ELEIÇÕES 2018 João Campos tem recorde de votos Com 23 anos, o filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014, superou o título que antes pertencia à avó Ana Arraes e ao bisavô Miguel Arraes

Por: Silvia Bessa

Publicado em: 08/10/2018 09:54 Atualizado em: 08/10/2018 10:09

Foto: Paulo Paiva/DP
Foto: Paulo Paiva/DP

Com 23 anos, João Campos (PSB) bateu um recorde histórico em Pernambuco e foi eleito ontem para deputado federal com 460.387 votos. Filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em 2014, João é recém-formado no curso de Engenharia civil e ex-chefe de gabinete do governador reeleito Paulo Câmara (PSB). Antes dele, o título foi da avó, Ana Arraes (em 2010, 387 mil votos), e do bisavô, Miguel Arraes (em 1990, 340 mil votos).  

A Frente Popular (PSB, PCdoB, MDB e PSD), pela qual João Campos concorreu, ficou com oito das 25 vagas de deputado federal que cabem ao estado. São eles: além de João Campos, André de Paula, Felipe Carreras, Raul Henry, Danilo Cabral, Gonzaga Patriota, Renildo Calheiros e Tadeu Alencar. Ex-secretário do ex-governador Eduardo e atual deputado federal, Tadeu ficou em 29ª lugar entre os mais votados, com 53.597 votos, mas se elegeu pela coligação beneficiado pelo quociente eleitoral, que prevê a divisão das cadeiras na Câmara Federal de acordo com o quociente partidário e as sobras de votos conquistadas pelo bloco. 

Outro destaque individual das urnas para deputado federal é a votação da vereadora do Recife Marília Arraes (PT), neta do ex-governador Miguel Arraes. Ela teve a segunda maior votação de Pernambuco neste cargo: 193.108 votos. Marília era candidata ao governo, mas retirou a postulação por decisão do partido. Com a vitória de Marília para a Câmara Federal, a vaga dela na Câmara dos Vereadores fica para o primeiro suplente: o ex-prefeito do Recife João da Costa. O Partido dos Trabalhadores saiu sozinho na eleição proporcional deste ano. Pela legenda, ao lado de Marília, foi eleito Carlos Veras, com 72.005 votos. 

A coligação Pernambuco Vai Mudar, de oposição, elegeu seis deputados federais. Ancorada na candidatura de Armando Monteiro ao governo, que polarizava com Paulo Câmara e perdeu o pleito, a coligação foi composta pelo PTB, PSC, DEM, PSDB, PSC, Podemos e PPS. André Ferreira, o terceiro mais votado (175.834 votos), Silvio Costa Filho, Daniel Coelho, Fernando Filho, Ricardo Teobaldo e Bispo Ossésio estão entre os eleitos. Zeca Cavalcanti e Vinícius Mendonça tiveram votações acima de 54 mil, mas ficaram de fora em função do quociente eleitoral. Este resultado traz uma surpresa: a ausência de deputados federais representando o PSDB.

Solidariedade e PMN, coligação intitulada Pernambuco em primeiro lugar,  fez quatro deputados federais. Sebastião Oliveira chama a atenção pela expressiva votação (129.978 votos). Eduardo da Fonte foi eleito com 113.640 votos - menos da metade da votação conquistada por ele em 2014, quando conseguiu 283,5 mil votos e o título de mais votado daquele ano. Fernando Monteiro e Augusto Coutinho foram os demais eleitos deste bloco. 

A chapa Pernambuco que Você Quer (Pros, Avante, PDT, PP e PR) elegeu Wolney Queiroz (82.592 votos) e o novato Túlio Gadelha (75.642 votos). Impulsionado pela campanha presidencial pró-Bolsonaro, a coligação Avança Pernambuco elegeu dois deputados federais: Luciano Bivar (coordenador da campanha de Jair Bolsonaro no estado), com 117.943 votos, e Fernando Rodolfo. Fernando obteve 52.824 mil votos e foi alçado pelo quociente eleitoral. Pastor Eurico conseguiu uma das vagas na Câmara Federal, pelo Patriota, com 125.025 mil votos. 

Foto: Arte/DP
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Foto: Arte/DP
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Veteranos somam 14 mandatos e 11 não tinham cargo

A bancada pernambucana na Câmara Federal terá uma renovação de 44% em comparação com a atual composição. São 14 veteranos e ganham mandato outros 11 políticos que não tinham cargos em Brasília na atual legislatura. Entre esses, nem todos são novatos: Raul Henry (MDB), Luciano Bivar (PSL) e Renildo Calheiros (PCdoB) voltam à Câmara Federal. André Ferreira (PSC) deixa a Assembléia Legislativa de Pernambuco, para a qual tem mandato até o fim do ano.

Entre os novatos no Congresso Nacional estão o dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carlos Veras, eleito pelo PT; o radialista conhecido como Bispo Ossésio (PRB), que assumiu em 2011 mandato na Assembleia Legislativa; e o deputado estadual Silvio Costa Filho (PRB), filho do atual deputado Silvio Costa. O advogado Túlio Gadelha, do PDT, conquistou pela primeira vez um mandato público. Namorado da apresentadora Fátima Bernardes, da TV Globo, e com projeção recente pelo relacionamento, a eleição dele era tida como esperada. 

O jornalista Fernando Rodolfo (PHS), apresentador de uma emissora de televisão de Caruaru, é um dos novos nomes na formação no quadriênio 2019-2012. Assim como ele, estão o filho do ex-governador Eduardo Campos, João Campos (PSB), e a vereadora do Recife Marília Arraes (PSB) - os mais votados de 2018.

É possível que haja nova arrumação e novos nomes surjam entre os 25 que ficarão na Câmara Federal. Isto porque, como a coligação Frente Popular compõe a base do governador reeleito, cogita-se que pelo menos um suplente deste bloco possa vir a assumir futuramente uma vaga. No estado, é tradição o governador convocar eleitos para abrir espaço na formação da bancada e contemplar não-eleitos.

Na dança das cadeiras, valem algumas menções. Nota-se a ausência de eleitos pelo PSDB. A legenda tinha como maior representante o deputado federal Bruno Araújo, candidato derrotado a senador na chapa de Armando Monteiro. Bruno é considerado peça-chave no impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Dos insucessos da eleição deste ano para a Câmara Federal, menciona-se o caso de Vinícius Mendonça, filho do deputado federal e ex-governador Mendonça Filho (DEM). Vinícius teve 54.131 mil votos. Era a primeira disputa dele. Outro nome a ser lembrado é o de João Fernando Coutinho, que teve 63.939 (votação bem inferior à obtida em 2014, na casa de 120 mil) e não se reelegeu.
 


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