Prêmiação Veja os favoritos ao Globo de Ouro, que será entregue neste domingo

Publicado em: 06/01/2019 09:49 Atualizado em:

Começa o ano novo e, com ele, o período das cerimônias de premiações da televisão e do cinema. Como de costume, o Globo de Ouro dá o pontapé, com cerimônia hoje, para essa etapa em que os melhores do audiovisual em seus diferentes formatos (televisivo e cinematográfico) são celebrados. Mas o mês ainda guarda as celebrações do Critics’ Choice Awards, concedido pela organização de críticos de cinema dos EUA, em 13 de janeiro; o Screen Actors Guild Awards, principal termômetro do Oscar por ter o voto do sindicato formado por atores, jornalistas e profissionais da mídia, em 27 de janeiro; além da divulgação dos indicados ao Oscar, em 22 de janeiro (a premiação será apenas em 24 de fevereiro).

Marcada para hoje, a partir das 22h, com transmissão simultânea no Brasil pelo canal TNT, a 76ª edição do Globo de Ouro promete grande expectativa, já que filmes cotados para o Oscar estão entre os indicados e, na televisão, o prêmio surpreendeu em algumas categorias, como melhor série dramática.

Mostrando a força da televisão no Globo de Ouro, a premiação será comandada por dois nomes de destaque do formato: os atores Andy Samberg, protagonista da comédia (quase cancelada) Brooklyn nine-nine, e Sandra Oh, que fez parte do elenco de Grey’s anatomy e esteve à frente da série Killing Eve, uma das indicadas do Globo de Ouro.

Televisão

Concedida pelos profissionais da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, a premiação ousou, de certa forma, nas categorias televisivas e listou como melhor série dramática quatro tramas novatas — Bodyguard, Homecoming (protagonizada por Julia Roberts), Killing Eve e Pose (de Ryan Murphy) — e apenas uma antiga — a série The americans, que exibiu a última temporada em 2018.

Por ter uma lista diferente do Emmy, o resultado pode surpreender. The americans, sobre um casal de espiões no subúrbio de Washington, aparece como favorita, já que é a última chance de levar o Globo de Ouro. Porém, Killing Eve, que retrata a perseguição a uma assassina psicopata, e Pose, produção sobre a comunidade LGBT nos anos 1980 em Nova York, foram bastante celebradas pela crítica, têm chance.

Na categoria melhor série cômica ou musical, o prêmio deve ficar na obviedade e ir para The marvelous Mrs. Maisel, produção com um humor inteligente da mesma criadora de Gilmore girls, Amy Sherman-Palladino, que acompanha uma mulher no fim dos anos 1950 largando a vida de dona de casa para virar comediante de stand-up. Caso o prêmio não vá para a série da Amazon, a briga deve ficar entre Barry, da HBO, sobre um assassino de aluguel que cansa da profissão e começa a encontrar felicidade na vida de ator, e O método Kominsky, da Netflix, trama sobre um ator que vira um respeitado professor de Hollywood com Michael Douglas no elenco.

Quando se fala em premiações individuais, os favoritos vão se desenhando. Em melhor atriz de série dramática, há a expectativa de Elisabeth Moss ser premiada mais uma vez por The handmaid’s tale, mas ela tem a concorrência da apresentadora Sandra Oh (Killing Eve), além de Keri Russel (The americans). Entre os atores, o caminho deve ser mais fácil e natural para Matthew Rhys (The americans). Nas categorias de comédia, o prêmio deve ir para Rachel Brosnahan (The marvelous Mrs. Maisel) e Bill Hader (Barry).

O caminho deve ficar tortuoso na categoria de melhor atriz em minissérie e telefilme. A briga deve ser grande entre Laura Dern (The tale), Amy Adams (Objetos cortantes), Regina King (Seven seconds) — que foi premiada no Emmy —, Connie Britton (Dirty John) e Patricia Arquette (Escape at Dannemora). O prêmio deve ficar com entre Amy Adams e Laura Dern. Entre os homens, apesar de grande nomes na disputa, Darren Criss deve se sagrar vitorioso após dar vida ao homicida de O assassinato de Gianni Versace: American crime story.

Sétima arte, para além da telona?

Já chegando à 76ª realização, o Globo de Ouro, ainda que desacreditado por margem de cinéfilos, segue sendo o bom e velho termômetro para boa parte das futuras indicações do Oscar. Surpresa mesmo seria, para além da porta aberta na coroação de produtos genuinamente criados para a rede de streaming (caso do provável vitorioso Roma, da Netflix), a premiação de uma aventura exitosa na bilheteria como Pantera Negra ou o efeito bombástico em agraciar o tom ferrenho contra racismo ecoado pelo excelente Infiltrado na Klan assinado por Spike Lee. Menos de 100 membros da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood decidiram os votos dos prêmios a serem entregues.

Com corpo de jurados multicultural, a representatividade dos premiados tende a ser alargada. Daí, o diretor e ativista Spike Lee, injustiçado pelo Globo de Ouro (com apenas duas indicações por Faça a coisa certa, ainda no começo dos anos de 1990), ter lá sua chance. A acirrada concorrência será com os diretores Alfonso Cuarón (vitorioso por Gravidade, em 2014), à frente de Roma, e Bradley Cooper (de Nasce uma estrela, o virtual vitorioso da categoria de melhor drama), mais cotado para vencer como ator, na terceira indicação à categoria. Contra o ator Cooper, só mesmo Rami Malek, magnético, na performance de Bohemian Rapsody.

Ainda no âmbito da música (categoria que aponta para a vitória de Shallow), Nasce uma estrela deve dar a oportunidade para Lady Gaga, latente melhor atriz. Há três anos, ela ganhou (pela minissérie American Horror Story: Hotel) e crava a quarta indicação no Globo de Ouro. No páreo de atriz, estão Glenn Close (de A esposa), com potencial, na 15ª indicação, e Melissa McCarthy, agora dramática em Poderia me perdoar?, filme que recupera a imagem da nada confiável Lee Israel,escritora alcoólatra, imobilizada pela falta de traquejo social.

Poderia me perdoar? promete ainda fazer justiça à carreira do coadjuvante Richard E. Grant (ator de filmes de Jane Campion, Martin Scorsese e Robert Altman), na primeira indicação ao Globo de Ouro, na pele de um magnético falsário.

Francos destaques

Num caso similar ao do brilho das animações Os Incríveis 2 e Homem-Aranha no Aranhaverso, cotadíssimos para prêmio, três longas entram na competição para chamar a atenção: Se a rua Beale falasse (de Barry Jenkins, o mesmo por trás do fenômeno Moonlight), e a dupla que disputará, cabeça a cabeça as categorias de roteiro e de melhor comédia — Green Book: O guia e A favorita.

Uma prisão injusta motivada por racismo dá o mote de Se a rua Beale falasse, no qual a coadjuvante Regina King (franca favorita) se vê desesperada diante da condição da filha grávida e do genro encarcerado. Filha de uma professora e de um eletricista, na vida real, King (vista em Jerry Maguire e Ray), que venceu por três vezes o Emmy, concorre ainda pela minissérie Seven seconds.

Green Book — filme em que o diretor Peter Farrelly galga novo patamar, passada a investida em comédias como Debi & Lóide e Quem vai ficar com Mary? — trata de um caso real de amizade entre o pianista negro Don Shirley (o coadjuvante de peso Mahershala Ali) e o motorista ítalo-americano Tony Lip (Viggo Mortensen), num ambiente ainda segregacionista. Mortensen, na categoria de melhor ator de comédia ou musical, é o único com reais chances de desbancar o favoritismo de Christian Bale (na quarta indicação ao Globo de Ouro), o maior destaque de Vice, fita em que encarna o ex-vice-presidente americano Dick Cheney.

Igualmente atrelado ao poder está o mote da comédia A favorita (do grego Yorgos Lánthimos), filme capaz de render multiplicação de indicações para as atrizes Olivia Colman (a rainha Elizabeth II da série The crown), que já venceu o Globo de Ouro, há dois anos, por O gerente da noite, e para as coadjuvantes Emma Stone (na quinta indicação) e Rachel Weisz, que chega à terceira possibilidade de prêmio.

Vencedora da Taça Volpi de atriz (em Veneza), pelo papel da rainha Anne, a inglesa Colman é dada como a barbada para o Globo de Ouro em que compete pelo retrato de uma mulher mantida, por cinco anos no poder, mas nada estudada nos bancos escolares. Contra Colman, só mesmo Emily Blunt tem chances, depois de, ao longo de 12 anos, acumular seis indicações e um prêmio no Globo de Ouro.

Hoje à noite, ela compete pelo protagonismo no musical O retorno de Mary Poppins. Mesmo perdendo, Blunt tem o mérito, na telona, da terceira parceria com a diva Meryl Streep, contabilizados O diabo veste Prada e Caminhos da floresta.


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