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OBSERVATÓRIO ECONÔMICO E o Nordeste?

Publicado em: 08/05/2016 08:00 Atualizado em: 09/05/2016 23:31

Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Por Fernando Dias (*)
 
É inegável que região cresceu, que os setores da economia cresceram voltados principalmente para o mercado interno, mas a dependência das políticas públicas permanece.

O país está hoje mergulhado na decisão sobre a formação de um possível novo governo. Acordos estão sendo feitos, condições estão sendo propostas, movimentações políticas vêm sendo reportadas faz semanas, e ao que tudo indica uma inflexão sobre política econômica vem por aí. Em tempos da maior crise fiscal já reportada nas últimas décadas, a palavra de ordem é arrumar a casa, doa a quem doer. E o Nordeste, como fica nesse cenário?
O Nordeste é uma região que apresenta secularmente diversos problemas de natureza sócio-econômica e os mais visíveis são, respectivamente, a pobreza e o baixo desenvolvimento econômico. Outrora o berço da economia brasileira, a economia nordestina definhou ao longo de séculos, sem perder sua característica agrária, fato que só se alterou de forma contundente após a implementação de políticas públicas, via Sudene, a partir de meados de 1960. De lá para cá, passados quase 60 anos, é difícil negar que a dinâmica da economia do Nordeste ainda é dependente de políticas públicas em suas mais diversas formas.
 
Da Sudene ao BNB, passando por incentivos estaduais e pela regra do FPE, o Nordeste é um receptor de benefícios diversos em função de ser a região com mais pobres e com a economia menos dinâmica. Será? Em termos de dinamismo certamente não, no agregado. O impulso da industrialização induzida a partir da Sudene mudou parte da cara do Nordeste desde 1960, e mesmo nos últimos 20 anos a região é a segunda que mais cresce no Brasil, atrás do Centro-Oeste.

Porém, com décadas de industrialização, as indústrias em grande parte ainda vêm para o Nordeste pelo mesmo motivo de antes: obtenção de incentivos. Um modelo ilustrativo dessa prática pode ser visto, por exemplo, na balança comercial. Região outrora exportadora, o Nordeste acumula em período recente, do ano 2000 aos primeiros meses de 2016, um déficit acumulado de 33 bilhões de dólares. E o mix, mudou? Os principais produtos exportados em 2002 eram os mesmos de 2010, que são os mesmos de 2016. Pelo menos mudou a composição das importações? Não, ainda concentrada quase totalmente em insumos industriais.

É inegável que região cresceu, que os setores da economia cresceram voltados principalmente para o mercado interno, mas a dependência das políticas públicas permanece. Outro exemplo ilustrativo foram os grandes booms da economia baiana, complexo petroquímico, e pernambucana, refinaria e estaleiros. Separados por décadas foram momentos financiados por capital público. A auto sustentabilidade da economia permanece uma incógnita que resiste a décadas de intervenção.

O Nordeste tem então todo o interesse no possível novo governo. Quais são as políticas regionais, se é que haverá alguma? Os regimes de incentivos permanecerão os mesmos? A reforma tributária e o fim da guerra fiscal serão mesmo uma realidade? Como destino de boa parte dos recursos de programas sociais, e alvo de toda sorte de políticas de desenvolvimento, a Região está longe de poder ficar apática esperando o que vai acontecer.
 (*) Professor do Departamento de Economia da UFPE.


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