

Publicado em: 01/08/2016 08:00 Atualizado em: 29/07/2016 20:59

(*) Por Marcelo Eduardo Alves da Silva

Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de Economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Marcelo Eduardo Alves da Silva é professor de Economia da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Mais do que nunca precisamos reviver o debate entre dois grandes economistas sobre o papel e tamanho dos governos. Intervenções governamentais podem melhorar os resultados dos mercados, mas podem também piorá-lo. E ainda, mais governo pode significar menos liberdade.


Há alguns anos fui levado a assistir uma dessas produções para a internet bem interessantes. Tratava-se de um “duelo imaginário”, na forma de rap, entre dois grandes economistas: Keynes e Hayek. O primeiro é bastante conhecido e um dos principais responsáveis pelo surgimento da Macroeconomia, enquanto o segundo não é tão conhecido assim, ao menos no Brasil. Contemporâneos de uma época de incertezas, provocadas pela Grande Depressão, os dois protagonizaram um dos mais interessantes debates da economia, em particular, quanto ao papel e tamanho dos governos.

Keynes advogava, em linhas gerais, que políticas anticíclicas, particularmente, em momentos de depressão econômica, deveriam se a tônica da ação governamental. Hayek, por outro, defendia que os mercados deveriam ser deixados livres para funcionar e que em si mesmos possuíam as forças necessárias para retornar ao equilíbrio.  Para Keynes, os governos deveriam direcionar recursos para programas de obras públicas, mesmo que isso significasse desperdício de recursos e em déficits orçamentários. Acreditava que os governos deveriam intervir nos mercados sempre que necessário, embora a noção de quando não mais seria necessário intervir, não tenha ficado tão clara para os adeptos posteriores do keynesianismo. Hayek defendia o estado mínimo, quanto menor melhor, porque acreditava que o sistema de preços e o equilíbrio de mercado representava os desejos, ambições e escolhas de indivíduos livres e, portanto, qualquer intervenção governamental implicaria numa redução do bem-estar social.

É impressionante perceber a influência de ambos no pensamento econômico moderno e de quão vivo o “debate” permanece nos dias de hoje. Nas palavras de Keynes, “as ideias de economistas e filósofos políticos ambos, quando estão certos ou errados são mais poderosas do que comumente entendido.” Ele continuou dizendo que “homens práticos, que acreditam ser isentos de qualquer influência intelectual são geralmente escravos de algum economista morto.” É interessante que a profecia de Keynes continua tão viva como antes, particularmente no pensamento econômico brasileiro. Muitos “homens práticos” ainda acreditam que as intervenções estatais são sempre desejadas, sempre levam a um resultado melhor. Insistem em ignorar as lições do passado.

Mais do que nunca lamento que tenhamos ignorado por tanto tempo este “debate”. De Keynes aprendemos que é possível intervir em momentos críticos da economia, enquanto de Hayek fica a lição de que devemos domar sempre que possível o “grande leviatã”, pois à medida que os governos interferem em nossas vidas nos torna menos livres. Governos não são oniscientes tampouco onipotentes, representam  escolhas e decisões dos que estão no poder ou, ao menos, dos que estão próximo dele e, como os últimos acontecimentos no Brasil têm nos ensinado, nem sempre essas escolhas são feitas com objetivos republicanos.

(*) Professor de Economia da UFPE.

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