COBERTURA Festival Red Bull Amaphiko une cultura e criatividade pela primeira vez na periferia de São Paulo Ideia é expandir o projeto para outras regiões do Brasil

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 19/12/2018 15:14 Atualizado em:

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool


São Paulo - No último fim de semana, o distrito de Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, foi palco para a terceira edição do Festival Red Bull Amaphiko. Com uma vasta programação de oficinas, performances, painéis, rodas de conversa, exibição de filme, exposições, shows, intervenções e feira, essa foi a primeira vez que o evento foi realizado fora do Red Bull Station, no centro da cidade. Neste ano, a proposta do festival focou na criatividade das pessoas da comunidade do Grajaú. "Dessa vez, a gente tentou inovar em alguns pontos, sair do centro da cidade e ir para um bairro de periferia. O Grajaú é um dos bairros mais representativos em termo de população, um dos distritos mais populosos de São Paulo e com muitas potências culturais, sociais, coletivos de arte e ativismo fazendo trabalhos muito bons", diz Diego Amazonas, um dos curadores do festival. 

Segundo ele, o processo de escolha dos participantes foi feito junto com coletivos da região. "Eles mesmo propuseram as atividades, os convidados que a gente podia ajudá-los a trazer... Então, foi pensado de forma mais coletiva e bem mais local, com contexto mais de fortalecer essas atividades, fomentando as ações que já acontecem aqui e conectar com outras potências de fora, que poderiam somar também", completa. 

Capoeira Semente do Jogo de Angola. Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool
Capoeira Semente do Jogo de Angola. Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool

Um dos coletivos participantes foi o grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola, da Bahia. Eles foram responsáveis pela abertura do festival, no sábado (15). "A nossa preocupação é a forma como a capoeira está difundida aí fora, a nossa batalha é tentar levar para as essas pessoas uma noção de capoeira que dissolva os mitos e essas distorções que se criaram. Então, trazer nosso trabalho para essas pessoas que não necessariamente tem esse contato com a capoeira é uma forma de mostrar esse outro lado também. Poder mostrar essa bateria, esse canto, são formas de dizer que existe uma coisa aqui e as pessoas que queiram podem se aprofundar e correr atrás. Festivais como esse possibilitam essa vivência, essa troca", aponta Alan Amaro dos Santos, contramestre do grupo Semente. 

Grupo Abebé. Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool
Grupo Abebé. Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool

Durante todo o festival, a exposição O Poder do Feminino, do grupo Abebé, esteve disponível no saguão do Centro Cultural. O grupo que idealizou a mostra é um dos principais curadores do Amaphiko, liderando oficinas que abordaram constelação familiar, saberes ancestrais e o autoconhecimento. "A exposição que estamos apresentando foi feita ano passado, com fotos de Kelton Campos. A gente escolheu três mulheres negras para falar como a afetividade e os conflitos são presentes em todos os corpos, mas na mulher negra esses sentimentos são muitos intensos e explícitos e isso muitas vezes é visto com maus olhos. O trabalho contou com uma equipe multiétnica, negros, indígenas, afro-indígenas para construir isso de várias frentes e não apenas de um olhar", explica Charles Borges, um dos fundadores do Abebé. 

Flora Bitancourt. Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool
Flora Bitancourt. Foto: Fabio Piva/Red Bull Content Pool

No domingo (16), um dos destaques foi a participação da dançarina Flora Bitancourt. Ela é responsável pelo instituto Movimentarte, que trabalha com dança para jovens com síndrome de down. "Eu toco alguns projetos relacionados à dança, desenvolvimento humano e autoconhecimento através do corpo. Na minha ONG, fazemos consultoria de impacto social, trazendo um pouco desse autoconhecimento para a gente ver como pode fazer a diferença no mundo e como o corpo acessa as nossas histórias de vida, para que a gente possa ser mais verdadeiro com nossos sentimentos", conta Flora. O encerramento do Festival Red Bull Amaphiko, em Grajaú, contou com show da cantora Lei di Dai, na festa Jah!spora, que explora ritmos, como dancehall, hip-hop, funk e afrobeat. 

Repórter viajou a convite da Red Bull.

Lei di Dai. Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Lei di Dai. Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool


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