• Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google Plus Enviar por whatsapp Enviar por e-mail Mais
Observatório econômico Petróleo barato

Publicado em: 13/03/2016 08:00 Atualizado em: 01/04/2016 22:28

Tiago Cavalcanti é Professor da Universidade de Cambridge e FGV-SP. Foto: Paulo Paiva/DP
Tiago Cavalcanti é Professor da Universidade de Cambridge e FGV-SP. Foto: Paulo Paiva/DP
Por Tiago Cavalcanti*

Quem mais ganha com a baixa do preço do petróleo são os países importadores desta matéria-prima. Nos Estados Unidos, o efeito é paradoxal. De um lado, já existe transferência de renda, pois os americanos são importadores líquidos de aproximadamente 5 milhões de barris dia. Por outro lado, com os preços atuais, tanto o gás natural quanto o óleo extraídos do xisto se tornam não comerciais.

Em 2008, Paul Krugman, Nobel de Economia, afirmou que a era do preço do petróleo barato havia acabado. Em 2014, quando o preço do barril estava acima de , Krugman voltou a enfatizar seu ponto de vista: deveríamos aprender a viver com preços elevados de commodities. Hoje o barril está próximo dos US$ 30.

O historiador Daniel Yergin indica que esses erros de previsão do preço do petróleo foram comuns ao longo da história. No início da década de 70, por exemplo, o Clube de Roma previa que iríamos ficar sem óleo negro em 30 anos. Na verdade, essa é uma questão antiga em economia. Thomas Malthus, argumentava, em 1798, que o crescimento populacional conduziria os países à miséria, pois não teríamos recursos suficientes para alimentar a demanda crescente das pessoas.

A tecnologia ajudou, tanto num caso quanto no outro. Primeiro, é possível explorar petróleo de lugares que antes não imaginávamos. Além disso, estamos sendo mais eficientes no uso da energia. Apesar disso, continua sendo importante encontrar alternativas ao uso do petróleo. O preço atual só faz adiar esta transição inevitável para a sobrevivência da humanidade. Mas, o que explica essa queda e quais implicações para as nações?

O baixo preço do petróleo reflete um equilíbrio simples de oferta e demanda. A demanda tem diminuído por conta da desaceleração do crescimento da China, e suas implicações nos mercados emergentes, e a oferta tem aumentado devido ao “unconventional oil” e agora a entrada do Irã no mercado internacional. Isso, claro, com reações da Arábia Saudita e da Rússia, que objetivam a manutenção de suas participações no mercado internacional.

Obviamente, quem mais ganha com a baixa do preço do petróleo são os países importadores desta matéria-prima (Índia, União Europeia, China, Japão e Coréia do Sul, por exemplo). Nos Estados Unidos, o efeito é paradoxal. De um lado, já existe transferência de renda, pois os Estados Unidos são importadores líquidos de aproximadamente 5 milhões de barris por dia. Por outro lado, com os preços atuais, tanto o gás natural quanto o óleo extraídos do xisto se tornam não comerciais. Esse também é o caso do Canadá, do pré-sal brasileiro, que têm custos de extração elevados.
 
Os países exportadores de petróleo são, no curto prazo, as grandes vítimas desse colapso do preço do petróleo. Mas, esse é também um momento de oportunidades, como no Brasil. A nossa crise mostrou que o modelo de atuação da Petrobras era predatório, ineficiente e corrupto. Os momentos de crises intensas podem levar à destruição de um sistema arcaico e ineficiente com mudanças institucionais importantes e efeitos positivos de longo-prazo. Pode ser o caso da Venezuela, que com hiperinflação e contração do PIB em 10%, venha a ser forçada a fazer uma transição para um governo mais democrático e com políticas econômicas e sociais mais prudentes.

*Professor da Universidade de Cambridge e FGV-SP

TAGS: obseconomico

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.