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Observatório econômico Conjecturas

Publicado em: 17/07/2016 08:00 Atualizado em: 15/07/2016 20:51

(*) Por Carlos Magno Lopes

Carlos Magno Lopes é professor de economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Carlos Magno Lopes é professor de economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Da demanda por bens de consumo duráveis dependerá a evolução do ritmo de atividade da economia, de menor expressão no nordeste A desaceleração dos investimentos públicos, das transferências para estados e municípios e do ritmo de expansão de programas sociais atingem de cheio o nordeste. Levará tempo para o nordeste voltar a ser o que era antes da crise.


São muitas as dúvidas e incertezas que cercam a vida nacional. No âmbito econômico, não se sabe se o ajuste fiscal será aprovado pelo Congresso Nacional, da mesma forma não há garantias que a renegociação das dívidas dos estados será levada a bom termo. Consta na pauta do governo reformas vitais para assegurar a recuperação da economia: a da previdência e a trabalhista, que ainda não foram divulgadas. Ainda, privatizações parecem ter voltado à pauta principal da política, da mesma forma que os contratos para a exploração do pré-sal e de concessões. Também é desconhecida a meta do déficit orçamentário de 2017. Por trás de tudo isso, a confiança de investidores e consumidores. Enfim, não se sabe sequer quem será o Presidente da República a partir de agosto. O futuro incerto, portanto, abre imensas oportunidades de negócios para as cartomantes e praticantes de tarot.

Cercado pela escuridão estelar, assumo o risco de fazer conjecturas sobre a retomada do crescimento do Brasil e do Nordeste. Em outras palavras, quem irá reagir com mais rapidez e registrar crescimento mais acelerado no período imediatamente após a crise? Ou, ainda, quem largará na frente. Para tratar dessa questão, algumas considerações se fazem necessárias. A crise atual, do ponto de vista setorial, tem como epicentro a indústria brasileira, apesar de participar com cerca de apenas 25% do PIB. Portanto, é da indústria que se deve esperar os primeiros sinais de reaquecimento da economia, não no setor de serviços, o maior de todos, o qual habitualmente acompanha a evolução da indústria. Do comportamento da indústria de bens de consumo duráveis dependerá a evolução do ritmo de atividade da economia, de menor expressão no nordeste. Pelos dados atuais, o Brasil ainda está longe disso. De qualquer forma, é importante observar que a demanda por bens duráveis depende, em larga extensão, de crédito e, este da renda e da disposição dos bancos em emprestar, o que, com a taxa de juros no nível atual pode não ser um bom negócio. Dessa forma, no nordeste, como a renda é menor que a média nacional, o reaquecimento da demanda por bens duráveis e, em menor proporção, dos não-duráveis, tende a ser mais lenta. Além disso, a inadimplência dos consumidores nordestinos é maior que a do país.

A desaceleração dos investimentos públicos, das transferências para estados e municípios e o ritmo de expansão de programas sociais, por outro lado, atingem de cheio o nordeste, provavelmente com mais intensidade que o país como um todo. O melhor desempenho das exportações brasileiras, beneficiadas pelo câmbio, tem pouca repercussão na economia da região. Perguntará o preocupado leitor: “qual a saída?”. Antes de mais nada, fazer o dever de casa, isto é, rever métodos e processos para dar mais eficiência à gestão pública. Além disso, torcer para que o Congresso Nacional faça seu papel, ajudando o país. Levará tempo para o nordeste voltar a ser o que era antes da crise.

(*) Professor de economia da UFPE.

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