exposição Ilustrador holandês Ruben Ireland traz exposição Misericórdia ao Recife Com entrada gratuita, a mostra do ilustrador holandês de técnicas modernas fica em cartaz até o dia 27 de outubro, na Galeria UrbanArts

Por: Mabson Rodrigues - Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/10/2018 08:24 Atualizado em:

A nova exposição do ilustrador europeu tem como destaques personagens mágicos. Crédito: Ruben Ireland/Divulgação
A nova exposição do ilustrador europeu tem como destaques personagens mágicos. Crédito: Ruben Ireland/Divulgação

Cores, diversidade de tons, sensibilidade, leveza em formas e olhares expressivos. Uma mistura harmônica de elementos dá vida a Misericórdia, novo projeto do artista holandês, Ruben Ireland, que desembarcou no Recife. O atual trabalho do ilustrador dá ênfase a figuras oníricas, apresentando peças onde predominam a presença feminina e componentes da natureza. Com detalhes, contrastes e texturas inspirados em tatuagens e traços corporais, a exposição está em cartaz até o próximo sábado (27), na galeria UrbanArts, em Boa Viagem, com entrada gratuita. 

Com um estilo próprio e acentuado, a nova exposição do ilustrador europeu tem como destaques personagens mágicos, perspectivas urbanas singulares e componentes comuns, trabalhados com novos olhares e proporções. De acordo com o artista, que atualmente reside em Londres, as figuras em seus projetos representam força, fraqueza, malevolência, certeza, benevolência e ambiguidade.

“Eu sempre tentei mostrar as peças como uma divisão entre dicotomias extremas, em que me sinto um personagem. Como filosofia e modo de ver a vida cotidiana, é importante para mim que cada pessoa e elemento fluam interminavelmente entre os extremos e até a mediocridade, algo nos moldes do yin e yang”, afirmou Ruben.
“Há alguns animais em minha coleção, mas meus assuntos estão centrados em torno de figuras femininas. Eu acho que, como uma base visual fundamental, elas me permitem explorar uma ampla gama de filosofias, formas estilísticas e humores, permanecendo relacionáveis em um nível básico e bonito, para se pendurar”, destacou o ilustrador. 

Construído numa fusão de tons em colorido que se conectam com telas que ainda alternam texturas e também possuem predominantemente as cores preta, cinza e branca, as peças são uma clara inspiração à arte corporal, um dos emblemas do trabalho de Ruben. Essas composições estão bem enfatizadas em obras como Absentia e Absentia in white, Be mine, Space within e The silent wild. Segundo o artista, “nas figuras impera o lúdico da harmonia monocromática e de sombras e no novo exercício das cores que explodem em obras como Cardinal warrior, Every path, Girl with finches, Margot e My Kidnapper, itens nos quais as personagens ganham novas projeções aliadas a temas importantes sobre a sociedade. 

“Espero ter encontrado um bom equilíbrio entre texturas, cores e composições. Quero que as texturas sejam importantes o suficiente para cooperar com os tons e composições. Embora haja uma distinta falta de cor, um espectro ainda muito amplo para mim e infinitamente intimidante, eu considero um trabalho terminado quando sinto que consegui harmonia entre os elementos”, ressalta.

Surrealismo
Natural de Amsterdã, o profissional de 31 anos, traz em sua arte um suave toque de surrealismo e minimalismo. O artista mistura ilustração e fotomanipulação digital para criar gravuras e imagens de fundo negro. Diversas bases contribuem para seu processo criativo, como natureza selvagem, culturas distintas, mundos sombrios e universos líricos. “Posso ser velho e grisalho antes de decidir algo, mas estou feliz em continuar explorando as ideias visualmente em meus trabalhos daqui para frente. A permanência é fascinante para mim”, finalizou Ireland, animado com a visita a Pernambuco.


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