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Observatório econômico Privatizar ou não privatizar?

Publicado em: 07/07/2016 08:00 Atualizado em: 06/07/2016 21:17

Por André Matos Magalhães (*)

André Matos Magalhães é economista da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
André Matos Magalhães é economista da UFPE. Foto: Paulo Paiva/DP
Privatização pode ser bom? Sim, pode. Os mais jovens certamente não sabem, mas a telefonia fixa no Brasil era, por falta de uma palavra melhor, completamente ridícula quando o setor público estava à frente do serviço. Para quem acha que é ruim agora, basta lembrar que na década de 1980 você se tornava sócio da empresa de telefonia e esperava anos para ter um telefone em casa. O serviço era caro, ruim e elitista.


Está mais do que claro que o país atravessa uma crise de grandes proporções, tanto na esfera econômica, quanto política. Essas duas dimensões estão intimamente interligadas e a solução para uma está irremediavelmente ligada à solução da outra. Dito de outra forma, parte significativa da crise econômica está ligada à gigantesca crise política hoje instalada no país.

No meio disso tudo, o governo atual, provisório e sem garantias de continuidade, tenta organizar a economia propondo soluções de curto, médio e longo prazos. É fato que tudo que o governo Temer propõe está condicionado à finalização do processo  de impedimento da presidente afastada. Pode-se pensar que o real governo Temer só terá início quando, e se, o afastamento da Presidente anterior for confirmado. Isso não tem, todavia, evitado que o atual governo lance propostas mais ousadas de mudanças na economia, algumas delas de alcance duradouro.

Nesse semana, dentro desse esforço de agenda de mudanças, o governo Temer começou a falar fortemente em privatizações. Não chega a ser uma surpresa que esse tema tenha destaque dentro da agenda do governo. Várias das pessoas que compõem a atual estrutura do governo tem defendido a ideia ao longo do tempo. Alguns foram responsáveis por privatizações passadas. Nada mais natural do que retomar a conversa.

Do ponto de vista social o tema sempre é tratado com muita desconfiança. Há uma estranha sensação de que estaríamos entregando o “ouro ao bandido” ao privatizar empresas públicas. É como se a iniciativa privada fosse má e o Governo fosse bom. Não é necessariamente assim. O governo pode fazer muito mal. Talvez, muito mais do que qualquer empresa privada. Os casos atuais de corrupção em empresas controladas pelo Governo deveriam nos ensinar pelo menos isso.

Privatização pode ser bom? Sim, pode. Os mais jovens certamente não sabem, mas a telefonia fixa no Brasil era, por falta de uma palavra melhor, completamente ridícula quando o setor público estava à frente do serviço. Para quem acha que é ruim agora, basta lembrar que na década de 1980 você se tornava sócio da empresa de telefonia e esperava anos para ter um telefone em casa (geralmente um único ponto na casa). O serviço era caro, ruim e elitista. Algumas pessoas detinham várias linhas e ganhavam dinheiro como isso. O aluguel de uma linha custava algo próximo a um salário mínimo! Hoje você não compra a linha. Ela é rapidamente instalada e funciona. Tente imaginar como seria a internet se o serviço fosse fornecido unicamente pelo governo!

Privatização sempre dá certo? Não! Não tem como garantir isso, mas é possível perceber que o Governo não precisa, e não deve, ser dono de tudo. Não há razão para achar que o Governo faria um trabalho melhor do que o setor privado na administração dos aeroportos, por exemplo. Há vários outros casos para serem considerados. Trazer o tema para discussão é positivo. No médio e longo prazo pode ser extremamente positivo para o País.

(*) Economista da UFPE.

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