música Disco traz compilação dos hits de Aretha Franklin Álbum tem músicas gravadas pela cantora entre 1967 e 1970

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 28/10/2018 08:25 Atualizado em:

Período de ouro da carreira de Aretha Franklin é revisitado no álbum The Atlantic singles collection. Foto: Saul Loeb/AFP
Período de ouro da carreira de Aretha Franklin é revisitado no álbum The Atlantic singles collection. Foto: Saul Loeb/AFP
Até o último dia de sua vida, 16 de agosto de 2018, a cantora norte-americana Aretha Franklin ficou marcada pelos grandes hits. Tudo começou com Respect, sucesso de 1965, que ganhou um relançamento dois anos depois para marcar a entrada da artista na Atlantic Records, famosa gravadora de jazz e R&B, onde ela já havia lançado I never loved a man the way I love you.
 
A passagem de Aretha Franklin pela gravadora de 1967 a 1979, inclusive, é apontada como a “era de ouro” da carreira de cantora. Foi nesse período que a compositora lançou os principais sucessos, como A natural woman (You make me feel like), Chain of fools, I say a little player e The thrill is gone.

Parte desse período foi resgatado e pode ser visto no álbum Aretha Franklin: The Atlantic singles collection 1967 —  1970, desde 29 de setembro disponibilizado nas plataformas digitais. Lançado pela Warner Music no Brasil, o material é composto por 34 faixas gravadas por Aretha nos três primeiros anos na Atlantic Records, muitas delas, com a própria artista no piano.

“Quando me mandaram a lista das músicas, achei que eram ótimas escolhas para representar esse período em que Aretha teve muitos hits. Muitas eram minhas favoritas e o que achei mais interessante é que há algumas músicas que representam um lado B de Aretha, que sempre foi mais conhecida pelos seus hits”, afirma o jornalista e historiador de soul music David Nathan em entrevista ao Correio.

Projeto
Fundador do site www.soulmusi.com, Nathan é um dos nomes envolvidos no projeto. A proximidade do profissional com Aretha fez com que ele ficasse responsável pelas anotações do encarte do álbum.  “Inicialmente, (tinha uma proximidade) como fã, depois, profissionalmente. Estive muitas vezes com Aretha em Los Angeles, eu a conhecia muito bem”, completa.

No encarte do material, David Nathan conta detalhes da trajetória musical de Aretha Franklin e compartilha um pouco do conhecimento sobre a artista com o público. Para ele, por exemplo, há uma série de razões que tornam a época de Aretha na gravadora a mais importante da carreira dela. “Ela foi a primeira mulher negra vocalista na Atlantic Records. Também a primeira mulher a trazer essa paixão e esse sentimento em sua voz. Músicas como Natural woman e Chains of fools a levaram a criar um grande público que se importava com ela. Ela não era uma artista de apenas um hit, sempre foi muito consistente”, lembra David Nathan.

Apesar de ser o primeiro álbum póstumo de Aretha, The Atlantic singles collection 1967 — 1970 começou a ser feito antes da morte da artista. Nathan recorda que em junho estava fazendo as anotações e naquela época nunca poderia imaginar que a artista morreria meses depois.

Aretha Franklin: The Atlantic singles collection 1967-1970
De Aretha Franklin. Warner Music, 34 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

Duas perguntas/ David Nathan

Como era a sua relação com a Aretha?
Tínhamos uma relação profissional que cresceu com o tempo. Eu a conhecia e ela me conhecia. Sempre a achei uma pessoa muito engraçada, com um bom senso de humor. Acho que a melhor forma de definir Aretha é como “uma mulher natural”. Lembro que uma vez, há muito tempo, ela disse que as pessoas a chamavam de rainha do soul, mas ela gostava de dizer que era uma mãe, uma irmã, uma filha. Então eu sempre a achei natural, engraçada, gostava muito dela. Ela sempre dividiu quem ela era.

Para você, qual é a importância e o legado deixado por Aretha na música?
Acho que a importância da Aretha era que a voz dela influenciou centenas de outras cantoras. Acho que ela foi a única cantora mulher negra a trazer esse soul e esse balanço para a música pop. Isso é parte do legado dela. E ela não era só uma cantora, era compositora, uma ótima musicista, tocava piano. Pouquíssimas cantoras na época dela tocavam piano. Ela era capaz de entregar algo diferente e complementado com o piano, que estão reunidos nessa coleção.


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