Domingo O concerto-tese de Adriana Calcanhotto Espetáculo A mulher do Pau Brasil, que será apresentado neste domingo no Recife, é resultado da aprendizagem, pesquisa e trabalhos que a artista desenvolveu como professora e embaixadora da Universidade de Coimbra

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/10/2018 10:47 Atualizado em: 14/10/2018 14:20

 Os ingressos para o show da artista estão à venda a partir de R$ 70. Foto: Divulgação.
Os ingressos para o show da artista estão à venda a partir de R$ 70. Foto: Divulgação.
O modernismo, o movimento antropofágico e as teorias de Oswald de Andrade norteiam o espetáculo A mulher do Pau Brasil, que a cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto apresenta neste domingo, em duas sessões (às 18h e às 21h), no Teatro RioMar (Av. República do Líbano, 251, 4º piso, Pina – RioMar Shopping). Os ingressos estão à venda a partir de R$ 70. Planejado no formato de concerto-tese, o show foi criado com base na aprendizagem, pesquisa e trabalhos que a artista desenvolveu como professora e embaixadora da Universidade de Coimbra, em Portugal. 

“Em 2015, fui convidada para ser a Embaixadora da Universidade de Coimbra no Brasil. Logo depois, veio o convite para fazer esta residência por lá. Foi irrecusável poder ter esta experiência de montar este curso e poder estudar por lá neste período. Depois desta turnê pelo Brasil, volto para mais um semestre em Coimbra”, explica a gaúcha, que entra em cena acompanhada por Bem Gil e Bruno Di Lullo, que se alternam entre guitarra, mpc, piano e baixo. 

Antes de idealizar essa turnê, Adriana foi convidada para fazer um show na agenda de espetáculos anuais promovidos em Coimbra. “Como eu vinha pensando nessa ideia da antropofagia, da identidade brasileira, resolvi fazer um concerto-tese. Em vez de apresentar um show qualquer, preparei um relacionado às coisas em que estava pensando, como se fosse um trabalho de conclusão de curso. Por isso eu o batizei assim”, conta. 

No início da carreira, quando ainda morava em Porto Alegre, onde nasceu, Adriana fez o espetáculo A mulher do Pau Brasil, que abordava o modernismo e no qual ela lia a carta de Pero Vaz Caminha. “Não é o mesmo show. Eu parto daquele show e daquelas ideias, é a matéria-prima, o ponto de partida. Mas esse é um show novo, com canções que foram feitas neste período, com canções daquela época, sucessos... É um novo olhar para aquela mulher do Pau Brasil”, afirma. 

O próprio repertório da atual turnê faz uma volta no tempo, com canções como Eu sou terrível (Erasmo Carlos e Roberto Carlos) e Geleia geral (Gilberto Gil e Torquato Neto). Adriana elaborou também um roteiro com músicas que compôs durante sua estadia em Portugal, além de releituras (a recente As caravanas, de Chico Buarque), sem deixar de fora clássicos de seu repertório, como Inverno, Vambora e Esquadros. 

“As músicas da primeira montagem de A mulher do Pau Brasil seguiram me acompanhando ao longo da minha trajetória, seja em discos ou apresentações, mas foram se diluindo. Quis colocá-las agora e acrescentei outras como Nenhum futuro (João Bosco e Francisco Bosco), e Range rede, composição minha instrumental que entra bem no comecinho”, conta. 

O vermelho que dá o tom ao espetáculo e está presente no cenário, na iluminação e no figurino não foi uma escolha aleatória. Adriana explica que a cor vem do pau-brasil (árvore que deu nome ao país) e que o pigmento vermelho era sinônimo de status. “O vermelho era a cor com que a nobreza e o clero se vestiam naquele momento, então significa essa extinção. Esse problema de Portugal quase extinguindo uma árvore para pagar as dívidas aos ingleses, sem sucesso. A cor também expressa o sangue derramado dos negros escravizados e dos índios durante esse processo de colonização”, finaliza. 
 
Serviço

Adriana Calcanhotto em A mulher do Pau Brasil 
Quando: Domingo, 14 de outubro, às 18h (sessão extra) e às 21h 
Onde: Teatro RioMar (Av. República do Líbano, 251, 4º piso – RioMar Shopping) 
Quanto: 
Plateia Baixa: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia) 
Plateia Alta: R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia) 
Balcão Nobre: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia) 
 
3 perguntas - Adriana Calcanhoto // cantora e compositora 
 
De que forma a residência artística que você desenvolveu na Universidade de Coimbra foi fundamental para a criação dessa turnê? 
A estadia em Coimbra foi maravilhosa. Em princípio, era somente para ser embaixadora, depois fui convidada para dar aula. Seria só um semestre, depois foi mais um semestre. É uma tradição que existe de pensar o Brasil de Coimbra. Uma experiência super interessante. Eu só posso ser muito grata. O show é justamente o resultado disso. A mulher do Pau Brasil é o meu olhar para o Brasil de Coimbra. 

Como é enxergar o Brasil por outra perspectiva? 
Nestes dois anos em Coimbra, me dei conta que estava vivendo a mesma experiência de muitos brasileiros que foram estudar em Coimbra em todos esses séculos e que depois voltaram para o Brasil. E começavam a conversar com o ponto de vista de quem viu o Brasil de fora. Foi um privilégio poder ver o Brasil com esses olhos de Coimbra. Pensava, então, em José Bonifácio, nos inconfidentes, na cumplicidade de Coimbra com as ideias de independência do Brasil como Colônia de Portugal. 

Como o modernismo e o movimento antropofágico se fazem presentes no show? 
Parti do show de 1987, mas não é o mesmo o show, ele é outro, embora com as mesmas proposições. Entre um e outro tiveram muitas idas e vindas deste olhar pelo filtro antropófago, o filtro da Tropicália e da Poesia Pau Brasil. Eu estava tratando das mesmas coisas neste período. É uma característica da minha geração ser influenciada por muitos movimentos. O Modernismo é algo muito profundo na nossa identidade artística. 


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