Teatro Monólogo sobre LGBTfobia é apresentado gratuitamente no Santa Isabel Encenado e escritor por Cleyton Cabral, Solo de Guerra toca em questões como bullying, relações afetivas na infância e sentimento de 'deslocamento'

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 08/10/2018 09:31 Atualizado em:

Espetáculo já passou por festivais como Trema! e FIG. Foto: Lucas Emanuel/Divulgação
Espetáculo já passou por festivais como Trema! e FIG. Foto: Lucas Emanuel/Divulgação

“Empoderamento” é um termo que entrou em voga nos últimos anos, seja pelo surgimento de uma geração politizada ou pelo uso das redes sociais. É natural que o uso constante provoque certo desgaste, sobretudo em tempos nos quais a intolerância resolve mostrar as caras. Diante de cenários como esse, é necessário usar a criatividade para dialogar. Em 2017, o dramaturgo Cleyton Cabral escreveu um monólogo para tratar de homofobia. Solo de guerra toca em questões como bullying, relações afetivas na infância e sentimento de “deslocamento”.

Após estrear no ano passado e integrar programações de festivais como Trema! (abril) e FIG (julho), a montagem terá apresentada gratuitamente amanhã no Teatro de Santa Isabel, no bairro de Santo Antônio, a partir das 19h. Interpretado pelo próprio Cleyton, com direção de Luciana Pontual, o texto foi feito com base em vivências do autor e de outras pessoas que integram seu círculo social. 

“Eu sempre senti a necessidade de discutir homofobia no teatro, como um escape para debater a intolerância mesmo”, diz Cabral, em entrevista ao Viver. “Acredito que peças como essas se mostram cada vez mais importantes neste período que estamos atravessando. Temos um possível futuro presidente que já fez discursos agressivos contra gays, mulheres e outras minorias. A ideia é retratar esse Brasil, o país que mais mata LGBTs no mundo”, continua o artista. 

O termo "guerra" no título vem como uma metáfora sobre lutas internas que habitam ou já habitaram o dia a dia de pessoas LGBT, trazendo toda uma alusão sobre “trincheiras interiores”. “É um conflito que se inicia quando insistem em nos padronizar, nos colocando na caixinha ‘normal’ para podermos sermos aceitos”.

Para Luciana Pontual, assistir à peça é como “pisar em um labirinto, com mais perguntas do que respostas”. "A partir da dramaturgia que ia sendo construída a cada ensaio, eu fui me colocando como espectadora. As palavras chegam cheias de silêncio, mesmo quando gritam. O vazio como território para explorar possibilidades. Esse espetáculo é cheio de afeto. Eu entrei nessa guerra cercada de aliados, inteira e de peito aberto".


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