Música Grupo pernambucano Colírio Elétrico tira som do cotidiano Fruto da efervescência cultural periférica, eles fazem um show 'poético literário musical'

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 05/10/2018 11:05 Atualizado em: 05/10/2018 15:45

A banda está preparando o primeiro disco de músicas autorais para 2019. Foto: Camila Pífano/Esp. DP
A banda está preparando o primeiro disco de músicas autorais para 2019. Foto: Camila Pífano/Esp. DP

O bairro de Peixinhos, em Olinda, é famoso por integrar socialmente a sua cena artística através do Movimento Cultural Boca do Lixo e do Festival Natora. A banda Colírio Elétrico, por exemplo, nasceu dessa efervescência cultural periférica. Liderado pelo músico e poeta Paulo Guimarães, que também faz parte da Orquestra Sinfônica do Recife, o grupo mescla em suas apresentações blues, jazz, música erudita, poesia e sons de utensílios domésticos, como furadeira de impacto, liquidificador, compressor de ar, máquina de escrever, entre outros instrumentos. Eles fazem um show “poético literário musical”, nesta sexta-fera (5), a partir das 16h, na Sala de Dança Prof. Ana Regina, do CAC (Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE).

Em entrevista ao Viver, Paulo Guimarães contou que, em 2016, logo depois que ele lançou o livro de poesias Rotas de imaginações vorazes, a Colírio Elétrico surgiu com o objetivo de fazer música com fundamento consistente. “Mesmo com todo o caos urbano, ainda é através da arte que podemos nos conhecer e estabelecer relações humanas”, afirma. Além de Paulo, que toca gaita e flauta transversa, o grupo é formado por Beto Balack (baterista), Agildo Catiti (contrabaixo acústico), Bernardo Ferrugem (guitarra base), Felipe Andrade (guitarra solo) e Josué (percussão).

A banda está preparando o primeiro disco de músicas autorais para 2019, que vai se chamar Música para maquinar o juízo e terá canções arranjadas por Alan Ameson, trompetista de Johnny Hooker, e Henrique Albino, que traz no currículo trabalhos com Elba Ramalho e Fafá de Belém. As composições de Paulo abrangem diversos temas que transitam na essência da personalidade humana, passando por valores futurísticos e sociais, convidando as pessoas a refletirem sobre a necessidade da conquista do seu próprio espaço. “Nosso show é dinâmico com poesia, música pulsante e dançante com uma vibe vanguardista e com a percussão convencional. Usamos da criatividade e tiramos um som de utensílios domésticos que repousam nos ouvidos”, explica Paulo.

As influências musicais dos olindenses são das mais diversas, que vão de Hermeto Pascoal e Tom Zé até a atitude punk das primeiras músicas da Legião Urbana e as letras anárquicas de Raul Seixas. Em novembro, a banda participa do aniversário de 18 anos de luta e resistência da Biblioteca Multicultural Nascedouro, em Peixinhos, com um show e uma oficina para jovens de escolas públicas da comunidade.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.