Música Com pitadas de reggae, rock e manguebeat, Elba Ramalho lança 38º álbum da carreira A terra, o Nordeste, o amor e as preocupações com o mundo estão presentes ao longo das 13 faixas do projeto de Ouro do Pó da Estrada

Por: Estado de Minas

Publicado em: 17/12/2018 08:31 Atualizado em: 17/12/2018 08:56


Elba Ramalho mostra a obra de autores contemporâneos como Marcelo Jeneci e Chico César, em Oxente, José, de Siba, além do estreante no ramo, o ator George Sauma. Foto: Elba Ramalho/Divulgação
Elba Ramalho mostra a obra de autores contemporâneos como Marcelo Jeneci e Chico César, em Oxente, José, de Siba, além do estreante no ramo, o ator George Sauma. Foto: Elba Ramalho/Divulgação


“Vamos pisar no chão!” É assim que Elba Ramalho abre a conversa com a reportagem. A frase não deixa de sintetizar o espírito do seu mais recente álbum, O ouro do pó da estrada, o 38º de seus 40 anos de carreira, disponível em todas as plataformas digitais. O disco físico chega às lojas em janeiro pela gravadora Deck. A terra, o Nordeste, o amor, as preocupações com o mundo estão presentes ao longo das 13 faixas do projeto que tem produção e arranjos de Yuri e Tostão Queiroga, também responsáveis por Qual o assunto que mais lhe interessa? (2007). “O repertório tem muita força e muito a ver comigo. Fala do chão, das raízes. Quanto mais regional a gente é, mais universal nos tornamos”, afirma.

A canção de abertura, a potente Calcanhar, de Yuri e Manuca Bandini, mescla suingue, rock, uma pitada de manguebeat e conta com texto incidental do poeta Bráulio Tavares. Foi a escolhida para o lançamento do videoclipe. “Ela já é uma pancada. Mostra a que veio”, diz. A paraibana faz dueto com Ney Matogrosso em O girassol da caverna (do cantor, compositor e poeta pernambucano Lula Queiroga, tio de Yuri). Em O mundo (André Abujamra), convidou as cantoras e amigas Maria Gadú, a conterrânea Lucy Alves e Roberta Sá.

“As meninas são minhas parceiras. Queria comemorar e fazer este disco com pessoas que admiro e estão na estrada comigo”, conta. Apesar de ser de 1995, a composição não deixa de ser um retrato dos tempos de hoje (O mundo caquinho de vidro / tá cego do olho, tá surdo do ouvido / O mundo tá muito doente / O homem que mata, o homem que mente / Todos somos filhos de Deus / Só não falamos as mesmas línguas). “É sim uma visão da realidade. Várias dessas músicas são atemporais e sobrevivem a todos os tempos e ocupam todos os espaços”, acredita.

Elba Ramalho mostra a obra de autores contemporâneos como Marcelo Jeneci e Chico César, em Oxente, José, de Siba, além do estreante no ramo, o ator George Sauma. É dele a delicada Se não tiver amor, abertura de Pais de primeira, seriado que protagoniza na Globo aos domingos. “Temos algumas revelações em termos de composição como o próprio George. Achei a música dele linda. E tem também Areia, do Juliano Holanda, que é um compositor de Pernambuco maravilhoso”, elogia.

Foto: Elba Ramalho/Divulgação
Foto: Elba Ramalho/Divulgação


Regravações ganharam nova roupagem. Girassol, sucesso com o grupo Cidade Negra, se transformou em uma espécie de reggae. Elba também resgata o cancioneiro de grandes nomes da música brasileira. Dominguinhos e Fausto Nilo, em Além da última estrela; Luiz Gonzaga e Nelson Valença, em O fole roncou; e Belchior, em Princesa do meu lugar.

Mesmo com tantas preciosidades, Elba optou pela faixa O ouro no pó da estrada, parceria de Yuri e Lula Queiroga, para batizar o projeto. “A música é, sem dúvida, umas das mais belas do disco. O Yuri é um ‘menino’ de 30 anos que tem talento para produzir e para compor. Isso já vem de berço porque ele é filho do Maestro Spok e da Nena Queiroga, uma grande cantora de frevo.”

Na canção que dá nome ao álbum, Elba canta: “Minha janela é o mundo”, “o trem da vida apitou chamando” ou “prometo que um dia eu volto, mas eu vou sozinho”, Para ela, os versos resumem de maneira poética a rotina dos artistas. “Fala muito da nossa relação com a arte. A nossa vida é na estrada e muito solitária, apesar de ter equipe, produção e, banda. E a gente sempre está indo para algum lugar como diz a composição, que é lindíssima”, diz. A própria capa – com direção de arte de Mana Bernardes – traz essa atmosfera de levantar a poeira e pôr o pé na estrada com Elba no meio de um caminho trajando um vestido em que, literalmente, carrega as músicas no corpo.

A cantora se diz extremamente feliz com o resultado final e afirma que o disco revela um Brasil que ela queria mostrar, de qualidade e com o pé no chão. “O ouro no pó da estrada tem muito da nossa cultura. Poder explorar isso foi maravilhoso. Tudo foi muito caprichado e te digo que cantar essas faixas não foi fácil. Mas ficou um trabalho primoroso e vamos com tudo para a turnê que começa em fevereiro, em São Paulo”, avisa.


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