fotografia Exposição fotográfica aborda o universo fluvial no Museu Murillo La Greca O lugar escolhido para a realização da pesquisa foi o Estuário do Rio Formoso, em Tamandaré

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 08/12/2018 08:00 Atualizado em:

A exposição irá contar com cerca de cem fotografias. Foto: Hassan Santos/Divulgação
A exposição irá contar com cerca de cem fotografias. Foto: Hassan Santos/Divulgação

"Os rios são fontes de vida. Por que não cuidamos deles como deveríamos?". Essa é a mensagem principal da pesquisa Glossário Fluvial, que explora, através de fotografias, rios e os termos técnicos e científicos que se relacionam com o universo fluvial. O objetivo do projeto é sensibilizar a população para o tema dos rios, das águas, gerar reflexões, questionamentos e provocar atitudes positivas relacionadas ao meio ambiente. Assinado pelo fotógrafo e ilustrador Hassan Santos, o trabalho ficará em exposição da próxima terça-feira (11) até o dia 16 de fevereiro de 2019, no Museu Murillo La Greca, no bairro do Parnamirim. A abertura, no entanto, já acontece neste sábado (08), das 15h às 21h, no mesmo local. 

O lugar escolhido para a realização da pesquisa foi o Estuário do Rio Formoso, em Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco, que faz parte da APA (Área de Proteção Ambiental) de Guadalupe, formada pelos rios litorâneos Lemenho, dos Passos, Ariquindá e Formoso. Segundo a curadora e arquiteta Lucia Padilha, a ideia do projeto surgiu da vontade de mergulhar no universo dos rios e de tentar entender o motivo dessa fonte vital para nossa sobrevivência ser esquecida e maltratada, principalmente nas grandes cidades. "Existe uma cultura de não saber valorizar os rios, de não saber cuidar e acreditar que a poluição de um rio não afeta nossas vidas e o ecossistema que nos cerca. E isso é grave. Muitas vezes, as cidades dão as costas para os rios", crava Padilha. "A cidade do Recife, por exemplo, conhecida como a 'Veneza brasileira', nem sempre volta o olhar com a atenção merecida para o rio Capibaribe. Ainda são poucas as iniciativas de educação ambiental nesse sentido", aponta. 

A exposição irá contar com cerca de cem fotografias. Algumas dessas imagens serão acompanhadas do recurso da audiodescrição, que beneficiará não só as pessoas com deficiência visual ou com dificuldade de aprendizagem, mas também contribuirá com a alfabetização visual de qualquer pessoa. "A audiodescrição irá funcionar como uma ferramenta adicional para a mediação com o público com deficiência visual, pois permitirá que o espectador possa receber a informação contida na imagem, possibilitando que desfrute da obra da mesma forma de alguém que enxerga. Além disso, o museu Murillo La Greca também possui instalações acessíveis para o público com deficiência física, através de rampas e banheiros acessíveis", finaliza a curadora.

Serviço
Abertura da exposição Glossário Fluvial
Quando: sábado (08), das 15h às 21h
Onde: Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcante, 366, Parnamirim)
Visitação: de 11/12 até 16/02/2019
Quanto: gratuito

Entrevista // Lucia Padilha, curadora e arquiteta

Como foi realizado o processo curatorial da exposição?
A princípio nos guiamos pelos termos técnicos que nomeiam as partes de um rio, como "nascente", "leito", "margem", "foz". Termos que encontramos em glossários oficiais, como do IBAMA, Agência Nacional das Águas (ANA), entre outros. A intenção inicial foi criar mais intimidade com os rios. Entretanto, durante o processo da pesquisa, ampliamos esses termos para tudo que se relaciona com o universo fluvial, como o ecossistema que o envolve, as comunidades ribeirinhas, a pesca, os meios de transporte, a poluição, entre outros. O recorte desses múltiplos olhares para o rio estará na exposição através das fotografias, dos vídeos e dos poemas.

Por que a escolha do Estuário do Rio Formoso, em Tamandaré, como cenário para as fotografias?
O estuário foi escolhido por contemplar diversos aspectos que nos interessavam na pesquisa. Formado por quatro rios litorâneos (Rio Formoso, Lemenho, dos Passos e Ariquindá), o estuário permite a navegação de diferentes tipos de embarcações, o que facilitou a realização da pesquisa e fez com que elegêssemos essa localização como recorte para nossa investigação. Além disso, o estuário reúne diversas situações interessantes para se observar. Por fazer parte da APA de Guadalupe, o estuário conserva boa parte de seu ecossistema preservado. Ao mesmo tempo, é possível encontrar situações de ocupações urbanas e de atividades do turismo que convivem com o estuário e que podem interferir em sua preservação. Nesse sentido, entendemos que o estuário pode representar as relações de convivência dos seres humanos com os rios, sendo um ponto de partida para o entendimento de qualquer rio e sua importância em nossas vidas.

A exposição também terá poemas de Lula Terra. Como se deu a participação dele nesse processo?
Foi a partir de uma conversa com Lula Terra que o projeto começou a ser pensado. A relação de Lula Terra com os rios vem do sertão até o litoral. Ele nasceu no sertão do Pajeú, onde a água é um bem precioso e o rio Pajeú é a principal fonte de vida da região. Além disso, durante anos, a praia dos Carneiros é a segunda casa dele, onde hoje ele tem uma pousada (Pousada Praia dos Carneiros). Sua preocupação com os rios e com a preservação do meio ambiente da região o fez criar, junto com outras pessoas, a Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Praia dos Carneiros (Adesc). Foi nesse sentido que Lula nos mostrou o quanto é importante olharmos com mais sensibilidade para os rios e saber cuidar melhor deles. Por ser poeta, sua participação também vem através dos poemas que fazem parte dessa exposição.

Quais ações serão desenvolvidas pelo Museu Murillo La Greca durante a exposição?
A principal intenção das ações educativas será tecer relações com o rio Capibaribe a partir da exposição Glossário Fluvial. No dia da abertura da mostra, será inaugurado um espaço nas margens do Capibaribe, bem em frente ao museu. E é nessa aproximação com o rio Capibaribe, que atravessa a cidade do Recife, que as ações educativas estão sendo pensadas: oficinas, rodas de conversa, mediação com escolas e com o público em geral. Existe também a intenção de navegar pelo rio Capibaribe a partir do novo píer do museu, incluída nas atividades educativas. Ao longo do período em que a exposição estiver aberta ao público, o educativo do museu irá divulgar essas ações em sua página das redes sociais. Além disso, para fevereiro está previsto o lançamento do catálogo do projeto Glossário Fluvial, ocasião para essas e outras ações educativas que farão parte do processo da exposição.


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