literatura Exposição Condenados à Vida celebra os 70 anos de Raimundo Carrero Mostra será realizada até o dia 16 de dezembro, no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE)

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 13/11/2018 12:01 Atualizado em:

Além de fotos, vídeos e da obra do autor, o público terá acesso a objetos do trato pessoal de Carrero. Foto: Bruna Monteiro Esp.DP/D.A Press
Além de fotos, vídeos e da obra do autor, o público terá acesso a objetos do trato pessoal de Carrero. Foto: Bruna Monteiro Esp.DP/D.A Press

Depois do Programa Carrero 70 anos, que celebrou ao longo de 2018 a trajetória do escritor pernambucano com homenagens, relançamento de obras e registros audiovisuais, a exposição comemorativa Condenados à vida - 70 anos de Raimundo Carrero será realizada de hoje a 16 de dezembro, na galeria Lula Cardoso Ayres, do Museu do Estado de Pernambuco (MEPE). A partir das 19h, a abertura da mostra vai contar com o relançamento da coletânea homônima, que reúne os romances Maçã Agreste (1989), O amor não tem bons sentimentos (2007), Somos pedras que se consomem (1995) e Tangolomango (2013). 

“É um livro em forma de exposição, ou seja, a obra do escritor disposta em pilares que sintetizam os elementos que considero os mais interessantes, ou os mais frequentes no seu trabalho: a paixão e o sofrimento humano, que podem ser vistos como sinônimos, mas que não são exatamente a mesma coisa. A fé, que está contida na paixão e no sofrimento, é central na vida e obra do autor. O quarto elemento ou o 'cavaleiro do apocalipse particular' dessa obra é a beleza”, diz o escritor Sidney Rocha, curador da exposição. 

Segundo o salgueirense Raimundo Carrero, essa leitura do curador parte de questionamentos profundos dos problemas da condição humana, presentes em suas obras. “Eu escrevo com a preocupação intensa de discutir as questões sociopolíticas do nosso país e, ao lado disso, faço questionamentos, como o que é o homem? O que ele faz? E o que significa o ser humano? Sidney Rocha identificou, dentro dos meus trabalhos, quatro movimentos, que são a beleza, a loucura, a paixão e a fé. A minha missão é fazer com que o desenvolvimento humano seja questionado a todo momento. Eu sou um escritor que vai direto ao assunto, diante da dor e da angústia do ser humano”, explica Raimundo Carrero, ao Viver

Além de fotos, vídeos e da obra do autor, o público terá acesso a objetos do trato pessoal de Carrero. Durante toda a programação, a mostra vai promover leituras e debates com acadêmicos e escritores, a exemplo de André Balaio, Cida Pedrosa, Lourival Holanda, Lula Arraes, Luzilá Gonçalves Ferreira, Samarone Lima e Wellington de Melo. Também haverá a tradicional oficina literária, conduzida pelo autor. “Eu dou aulas sobre a capacidade de criar e explico que o processo criativo ocupa três momentos. O inicial, que é mais o impulso. Depois, a intuição e a técnica utilizada. E, por último, o ritmo narrativo, que é quando o conto ou o romance alcança o seu melhor momento”, explica Carrero. 

Para efeito didático, o autor adota livros de escritores brasileiros, como Machado de Assis e Ariano Suassuna, e até algumas obras internacionais. “O aluno também é convidado a escrever contos ou pequenas novelas para, na sequência, debatermos palavra por palavra do processo criador e as qualidades de cada obra, sem deixar com que o escritor cumpra as suas próprias qualidades e sem que ele se submeta a uma outra que não seja a dele”, completa. Além dos eventos abertos ao público, a exposição terá uma programação voltada exclusivamente para escolas e universidades, públicas e privadas. 

Serviço
Exposição Condenados à vida - 70 anos de Raimundo Carrero 
Quando: de hoje (às 19h) a 16 de dezembro 
Onde: Museu do Estado de Pernambuco - MEPE (Avenida Rui Barbosa, 960, Graças, Recife) 
Quanto: gratuito


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.