Cinema Filmes feitos com smartfones facilitam o acesso à produção Custos são menores e possibilitam produções para quem tem menos recursos

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 01/10/2018 11:31 Atualizado em: 01/10/2018 09:52

O longa Unsane, de Steven Soderbergh, foi todo produzido com um iPhone. Foto: New Regency Pictures/Divulgação
O longa Unsane, de Steven Soderbergh, foi todo produzido com um iPhone. Foto: New Regency Pictures/Divulgação

No começo deste ano, o longa Unsane (Distúrbio, em tradução para o português) chamou atenção do público do 68º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Dirigido pelo estadunidense Steven Soderbergh e estrelado por Claire Foy (The Crown) e Joshua Leonard (A Bruxa de Blair, Se eu ficar), tem 1h38min de duração e foi inteiramente produzido com um iPhone. O método, ainda visto com receio por grandes nomes da indústria, tem aparecido cada vez mais em diferentes produções. A utilização de um aparelho móvel para gravar o longa permitiu que o assédio sexual, tema abordado pelo filme, fosse explorado de maneira mais intimista e com absoluto imediatismo, como definiu o próprio diretor.

No Brasil, um dos primeiros filmes produzidos inteiramente com celulares foi Charlote SP, de Frank Mora, lançado nos cinemas em setembro de 2016. O longa conta a história de uma modelo internacional que volta ao Brasil para redescobrir sua identidade em São Paulo e embarca em uma jornada ao lado do amigo cineasta. A produção inovadora, contudo, encontrou obstáculos na captação de áudio e em outros detalhes técnicos que mostraram que ainda havia um caminho mais longo a ser percorrido e desenvolvido.

Com a popularização dos smarthphones, produzir tornou-se mais acessível para quem não tem condições de ter todo o aparato técnico que envolve o campo audiovisual. Para Julyana da Costa Duarte, sócia da produtora brasiliense Dona Filmes, formada apenas por mulheres, acredita que neste novo cenário, quem começa pode experimentar mais. “Os estudantes, por exemplo, têm mais oportunidade de errar, de desenvolver experimentações e trabalhos autorais e, a partir daí, desenvolver e ter segurança de partir para trabalhos financiáveis”, ela explica.

Ela também ressalta a possibilidade que a internet e o fácil acesso à informação abriram na formação de novos realizadores: “Se você junta as duas coisas, a tecnologia do celular e a da internet, o marketing digital te ensina a criar novas carreiras”. Além disso, ela ressalta a importância desses novos recursos como ferramenta de democratização. “O cinema até pouco tempo não era para todo mundo, a gente que é da periferia sabe disso”, ela explica. “É a simplificação do acesso relacionado ao financeiro, ao preço das coisas e também o acesso relacionado à mobilidade. Acesso em todos os sentidos”

Julyana ministrou, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e na Bienal Brasil do Livro e da Leitura, uma oficina de criação e edição de vídeos por celular. O primeiro passo, para ela, é compreender a linguagem audiovisual. “Se você domina a linguagem, você já está um passo à frente para criar um material de qualidade”. A partir daí, é possível ter mais segurança e investir em criar e editar por aplicativos disponíveis, como o Open Camera, o Adobe Clip e o Filmora Go.


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