TV Festival no Recife reúne nova geração do rap e música eletrônica Com shows de Matuê, Sant, Rubico e NexoAnexo, o Festival Rap de Vitrine contará com exposição de artes, live paiting, slackline, sessões de tatuagem, food park e espaço lounge

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 29/09/2018 10:31 Atualizado em: 29/09/2018 10:48

Foto: Caixa 1, Davi Reis e Twitter/Reprodução
Foto: Caixa 1, Davi Reis e Twitter/Reprodução

O recifense Bruno Pimentel, 25 anos, precisou sair de sua redoma cultural para entender como o universo do rap pode ser prolífico para constituir cenas musicais locais. Foi durante um intercâmbio na Irlanda, em 2016, que ele conseguiu entender como o gênero, através do barateamento de equipamentos de produção musical, adquiriu um caráter de “do it yourself” (faça você mesmo), sobretudo com a expansão de experimentações proporcionadas pelo trap - vertente que aposta em batidas mais eletrônicas e sonoridades mais “sujas”. “Eu compreendi que cenas como aquelas poderiam rolar em qualquer canto do mundo, incluindo o Recife”, explica o jovem.

Inspirado pela experiência que viveu no exterior, ele voltou para a cidade natal e fundou o Rap de Vitrine, um movimento itinerante que passou a promover eventos pagos e gratuitos com a missão de agregar e propagar novos nomes da cultura rap/trap recifense. A marca chega ao seu primeiro festival neste sábado, a a partir das até a madrugada. O palco do Festival Rap de Vitrine, realizado no Bailito, bairro do Prado, receberá nomes na cena nacional que se unem a artistas locais como NexoAnexo, Don Erre, Flip R1, MK1 e Rubico (projeto liderada por Bruno).

O headliner é Matuê, rapaz de 24 anos responsável por colocar Fortaleza (CE) na rota do trap nacional e intensificar a participação presença de nordestinos nessa cena que se expande desde 2016. Com letras sobre ambição, estilo de vida dionisíaco e anseios de sua geração, ele se tornou uma espécie de representante desses jovens que parecem hipnotizados por batidas futuristas. Outro destaque é o carioca Sant, ligado mais à tradição do rap de mensagem social - consolidado no Brasil desde os anos 1990.

Além das atrações musicais, o público poderá circular por exposição de artes, live paiting (performances em que artistas plásticos produzem obras), slackline, sessões de tatuagem, food park e espaço lounge. A festa conta com a parceria da festa paulista Groove Urbano e do coletivo de música eletrônica BoiKOT - um dos principais do estado, que irá apresentar sets de DJs em um palco distinto.

Esse fenômeno em que cenas do hip hop e da música eletrônica dão as mãos em prol da construção de um tipo de festival que tem crescido em São Paulo, como exemplo da própria Groove Urbano. “Esse será nosso primeiro evento no Recife. Conhecemos o pessoal do Vitrine pela internet e encontramos algumas semelhanças, além de perceber alguns rappers no Nordeste em ascensão”, diz André Gama Barbério, responsável pelo selo paulista. “O dom para o rap não é único de uma região. Se a pessoa for boa, aquilo vai se propagar de alguma forma. É isso que está acontecendo, esses diálogos entre São Paulo e o Nordeste estão mostrando isso”.

ENTREVISTA - Bruno Pimentel, líder do Projeto Rubico
Foto: Rubico/Divulgação
Foto: Rubico/Divulgação


Como começa a carreira do grupo?
Eu costumava participar da produção de eventos ligados a forró, sertanejo e axé. Após fazer o intercâmbio na Irlanda, comecei a escrever ainda lá. Quando voltei, quis colocar o rap em prática. Me juntei com um amigo que fazia beats. Em 2017, lancei o clipe Quinto Pesadelo. Depois decidi sair das batidas sintetizadas para o orgânico. Convidei Martin (guitarra), Koury (violão), Max (baixo), Rubem (percussão/backing vocal) e Rato (DJ), integrantes da banda que estão comigo até hoje.

E por que decidiu adicionar instrumentos orgânicos?
Isso abrange muito a musicalidade. Não queríamos ficar só nos beats e sim sair da normalidade. Por isso mesmo não temos um ritmo definido, ainda estamos na procura de um. Tem músicas que são reggae, outras que são mais dançantes, até incluem pandeiro. Queremos ser um grupo sem limites. A cultura de Pernambuco influencia muito isso. Cada música se tornou “um tipo de Rubico”.

Quais as influências do grupo?
Até então, as músicas são bastante ligadas ao tema da paralisia do sono, que é um fenômeno que eu costumo ter bastante. Transmite certo medo, mas também me faz refletir bastante. Em relação aos artistas, Chico Science é uma das primeiras influências. Também colocamos a psicodelia do Pink Floyd. No âmbito do rap, gostamos do Sabotage e do Eminem, que foi o primeiro rapper que eu passei a ouvir.

A cena do rap no Recife está crescendo muito. Como tem enxergado esse fenômeno?
O que está acontecendo aqui é o que aconteceu em São Paulo há uns cinco ou seis anos atrás. É todo um movimento vivendo de rap. Queremos mostrar para todo mundo que isso é possível, que tem espaço para todos. As pessoas aqui só estão conseguindo entender isso agora. Quando um ou outro recifense ‘estoura’, o mercado acaba ‘estourando’ para todos. Isso aconteceu em São Paulo, e acredito que também possa acontecer aqui.

SERVIÇO
Festival Rap de Vitrine, com Matuê, Sant, Groove Urbano (SP), Rubico, BoiKOT, NexoAnexo, Don Erre X Flip R1, MK1, Synstezuk, The Mouse, Bharg, Fabio Leal e Indigo
Onde:
Bailito (Rua Carlos Gomes, 390, Prado, Recife)
Quando: sábado (29), a partir das 16h
Quanto: R$ 50
Informações: (81) 9 9886.9901


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