ELEIÇÕES 2018 Surpresas na pouco renovada Alepe Pela primeira vez, uma mulher é a mais votada para o Legislativo pernambucano: a delegada Gleide Angelo (PSB), que conquistou mais de 412 mil votos

Por: Sávio Gabriel - Diario de Pernambuco

Publicado em: 08/10/2018 09:57 Atualizado em: 08/10/2018 10:14

Foto: Paulo Paiva/DP
Foto: Paulo Paiva/DP

Com 412,9 mil votos, a delegada Gleide Angelo (PSB) conseguiu, em sua primeira disputa a um cargo público, quebrar dois recordes: além de ter obtido o maior quantitativo de votos para o cargo de deputado estadual desde a redemocratização, ela também quebrou a hegemonia masculina que imperava entre os mais votados ao Legislativo estadual, já que desde 1994 o primeiro colocado entre os eleitos era um homem. A deputada eleita faz parte dos 22 parlamentares que vão compor a bancada da Casa de Joaquim Nabuco pela primeira vez a partir do próximo ano.

Conhecida do eleitorado pernambucano devido a sua atuação em casos de grande repercussão no estado, a socialista não só desbancou o deputado Cleiton Collins (PP), que desde 2006 era o campeão de votos na Assembleia Legislativa, como obteve quase o quádruplo de votos do pepista. “O que eu enxergo é que houve um reconhecimento da população aos meus 15 anos de trabalho na Polícia Civil. As pessoas acreditam no meu trabalho e me deram um voto de confiança”, disse, ressaltando a força do eleitorado feminino. “É a demonstração de que as mulheres precisam de representação. Como podemos ter uma Assembleia com 43 homens e seis mulheres? As pessoas enxergaram que precisamos de igualdade”. 

Com gastos de R$ 359,4 mil declarados à Justiça Eleitoral até a noite de ontem, a campanha da socialista focou nas redes sociais. “A campanha foi os meus amigos. Todo dia nos juntávamos e íamos para a rua. Gleide não é Gleide, mas sim um grupo”, disse a deputada eleita. Segundo deputado estadual mais votado, Cleiton Collins teve 106,3 mil votos, bem abaixo dos 216 mil obtidos em 2014. “Essa eleição foi mais curta, eu não consegui ir nem na metade dos lugares que queria. Não deu para gastar muita sola de sapato”, justificou.

Na avaliação da cientista política da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda, Priscila Lapa, a credibilidade que Gleide já tinha junto à sociedade e o fato de o tema da violência estar em alta no país justificam a vitória acachapante. “Ela não se tornou popular do dia para a noite. Ela juntou o útil ao agradável: já tinha uma imagem positiva e acabou surfando um pouco nessa onda da discussão sobre segurança”.

Os números mostram que, diferentemente de 2014, quando houve renovação de 53%, neste ano o percentual foi de 48,9%. Em termos de bancadas, não houve grandes mudanças e o governador reeleito Paulo Câmara (PSB) não deve encontrar dificuldades para aprovar projetos: o PSB e o PP continuaram com o maior número de deputados, com 11 e 10 cadeiras, respectivamente, muito embora os pepistas tenham perdido quatro vagas em relação à legislatura atual e os socialistas, uma. Outra novidade ficou por conta da candidatura Juntas, do Psol, que vai ocupar um mandato compartilhado na Casa de Joaquim Nabuco (o primeiro desse tipo no estado).

Nessa dança das cadeiras, 17 parlamentares que tentavam a reeleição não conseguiram renovar seus mandatos. É o caso de nomes como Laura Gomes (PSB), Edilson Silva (Psol), Socorro Pimentel (PTB), entre outros. Entre os novatos, há nomes que pertencem a tradicionais famílias políticas do estado: é o caso, por exemplo, de Fabíola Cabral (PP), filha do atual prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PSB), e de João Paulo Costa (Avante), filho do deputado federal Silvio Costa (Avante). Nomes como José Queiroz (PDT) e João Paulo (PCdoB) voltam a ocupar um assento no Legislativo estadual.

Foto: Arte/DP
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