ELEIÇÕES 2018 Na vidraça do primeiro debate Governador Paulo Câmara virou alvo principal dos adversários no encontro de ontem na Rádio Jornal, onde quatro candidatos ficaram lado a lado

Por: Aline Moura - Diario de Pernambuco

Por: Jailson da Paz

Publicado em: 29/08/2018 07:38 Atualizado em:

Rands, Paulo, Dani e Armando apresentaram suas principais propostas ontem. Foto: Peu Ricardo/DP
Rands, Paulo, Dani e Armando apresentaram suas principais propostas ontem. Foto: Peu Ricardo/DP
Candidato à reeleição, o governador Paulo Câmara (PSB) virou alvo dos principais adversários políticos, ontem, no primeiro debate realizado por uma emissora de comunicação do estado. A saúde e a segurança pública estiveram no centro do confronto, ora os candidatos criticavam a gestão socialista nessas áreas, ora faziam propostas para melhorá-las. Estiveram presentes, como convidados, o governador, o senador Armando Monteiro Neto (PTB), o ex-deputado federal Maurício Rands (PROS), e a advogada e historiadora Dani Portela (PSol). “Todas as minhas promessas de 2014 são válidas, são necessárias”, disse o governador, ao reagir às críticas dos concorrentes, que o acusaram de não concluir obras prometidas na eleição passada. O encontro foi transmitido pela Rádio Jornal.  

O ex-deputado federal Maurício Rands procurou quebrar a polarização entre Paulo e Armando, fez críticas a ambos e se colocou como candidato de esquerda da disputa. O ex-parlamentar, no entanto, estreou o embate com Paulo, ao perguntar porque ele não conseguiu concluir os quatro hospitais prometidos para o interior do estado: um deles o Hospital da Mulher, em Petrolina, no Sertão do São Francisco, principal reduto da família Coelho. Paulo justificou que parte das obras da campanha passada não puderam ser cumpridas porque sofreu boicote do governo federal e dos ministros que hoje estão no palanque de Armando. O governador disse que, a partir do próximo ano, quando o ex-presidente Lula voltar a governar o país, terá mais apoio.  

“Nos últimos anos, mesmo diante da crise, fomos muito eficientes, fizemos mais consultas, mais cirurgias e tivemos menor taxa de mortalidade infantil. Estamos fazendo muito mais com muito menos”, argumentou, para depois ser contestado por Maurício.  “No meu governo, não vou fazer promessas que não possa cumprir. A saúde está um caos e, no meu governo, isso vai mudar”, declarou Rands.

Armando e Dani Portela, adversários no campo político, evitaram o embate direto e priorizaram críticas ao gestor atual, levantando questões da segurança pública de forma estadualizada. “Pernambuco está inseguro para viver. A gente tem 12 anos de gestão do PSB, tem um Pacto pela Vida e a gente tem que se perguntar: esse pacto foi feito pela vida de quem? Eu sou mulher e digo: está muito inseguro. O Pacto pela Vida funcionou enquanto gerava números e Pernambuco hoje volta a entrar no ranking da violência. Nossa juventude pobre, negra e periférica continua lotando os presídios e morrendo”, declarou Dani.

Para o senador, Paulo Câmara tem a tendência de “terceirizar” as responsabilidades de sua gestão. O parlamentar disse que o pacto funcionou na gestão de Eduardo Campos (PSB), mas retrocedeu.  “No nosso governo, vamos dizer aos bandidos que eles não vão ter vida fácil.  Vamos recuperar a autoridade do governo nas ruas, levar paz e tranquilidade para a população”, disse. Ele também fez críticas ao modelo de Parcerias Público Privada da gestão socialista e lembrou que, da forma que foi feita, atrasou a inauguração do presídio em Itaquitinga e não funcionou. Armando prometeu criar minipresídios municipais, a partir de um diálogo com prefeitos. Paulo justificou: “Não temos acesso a crédito por pura perseguição,  mas nós estamos dando conta do recado aqui sim”.

O nome da esquerda

Rands apresentou-se no debate como o candidato de oposição “à esquerda”, colocando-se num contraponto à candidatura de Armando. Ele enfatizou a imagem de articulador político, lembrando que tinha sido advogado de sindicatos de trabalhadores, líder do governo Lula e ex-secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA). Rands perguntou a Armando como ele analisava a atuação dos ex-ministros Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), aproveitando, na réplica, para rotular como “conservador” o palanque dele e de Paulo. Para Rands, nenhum dos dois representa valores de Lula, candidato que ambos defendem. “Vamos respeitar o eleitor.  Tanto o senhor como Paulo ficam tentando pegar carona na popularidade de Lula e montam palanques conservadores, com essas contradições todas”, declarou. 
 
Mulher na prioridade

Dani Portela colocou o combate à violência contra a mulher como prioridade de um governo do PSol em Pernambuco. Para enfrentar a questão, na qual ela atua há mais de uma década, Dani diz ser necessário agir em duas frentes. Uma seria a ampliação da rede de delegacias especializadas para atender os casos. A outra investir em políticas que integrem as diversas áreas do poder público. “A mulher, empoderada com o acesso ao trabalho, à saúde e à educação, tende a sofrer menos violência doméstica”, pontuou a candidata, advogada e envolvida no processo de implantação da Lei Maria da Penha, vigente desde 2006, no estado. Dani destacou que, embora geralmente seja lembrada no campo da punição, esta lei prevê ações no campo da prevenção da violência, devendo-se investir nisto.
 
Eficiência da gestão

Paulo apostou no tema da eficiência da gestão do estado. Por mais de uma vez no debate, o socialista citou o estudo do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Insper), divulgado neste mês e que coloca Pernambuco no quarto lugar entre as 26 unidades da Federação que melhor empregaram a receita em áreas básicas ou previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. A eficiência da gestão, segundo o candidato, foi importante para enfrentar a crise econômica atual e o tratamento da União ao estado. “Tivemos que fazer mais com menos”, disse. Paulo afirmou que Pernambuco vem sendo perseguido pelo governo Michel Temer e pelos aliados do presidente. Entre os gestos contrários a Pernambuco estaria o processo de estadualização do Complexo de Suape, prometido e suspenso pela gestão federal.



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