zona norte Academia Pernambucana de Letras reabre museu Casarão de cultura e história está aberto para visitações para contar muitas das riquezas do estado

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 12/11/2018 08:43 Atualizado em: 12/11/2018 09:56

Quadros de Vicente do Rego Monteiro, obras dos acadêmicos da APL, piso com assinatura de Francisco Brennand e painéis do francês Eugène Lassailly são alguns dos destaques. Foto:  Foto: Marina Curcio/ESP. DP
Quadros de Vicente do Rego Monteiro, obras dos acadêmicos da APL, piso com assinatura de Francisco Brennand e painéis do francês Eugène Lassailly são alguns dos destaques. Foto: Foto: Marina Curcio/ESP. DP
O único casarão da Avenida Rui Barbosa tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) virou museu e abre as portas para o público hoje. O imóvel no número 1596, sede da Academia Pernambucana de Letras (APL) desde 1966, passou por uma minuciosa reforma e, depois de três anos de trabalho, ganhou nova função. Durante as visitas, às terças e quintas-feiras mediante agendamento, pernambucanos e turistas poderão ver quadros de Vicente do Rego Monteiro, obras de acadêmicos da APL, piso com a assinatura de Francisco Brennande painéis do pintor francês Eugène Lassailly.

As portas da casa onde morou o português João José Rodrigues Mendes, que viveu entre 1827 e 1893, serão abertas ao público hoje, às 19h. “O objetivo da reforma (iniciada em 2015) foi também dar um cunho social mais abrangente ao imóvel, ou seja, ser um lugar que não só guarda um acervo, mas que motive a população a se interessar por história e pela literatura”, diz a presidente da APL, Margarida Cantarelli, que está à frente do projeto desde janeiro de 2016. “Os próximos passos são investir na acessibilidade e abrir uma lojinha ou quem sabe até um café na torre”, afirma.

A torre, localizada no jardim do casarão, foi onde o barão Rodrigues Mendes se isolou após a morte da esposa, Eugênia Francisca da Costa. A abertura do museu coincide com a data do sepultamento do português, que foi enterrado em 12 de novembro de 1893, ou seja, há exatos 125 anos. O próspero comerciante de bacalhau comprou o imóvel, então um sítio, por volta de 1870. O casarão foi reformado por ele e ganhou os azulejos até hoje exibidos na fachada. Parte do mobiliário austríaco, o piso inglês e os lustres franceses da casa podem ser vistos por quem visitar o museu da APL. “Todo o acervo foi inventariado, uma das exigências para ganhar o status de museu”, explica a coordenadora geral do projeto, Jamille Barbosa.

Ao público, serão oferecidos três roteiros. Um para apresentar a academia, ou seja, contar a história da entidade e das obras dos acadêmicos. O segundo é uma memória da propriedade. “Vamos mostrar como vivia esta família, como eram os saraus da elite recifense e os costumes da época”, ressalta Jamille. O terceiro, no primeiro andar, exibe a coleção formada por iniciativa dos membros da APL, que reuniram peças diversas dos séculos 19 e 20 ao longo de mais de 100 anos. “São quadros, móveis e outras peças que remontam uma época”, pontua Margarida Cantarelli.

O projeto de implantação do Museu da APL foi executado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e resultou da elaboração de um plano museológico do solar. Foram criadas salas com diferentes funções. A Olegário Mariano traz acervo do político e diplomata conhecido como Poeta das Cigarras. A Sala dos Saraus/Galerias dos Presidentes faz uma reconstituição do espaço, com piano de cauda e violino, que servia para os encontros familiares na época. O local traz, ainda, uma galeria com pinturas dos ex-presidentes da APL. Na Sala das Letras estão exposta a cadeira usada pelo filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro Tobias Barreto.

Na visita guiada, o público terá acesso a um tablet, com informações sobre as cadeiras da entidade. Caso tenham interesse por algum autor, poderá consultar as obras no próprio acervo da APL, na Biblioteca Waldemar Lopes, onde são feitos os empréstimos de livros. “Nossa ideia é fazer com que o visitante se interessem pela literatura e passe a usar todos os espaços”, diz Cantarelli.

Serviço

Museu da Academia Pernambucana de Letras
Endereço: Avenida Rui Barbosa, 1596, Graças, Recife
Agendamento para visitações: (81) 3268-2211
Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia para estudantes, professores e idosos)
Dias de visitação: terças-feiras e quintas-feiras (mediante agendamento prévio por telefone)
Horário de funcionamento: das 9hàs 16h


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