Cinema Cinebiografia apresenta trajetória de Éder Jofre para novas gerações História do Galinho de Ouro é recontada em 10 Segundos Para Vencer, com Daniel de Oliveira no papel do boxeador

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 02/10/2018 12:40 Atualizado em: 02/10/2018 11:29

Posteriormente, produção deve ser levada para a TV no formato de minissérie. Foto: Globofilmes/Divulgação
Posteriormente, produção deve ser levada para a TV no formato de minissérie. Foto: Globofilmes/Divulgação

Um dos grandes nomes do boxe brasileiro e mundial, Éder Jofre tem a trajetória recontada no filme 10 segundos para vencer, em cartaz nos cinemas desde quinta-feira. Dirigido por José Alvarenga Jr. (Cilada.com), o longa-metragem tem Daniel de Oliveira no papel do atleta e Osmar Prado como Kid Jofre, pai e treinador do boxeador.

"Ele era uma pessoa, que nos anos 1960, tinha a mesma importância que o Pelé, um exemplo de superação, um esportista fora de série", afirma o diretor, que mantém interesse de longa data pelo boxe, desde quando viu uma luta entre Éder Jofre e o cubano José Legra, em 1973, na qual o brasileiro levou o título mundial dos penas. Essa vitória, aliás, foi a última grande conquista da carreira do boxeador, que havia abandonado os ringues em 1965 e retornado em 1969.

A cinebiografia do Galinho de Ouro, como era conhecido, carrega um pouco do espírito de clássicos relacionados ao esporte, como Rocky (1973) e Touro indomável (1980), mas com outro componente: a relação entre pai e filho. Também pugilista, Kid Jofre foi um dos responsáveis por levar Éder a desistir o sonho de ser arquiteto para seguir a tradição familiar no esporte.

Osmar Prado diz que levou para o papel memórias do convívio com o pai. Segundo o ator, seu pai também era, como Kid Jofre, uma figura, apesar de amorosa, muito rígida. Osmar recorda que, assim como a carreira de boxeador não era bem vista, o ingresso da profissão de ator era encarada com muita ressalva. "Meu pai tinha medo que eu fosse acabar passando fome", diz. Além da inspiração paterna, Prado conta que o boxe fez parte do imaginário da adolescência e que acompanhou, à época, a conquista do primeiro título mundial de Éder Jofre.

"Mais do que necessário, o filme é um tributo a um grande campeão que as novas gerações provavelmente não conhecem. A relação de Kid com Éder merece ser vista. Mistura o amor e as dificuldades de se treinar um atleta", defende Prado. Assim como Daniel de Oliveira, o ator passou por treinamento e aulas para interpretar o treinador e que, inclusive, tem agora um saco um saco de pancadas em casa para praticar eventualmente.

O filme tem roteiro assinado por Thomas Stavros e Patrícia Andrade e, embora traga liberdades em relação a alguns acontecimentos para dar mais dramaticidade à trama, prima pela fidelidade na reconstituição histórica e na riqueza de detalhes nos combates. As lutas encenadas são acompanhadas por locuções originais de rádio da época e os ginásios lotados foram reconstituídos com auxílio de computação, o que demandou maior tempo de pós-produção do filme, gravado em 2016. O orçamento da produção foi de R$ 8 milhões.

Hoje aos 82 anos, Éder Jofre segue como o único brasileiro a conquistar o título de campeão mundial de boxe nas categorias de pesos galo e pena. O pugilista encerrou a carreira com 81 lutas, sendo 77 vitórias (52 nocautes) dois empates e duas derrotas. Em 1992, foi o primeiro do Brasil a ser incluído no Hall da Fama do boxe em Nova York.

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