Televisão Demolidor: terceira temporada apresenta vilão clássico e revela trama empolgante Em exibição a partir desta sexta-feira, novo ano da série mantém a qualidade da produção

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 19/10/2018 09:35 Atualizado em: 19/10/2018 09:35

Novo ano mostra Matt Murdock em dúvida sobre continuar jornada como Demolidor. Foto: Netflix/Divulgação
Novo ano mostra Matt Murdock em dúvida sobre continuar jornada como Demolidor. Foto: Netflix/Divulgação

Nova York – Nos quadrinhos, Demolidor é dos heróis mais cercado de tragédias na Marvel. Fica cedo na infância durante o acidente que lhe confere habilidades, já teve a identidade secreta descoberta pelos principais inimigos, perdeu para o crime pai, amigos e amores etc. Esses aspectos dramáticos foram bem transpostos para a televisão nas duas primeiras temporadas da série do herói feita pela Netflix e parecem ter sido amplificados na nova leva de episódios da atração, que estreia nesta sexta-feira.

A Netflix liberou para a imprensa os seis episódios iniciais da terceira temporada, que tem um novo showrunner, Erik Oleson (Arrow, The man in the high castle). A despeito da mudança, tudo que é característico da série foi mantido: fotografia escura, boas cenas de ação, personagens bem desenvolvidos etc. O que fica evidenciada é a intenção de abalar um pouco mais o já cambaleante emocional do protagonista, o advogado cego Matt Murdock (Charlie Cox).

"Eu quis que, dessa vez, os rumos fosse mais imprevisíveis, que Matt perdesse algumas lutas", comentou Oleson durante painel sobre a série na Nova York Comic Com, no dia 6 de outubro. O showrunner também assegura que equipe trabalhou duro para manter a qualidade das sequências de ação da série, até agora a que melhor se saiu nesse campo entre as produções da Netflix em parceria com a Marvel.

De fato, os primeiros episódios da terceira temporada seguem com lutas bem coreografadas e uso de planos-sequências interessantes. O quarto episódio, em particular, traz aquela que pode ser considerada, até agora, a mais competente cena de ação do programa. Com cerca de dez minutos, a sequência coloca Matt tentando escapar de uma edificação ao mesmo tempo em que enfrenta hordas de inimigos entre salas e corredores. Complexa e ambiciosa, a passagem exigiu um dia inteiro de gravações, segundo o showrunner. "A equipe precisou descansar um dia inteiro após filmar a sequência", revelou.

Apesar do forte apelo da ação, a nova temporada mantém a atenção ao desenvolvimento dos personagens secundários. Há um bom tempo em tela dos colegas de Matt, seu sócio e melhor amigo, Foggy Nelson (Elden Henson), e a jornalista Karen Page (Deborah Ann Woll). Do lado dos antagonistas, Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) mais uma vez chama a atenção na performance cheia de maneirismos do magnata criminoso.

Por outro lado, a duração e quantidade de diálogos em algumas passagens tornam o desenvolvimento um pouco arrastado, mas o problema não chega a incomodar tanto. O chefe do departamento televisivo da Marvel, Jeph Loeb, reforçou um cuidado especial na apresentação dos personagens da atração.

"Nós não chamamos de 'heróis' ou 'vilões', nos chamamos de antagonistas. Cada antagonista é o herói da própria história. Da perspectiva de Fisk, ele é o herói e Matt é o oposto disso", explicou. A grande novidade do novo ano da série é a chegada de um tradicional vilão das HQs do Demolidor, Benjamin Poindexter (Wilson Bethel), mais conhecido nos quadrinhos como Mercenário, criminoso com mira impecável e capaz de transformar praticamente qualquer objeto em arma.

A participação do personagem na série era algo esperado há tempos pelos fãs dos quadrinhos e entrada do personagem no universo da série se distancia um pouco das HQs, sendo feita de maneira mais orgânica e pé no chão. "O Mercenário é um dos maiores vilões dos quadrinhos", afirmou Bethel, acrescentando que apreciou interpretar a jornada de um personagem que poderia ser alguém heróico, mas acabou se tornando um vilão.

[A trama

Na nova temporada, acompanhamos Matt Murdock em uma crise a respeito de sua atuação como Demolidor e advogado. Longe da vista dos seus amigos há meses, após ter desaparecido em um incidente em Nova York (no desfecho da série Os Defensores), o herói voltar à ativa após seu grande adversário, Wilson Fisk conseguir sair da prisão, ao mesmo tempo em que outra pessoa se passa por Demolidor e começa a aterrorizar o bairro da Cozinha do Inferno, bairro onde o vigilante costuma atuar. O impostor em questão, aliás, é Benjamin Poindexter.
Wilson Fisk passa a adotar nesta temporada o visual consagrado do personagem nos quadrinhos. Foto: Netflix/Divulgação
Wilson Fisk passa a adotar nesta temporada o visual consagrado do personagem nos quadrinhos. Foto: Netflix/Divulgação

Embora não adapte literalmente qualquer um dos arcos do herói nos quadrinhos, fica visível a inspiração em A queda de Murdock (1986), de Frank Miller (roteiro) e David Mazzucchelli (arte) e Diabo da guarda (1998), escrita por Kevin Smith e desenhada por Joe Quesada. Ideias das duas histórias são pinçadas aqui e ali, inclusive em referências visuais, o que também deve agradar aos iniciados.

Se desde a primeira temporada Matt Murdock mostra alguma relutância em assumir o manto do herói, o problema ganha novos contornos e se mistura com um sentimento de desesperança, sentimentos muito bem representados por Charlie Cox. O retorno de Fisk aos holofotes é outro ponto positivo: o personagem sempre foi figura central nas principais tramas das HQs do Demolidor e o vilão se mostra o arqui-inimigo ideal também na série. A entrada de Poindexter, além de representar um oponente à altura de Murdock no embate físico, sinaliza outra leva de problemas para o herói, já que o vilão psicótico deixa uma trilha de mortos enquanto se passa pelo Demolidor.

É um início de temporada promissor, que oxigena a série e a mantém como a mais bem equilibrada da parceria Marvel/Netflix. Embora ainda não tenha uma nova leva de episódios confirmada, o chefe do departamento televisivo da Marvel, Jeph Loeb, já declarou que existem ideias para outras temporadas.

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