Carnaval 2019 Encontros de afoxés e nações de maracatu encerram ciclo das prévias no Recife O Ubuntu fará lavagem simbólica do Marco Zero, enquanto o Tumaraca reunirá 700 batuqueiros e nomes como Cordel do Fogo Encantado

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 28/02/2019 11:51 Atualizado em:

Tumaraca - Encontro de Maracatus. Foto: Bruno Campos/PCR
Tumaraca - Encontro de Maracatus. Foto: Bruno Campos/PCR

O Bairro do Recife receberá hoje duas festividades ligadas a religiões de matrizes africanas, encerrando o calendário das prévias carnavalescas da capital. A programação começa ainda no período da manhã com o Ubuntu - Uma consagração ao povo negro, que reunirá grupos do afoxé para uma lavagem simbólica do Marco Zero, que será à tarde. À noite, o palco do mesmo local recebe o Tumaraca - Encontro de nações, que reúne 12 agremiações de maracatu de baque virado (quase 700 batuqueiros), com participações da banda Cordel do Fogo Encantado, Coral Voz Nagô, Orquestra Criança Cidadã e do grupo Daruê Malungo.

Os grupos de afoxé, manifestação oriunda do candomblé, chegam ao Centro da cidade por volta das 10h. Eles se reúnem no Pátio de São Pedro, em Santo Antônio, onde vão preparar o amaci (banho com ervas), que consiste em água misturada com a ewé (folhas sagradas). De acordo com as tradições dos cultos de influência nagô, esse líquido constitui um elemento fundamental na “gênese da vida”. O preparo feito por babalorixás e ialorixás evoca fertilidade, manutenção, renovação e, principalmente, a purificação.

O cortejo do Ubuntu começa às 16h, com 24 grupos que saem da Rua Mariz e Barros rumo ao Marco Zero, no Bairro do Recife, abrindo caminho para foliões e evocando bênçãos. Com a chegada, há a lavagem do ponto 0 km da cidade sob os batuques dos 20 afoxés que sobem a rampa do palco com a missão de entoar os cânticos para os orixás com a mensagem de paz e amor. O projeto foi idealizado e proposto pela iabassê Dona Carmem Virgínia, do afoxé Ogbon Oba e do Altar Cozinha Ancestral, e outros integrantes da União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE).

Neste ano, os homenageados serão o babalorixá Genivaldo Barbosa e Sandra Guerra, atuantes no Afoxé Alafin Oyó desde os primeiros anos. Nele, realizaram três discos e três espetáculos musicais em teatro: Ya ominibu, Deusa da beleza e Negras evocações. Também criaram o Afoxé Oxum Pandá, que deu origem a outros afoxés expressivos, como Oyá Tokolê Owo, Omi Sabá e Omo Nilê Ogunjá.

MARACATU
Após o pôr do sol, às 18h, o palco montado no Marco Zero sedia o Tumaraca, evento criado para reunir as nações de maracatu depois que o cortejo da manifestação saiu da abertura do carnaval - uma consequência da morte de Naná Vasconcelos, em 2016. “Continuamos fazendo justamente para dar continuidade a esse legado de Naná”, diz Mestre Joana, responsável pela Nação Encanto do Pina. “É uma verdadeira união das nações. Todos ficam em um só baque, em uma só nação. Um momento muito importante na história dos maracatus.”

O evento começa com uma clarinada, que soa para convocar os 700 batuqueiros que partem da Rua da Moeda em direção ao palco. O espetáculo com os 12 mestres começa às 18h50. Eles farão uma autorregência e receberão nomes como Cordel do Fogo Encantado, que entoará junto com os batuqueiros as canções Preta, Boi luzeiro, Chover e Pedrinha.

“Essas são as canções do Cordel que mais se encaixam nos ritmos de maracatu de baque virado. A ideia é conseguirmos o máximo de convergência entre todos os grupos, respeitando cada mestre e nos adequando a eles”, conta Clayton Barros, violonista da banda. “Recebemos o convite com muito carinho e o desafio com muita alegria, pois além do axé de cada maracatu com seu rei, rainha, calunga, mestre e batuqueiros, existe a forte e eterna energia de Naná Vasconcelos.”

Mestre Joana, a única mulher a ser mestre de uma nação de maracatu de baque virado, acredita que a comunidade atualmente está com um diálogo mais amplo com o poder público. “Eles estão se esforçando o tempo todo, tentando acertar. Existe um diálogo agora, mesmo que não seja 100%, mas caminhamos para ajustes bem positivos”, finaliza. No Recife, o maracatu também tem destaque na Noite dos Tambores Silenciosos, no Pátio do Terço. No domingo de carnaval, as nações voltam a se encontrar para um desfile na Avenida do Carmo, a partir das 21h.


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