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Observatório Econômico Desenvolvimento

Publicado em: 31/03/2016 08:00 Atualizado em: 01/04/2016 19:37

Por Carlos Magno Lopes (*)

Carlos Magno Lopes é Professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Carlos Magno Lopes é Professor do Departamento de Economia da UFPE. Foto: Tiago Lubambo/Divulgação
Os países desenvolvidos se destacam não apenas pelo perfil de seus indicadores socioeconômicos tradicionais. Eles apresentam outras virtudes, como uma enorme oferta de serviços financeiros por instituições especializadas, promovendo a mobilização de poupança para financiar investimentos privados.

A severa crise que ora se abate sobre a economia brasileira tem diagnóstico conhecido e diversas rotas seguras para sua superação, o problema é de liderança. O fato é que em algum momento e de alguma forma a economia voltará a crescer, a dívida pública irá parar de subir e a inflação será controlada. Afinal, o Brasil, pelo menos por enquanto, não parece ter compromisso com o subdesenvolvimento. É preciso pensar o futuro depois da crise.

Os países desenvolvidos se destacam não apenas pelo perfil de seus indicadores socioeconômicos tradicionais. Eles também apresentam virtudes nem sempre destacadas como, por exemplo, uma enorme oferta de serviços financeiros por instituições especializadas, que atendem as necessidades tanto do varejo quanto dos grandes clientes. Essa constatação sugere que a eficiência do sistema financeiro também é característica intrínseca das economias desenvolvidas.

É função do sistema financeiro, dentre outras, mobilizar poupança para financiar investimentos privados. Para cumprir essa missão, portanto, é preciso poupar. No Brasil, a taxa de poupança doméstica é em torno de 16%, bastante baixa para atender às necessidades dos investidores em tempos normais. Não obstante, boa parte dessa poupança é direcionada para financiar a enorme dívida pública. Se o governo devesse e gastasse menos, mais recursos poderiam ser ofertados para os investidores. Em busca de maior equilíbrio, atuam as instituições financeiras oficiais, na maioria das vezes através de subsídios e outras condições favoráveis, que introduzem graves distorções no mercado de crédito. A poupança externa, apesar de importante, financia parte relativamente pequena do total dos investimentos.

O fato é que a baixa taxa de poupança no Brasil é um enorme obstáculo para os investidores. Perguntará o arguto leitor: por que os brasileiros poupam pouco? Vários fatores explicativos podem ser mencionados, mas destaco a alta carga tributária e a preferência pelo consumo presente ao consumo futuro. A brutal carga tributária reduz a renda das pessoas e os lucros das empresas, limitando a disponibilidade de recursos financeiros. Ao preferir o consumo presente, as famílias forçosamente abrem mão de poupar, além de comprometerem a renda (bem-estar) futura (o), especialmente na aposentadoria.  O antídoto para esse cenário não são pensamentos positivos. Após a superação da crise atual, bons fundamentos macroeconômicos, reformas microeconômicas modernizantes e educação financeira são potencialmente capazes de criar as condições requeridas para superar o hiato entre poupança e investimentos no Brasil.

O Brasil precisa desesperadamente pensar no seu desenvolvimento financeiro, com um robusto e ágil mercado de capitais apoiando o crescimento da economia. Os caminhos que os países avançados seguiram não podem ser ignorados. O provincianismo é a pior forma de atraso.

(*) Professor do Departamento de Economia da UFPE

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