ELEIÇÕES 2018 Temer vira a voz da discordância Ao declarar que o governador Paulo Câmara o apoiou no Planalto e no impeachment de Dilma , presidente deu munição para a oposição

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Publicado em: 30/08/2018 07:48 Atualizado em:

Paulo Câmara visitou ontem o Mercado da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife. Foto: Helia Scheppa/PSB
Paulo Câmara visitou ontem o Mercado da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife. Foto: Helia Scheppa/PSB
Num estado onde a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gira em torno de 65%, a conta do apoio dado ao impeachment pelo governador Paulo Câmara (PSB) começou a chegar. Ontem, uma declaração do presidente Michel Temer (MDB) numa rádio local pegou de surpresa o governador, candidato à reeleição. Temer disse que Paulo iria se “pacificar” quando a eleição terminasse e lembrou ter recebido apoio dos deputados federais da base de Paulo sem precisar pedir apoio. No meio político, essa informação já havia circulado. Contudo, nessa fase da campanha eleitoral, a própria voz de Temer, numa rádio, foi de encontro ao discurso que Paulo usa contra Armando Monteiro Neto (PTB), a quem acusa de comandar a “turma de Temer”. 

As declarações de Temer mostram que, se ele não pode ajudar aliados, por sofrer rejeição no Nordeste e no restante do país, pode prejudicar. O que Temer fez ontem deu fôlego ao palanque de Armando – que tem ao seu lado três ex-ministros e o vice-líder do governo federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB), que vai acumular a liderança até o final do recesso. O presidente chamou Paulo de “gentilíssimo” e mencionou a questão da segurança estadual, ao frisar que o socialista sempre lhe agradecia quando a União enviava as Forças Armadas para Pernambuco para manter “a lei e a ordem. “Você lembra do episódio do impeachment, quando os deputados ligados a ele votaram pelo impeachment sem que eu fizesse qualquer pedido”, destacou o presidente nas ondas do rádio para depois continuar. “Você sabe que eu tenho estrada política e concepções para compreender o governador. Ele está num período eleitoral, precisa ter em quem bater”, frisou.  

Temer disse ter uma relação de oito páginas com obras que fez em Pernambuco, citou recursos que enviou à Adutora do Agreste, a repactuação da dívida dos estados com a União, a entrega de cinco navios do estaleiro, entre outros pontos. “Vamos compreender o governador, ele está em campanha eleitoral, ele me apoiou em todo o período desde a questão do afastamento da ex-presidente. Você verá que, logo depois da eleição, ele se pacifica”, alfinetou Temer, ao que o governador reagiu.  

Segundo Paulo Câmara, o presidente veio a Pernambuco algumas vezes, se prontificou a ajudar o estado e não cumpriu a palavra. Paulo lembrou que o presidente esteve no estado durante o período das últimas enchentes, em 2017, e ignorou as demandas da população. Frisou que o emedebista prometeu dar incentivo à Fiat, que está investindo R$ 7 bilhões em Pernambuco, e não o fez. Lembrou que Temer se comprometeu em dar autonomia ao Porto de Suape, mas retaliou o governo estadual porque o PSB se posicionou contra a reforma trabalhista. Paulo declarou que, sempre que precisava de recursos, de forma mais urgente, precisava se articular com todos os governadores do Nordeste.  “É um presidente que, infelizmente, não olhou a região, não olhou Pernambuco, e não teve compromisso conosco. Por isso que apoiamos Lula e a nossa oposição que tem três ministros de Temer e agora tem o líder do governo Temer e eles têm que falar sobre essa questão”. Paulo ressaltou que, em 2018, não chegou “um real” para a Adutora do Agreste, de forma que a obra está sendo tocada sem apoio da União. 


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