arte Espaços independentes de exposição e artes são focos de resistência cultural Casas de artes e coletivos recebem exposições, debates, oficinas e apresentações musicais ou poéticas

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 01/10/2018 19:00 Atualizado em: 01/10/2018 19:04

A Casa Cultural Villa Ritinha recebe exposições, concertos, lançamentos de livros, palestras, além de contar com um café bistrô. Crédito: Facebook/Reprodução
A Casa Cultural Villa Ritinha recebe exposições, concertos, lançamentos de livros, palestras, além de contar com um café bistrô. Crédito: Facebook/Reprodução
É consenso que a classe artística pernambucana permaneceu, por muito tempo, carente de locais para expor seus trabalhos. Devido a essa escassez, houve uma proliferação de espaços culturais na Região Metropolitana do Recife, que funcionam de forma 100% independente ou com poucos apoios institucionais e patrocínios. Cada vez mais, casas de artes estão surgindo no estado com o propósito de receber exposições, debates, oficinas e apresentações musicais ou poéticas. 

A jornalista Aline Feitosa, por exemplo, não quis ficar parada e abriu as portas de sua residência, onde mora com a mãe e os filhos, para dar vazão a essa produtividade artística da cidade. O espaço, localizado no bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, comporta no máximo 50 pessoas e, por este motivo, ganhou o nome de Pequeno Latifúndio (Rua Gomes Pacheco, 426). Para Aline, sua casa não é um lugar que acolhe apenas a arte, é um projeto de micropolítica. "Nas apresentações de música autoral, que realizamos uma vez por semana, os artistas conseguem conversar com o público sobre os mais diversos assuntos", pontua. 

A divulgação é feita pelas redes sociais e, para participar, é necessário fazer uma reserva antecipadamente. "A gente se movimenta e traz para dentro de casa essa produção cultural. Fico muito feliz quando outras casas abrem inspiradas no Pequeno Latifúndio, porque não existe concorrência, quanto mais gente fizer, mais fortalece a ideia", completa. No mesmo bairro, funciona o Coletivo Mau Mau (Rua Nicarágua, 178), que viabiliza eventos culturais, exposições, oficinas, ateliês e residências temporárias para artistas.

Outro espaço que tem o objetivo de fomentar a arte em geral é a Casa Cultural Villa Ritinha (Rua da Soledade, 35, Boa Vista). Com uma luxuosa arquitetura do século 19, o local já foi residência de barão, hotel, pensão e bordel, antes de ser comprado pelo empresário e art designer alemão Klaus Meyer, que transformou o lugar em abrigo de cultura. Atualmente, o Villa Ritinha recebe exposições, concertos, lançamentos de livros, palestras, além de contar com um café bistrô, que funciona de terça a sábado, das 13h às 21h. A casa promove também, semanalmente, uma programação musical com estilos diferentes a cada dia. Nas terças-feiras, são realizados concertos de música erudita, nas quintas é a vez do jazz, e aos sábados, acontecem apresentações de chorinho. 

A Villa Ritinha promove, semanalmente, uma programação musical com estilos diferentes a cada dia. Crédito: Facebook/Reprodução
A Villa Ritinha promove, semanalmente, uma programação musical com estilos diferentes a cada dia. Crédito: Facebook/Reprodução

"Também apoiamos shows com artistas da cena musical pernambucana, apresentando seus trabalhos autorais", afirma Klaus. Ainda no Centro do Recife, o recém-inaugurado Jambo Azul (Rua Bispo Cardoso Ayres, 481, Soledade), além de ser a residência do músico Juvenil Silva, é também um reduto cultural que estimula trabalhos voltados para a música, fotografia, design e moda.

Olinda renova redutos de artes visuais, música, cinema e literatura

Vizinha ao Recife, Olinda também é considerada uma “cidade-berço” para a cultura local. Criado para convergir pensamentos artísticos e facilitar qualquer manifestação de arte contemporânea, o Solar da Marquesa (Avenida Joaquim Nabuco, 5, Varadouro) tem uma vasta programação que envolve artes visuais, música, literatura e cinema. 

O Solar da Marquesa funciona em um sobrado restaurado da época em que o Brasil ainda era colônia. Crédito: Facebook/Reprodução
O Solar da Marquesa funciona em um sobrado restaurado da época em que o Brasil ainda era colônia. Crédito: Facebook/Reprodução

Coordenada por Daniella Miranda, a casa funciona em um sobrado restaurado da época em que o Brasil ainda era colônia. Em 2012, o espaço foi adequado e equipado para receber qualquer tipo de projeto. “Eu sentia falta, em Olinda, de um local onde as pessoas pudessem desenvolver atividades artísticas pensando no coletivo. Foi aí que vi uma oportunidade para exercer meu voluntariado”, conta Daniella, que comprou a propriedade do tio. 

Como uma forma de serviço comunitário, o Solar da Marquesa promove também, toda quarta-feira, às 19h, uma sessão de cinema com pipoca, gratuitamente, para os moradores das comunidades do entorno do Varadouro. Seja no Recife ou em Olinda, a difusão desses espaços mantém viva a cultura de Pernambuco como um grito de resistência artística.


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