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Observatório econômico Confiança

Publicado em: 07/04/2016 08:00 Atualizado em: 06/04/2016 22:51

Carlos Magno Lopes é Professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Carlos Magno Lopes é Professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Por Carlos Magno Lopes (*)

O otimismo espontâneo, portanto, por motivar ações positivas, põe o mundo e, em particular, a economia em movimento construtivo. Assim, fica mais fácil resolver problemas.


A confiança interfere, em maior ou menor escala, no comportamento e decisões individuais, sem exceção. Na realidade, confiança reflete a expectativa de um resultado positivo. Em contraste, a ausência de confiança, congela intenções e iniciativas que levam a consequências desejadas. O estado de confiança é afetado e ao mesmo tempo influencia o mundo real, mas também depende de fatores subjetivos. Esse contexto remete a uma consagrada passagem de John M. Keynes que define “espírito animal como um desejo espontâneo à ação ao invés de inação, e não como o resultado de uma média ponderada de benefícios quantitativos multiplicada por probabilidades quantitativas”. O otimismo espontâneo, portanto, por motivar ações positivas, põe o mundo e, em particular, a economia em movimento construtivo. Assim, fica mais fácil resolver problemas.

O fato é que o estado de confiança afeta a economia e se relaciona a acontecimentos que influenciam o desempenho econômico presente e futuro de um país. É por essa razão que a confiança de consumidores e investidores exerce papel central no crescimento da economia. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, define a confiança do consumidor como sendo baseada nos planos das famílias para grandes compras, bem como na situação econômica e expectativas delas para o futuro imediato; a confiança dos empresários, por seu turno, é baseada na avaliação quanto à produção das empresas, encomendas e estoques, além de suas condições atuais e expectativas para o futuro próximo. Isso significa, em outras palavras, que a convergência da confiança de consumidores e empresários tem impacto profundo no desempenho da economia, tanto no curto quanto no longo prazo.

À guisa de ilustração, consideremos um país qualquer cuja economia possua o seguinte perfil:
1. O déficit primário (receitas menos despesas, exceto o pagamento de juros da dívida) no ano anterior foi de 1,9% do PIB. Não obstante, a previsão é de déficit, não de superávit fiscal no atual ano fiscal;
2. A relação dívida bruta/PIB é de 66%, enquanto o déficit fiscal corresponde a 10% do PIB;
3. A inflação é de dois dígitos, 10.7%, enquanto o crescimento da economia é de -3,7%;
4. A previsão da proposta orçamentária em curso é de déficit R$ 96.6 bilhões, ao mesmo tempo em que o governo solicita ao Congresso autonomia para aumentar o déficit caso necessário, isto é, não há meta para o déficit público;
5. O governo anuncia uma tentativa de golpe de Estado em andamento.

O leitor solitário em sua poltrona, já tenso e sem conseguir conter sua angústia perguntará: que país é este? Distraído, não percebeu que esse país é hipotético, imaginário, como já dito. Com déficit estrutural, inflação de dois dígitos, recessão e risco de golpe, por onde andará o otimismo espontâneo de consumidores e empresários? Nem cartomantes saberão a resposta.

 (*) Professor do Departamento de Economia da UFPE

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