Eleições 2018 Haddad busca aproximação com Ciro Petista deve ajustar os parâmetros do programa de sua coligação em torno de aliança programática, que pode incluir, além do pedetista, Marina e Alckmin

Por: AE

Publicado em: 09/10/2018 08:56 Atualizado em:

Haddad disse que teve apenas 22 dias de campanha e chegou ao segundo turno com quase 30% dos votos. Foto: Heuler Andrey / AFP
Haddad disse que teve apenas 22 dias de campanha e chegou ao segundo turno com quase 30% dos votos. Foto: Heuler Andrey / AFP
O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira(9), em coletiva concedida após visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, que pretende ligar institucionalmente para o pedetista Ciro Gomes, a fim de tentar selar um acordo neste segundo turno em que enfrenta o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. “Vi o programa do Ciro, temos muita convergência de ideias com o que precisa ser feito”, disse, afirmando crer que há condições de reunir essas forças democráticas progressistas num segundo turno, em torno de um projeto de restauração e inclusão social do Brasil.

“Vou conversar com as forças democráticas do país, representadas por algumas candidaturas como as de Ciro Gomes, Guilherme Boulos, mantendo ainda contato com governadores do PSB. Tenho interesse que essas forças estejam reunidas em torno desse projeto de restauração e inclusão social, como tratamos no primeiro turno com o PCdoB”, emendou.

Para fazer um aceno ao pedetista, Haddad disse na entrevista que tem total tranquilidade em ajustar os parâmetros do programa de sua coligação para que ele seja o mais representativo dessa ampla aliança democrática que pretende fazer. E disse que ele e Ciro são amigos de longa data, desde o primeiro governo Lula, por isso não teria problemas em ajustar o seu programa em torno de uma aliança programática. “Tenho total tranquilidade em ajustar parâmetros do programa para que ele seja o mais representativo dessa ampla aliança democrática que pretendemos fazer.”

Haddad disse na entrevista que teve apenas 22 dias de campanha e chegou ao segundo turno com quase 30% dos votos válidos do país, concorrendo com veteranos, “candidatos que respeito, mas que já disputaram algumas eleições, como Marina Silva (Rede), Ciro Gomes e Geraldo Alckmin (PSDB). Fomos ao segundo turno pela força do projeto que representamos”, disse, afirmando que os partidos políticos definharam nesse processo eleitoral. Segundo ele, o PT foi ao segundo turno defendendo um projeto que vai restaurar as perspectivas de desenvolvimento e inclusão social do Brasil.

Dirceu fora

Fernando Haddad disse ontem que reviu seu posicionamento sobre a Constituinte exclusiva proposta pelo plano de governo do partido. “Revimos o posicionamento. As reformas serão feitas por emenda constitucional”, disse Haddad ao Jornal Nacional, da TV Globo. O candidato defendeu três reformas econômicas com aprovação do Congresso: tributária, bancária e fim do teto de gastos. “Quem paga imposto hoje no Brasil é o pobre. Essa reforma será feita por emenda constitucional e prevê isenção de IR pra quem ganha até 5 salários mínimos”, disse Haddad, que defendeu também uma reforma bancária para reduzir juros de empresários e trabalhadores.

Ainda ao Jornal Nacional, o ex-prefeito de São Paulo também se distanciou do ex-ministro José Dirceu, que declarou que era “questão de tempo para o PT tomar o poder” em entrevista ao diário espanhol El País. O ex-ministro não participa da campanha e não participará do meu governo”, declarou Haddad.

Mais cedo, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann disse que o partido está disposto a conversar com mais legendas, “sem restrições”, buscando aquelas que queiram aderir à campanha de Haddad na segunda etapa da disputa e, entre as propostas que poderiam ser revistas, estava a da Constituinte exclusiva. “Vamos sentar com os partidos e, possivelmente, a gente tenha que fazer uma revisão, porque há uma solicitação para que isso não conste (no programa)”, declarou Gleisi.

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.