Show Acompanhado por uma orquestra, Alceu Valença apresenta espetáculo inédito em Pernambuco Concerto Valencianas chega ao Teatro Guararapes, neste sábado, com ingressos esgotados

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 29/09/2018 09:00 Atualizado em: 28/09/2018 19:58

O projeto tem regência do maestro Rodrigo Toffolo, da Orquestra Ouro Preto. Foto: Naty Torres/Divulgação
O projeto tem regência do maestro Rodrigo Toffolo, da Orquestra Ouro Preto. Foto: Naty Torres/Divulgação


Conhecido pela inquietação artística que expressa no palco, Alceu Valença se rendeu à sobriedade ao cantar seguindo pauta e batuta de um maestro no concerto Valencianas, que será apresentado, com ingressos esgotados, neste sábado (29), a partir das 21h, no Teatro Guararapes, em Olinda. Sob regência do maestro Rodrigo Toffolo, o espetáculo já passou por Belo Horizonte, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo e Portugal. 

Apesar de ser presença frequente em Pernambuco com shows de repertórios carnavalescos ou juninos, essa é a primeira vez que o músico mostra, com a Orquestra Ouro Preto, uma vertente mais instrumental em sua terra de origem e inspiração. "Eu tenho dez tipos diferentes de shows, que são feitos até para festivais de rock e de jazz. No Recife, eu quase sempre faço apresentações de carnaval ou de forró, porque não é fácil viajar com uma orquestra desse porte, tem que mobilizar muita gente", explica.

O projeto começou a ganhar corpo em 2010, quando, em uma tarde olindense, o produtor cultural Paulo Rogério Lage promoveu um encontro entre Alceu, o maestro Rodrigo Toffolo e o violinista da orquestra, Mateus Freire. Ao Viver, o pernambucano de São Bento do Una contou que recebeu Toffolo e Freire em sua casa para que lhe mostrassem os primeiros arranjos projetados para as suas músicas. "Conversamos muito sobre esse concerto e eles puderam ter um conhecimento maior da minha obra. Decidimos o repertório, as músicas que eu iria cantar e as canções que a orquestra tocaria em solo", recorda. "Eles fazem um ajuntamento de várias músicas minhas. Em alguns momentos eu canto, em outros eu saio de cena para a orquestra tocar sozinha. O público sempre pede bis, é uma louvação incrível", declara o músico, que classifica o concerto Valencianas como uma obra-chave em sua carreira por combinar a música popular nordestina ao erudito instrumental.

Canções conhecidas do público, como Anunciação, Tropicana, Girassol, Coração bobo e La belle de jour foram adaptadas para a música de concerto pelo violinista Mateus Freire, que teve o cuidado de preservar e não descaracterizar a essência da obra de Alceu. Segundo o cantor, seu repertório tem uma erudição que nem sempre pode ser notada nas apresentações. "É porque nos meus shows eu canto e pulo de um lado para o outro", justifica. Lançado em CD e DVD, em 2014, Valencianas alcançou, logo no primeiro dia, o topo dos mais vendidos no gênero MPB no iTunes. Em 2015, o trabalho foi consagrado com o Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

Orquestra Ouro Preto
Com um trabalho marcado pelo experimentalismo e ineditismo, o grupo foi fundado em 2000 pelo doutorando em ciências musicais e mestre em musicologia Rodrigo Toffolo, que também assume o papel de diretor artístico e regente titular. Premiada nacionalmente, a Ouro Preto já se apresentou nas principais salas de concerto do Brasil e do mundo.

Iris Zanettu/Divulgação
Iris Zanettu/Divulgação

ENTREVISTA // ALCEU VALENÇA »

Como foi a experiência de cantar acompanhado de uma orquestra? 
Muito bom. Eu me sinto em um divã quando toco com eles. Tenho que cantar de acordo com o que está escrito na pauta. Eu não posso cantar duas vezes o mesmo refrão, por exemplo. Não pode mudar. É uma outra experiência. A vibração é muito boa, a orquestra é afinadíssima. O maestro Rodrigo Toffolo é muito sensível e o arranjador, o Mateus, é sensacional. 

Como você percebe a reação do público nesse show mais calmo? 
É relativo. Algumas pessoas ficam sentadas, porque dizem que assim prestam mais atenção. Outras levantam e vão para o centro do teatro dançar, como aconteceu em Lisboa. É um show para viajar na música e isso é unânime. 

Qual é a sua relação com a música clássica? É um estilo que você costuma apreciar? 
Não, eu quase não ouço música. Mas eu lembro que, quando eu era menino, logo após ter ganho uma radiola, eu ouvia Chopin, Beethoven... E isso eu guardo na memória até hoje. Quando eu ouço música, pego num instante e não esqueço. Lembro de tudo que eu escutava quando criança. 

Você já declarou que consegue compor uma música em qualquer lugar. Sempre teve essa expertise? 
Eu sempre fui assim. O meu problema é que nunca tive uma grande autoestima, eu não acho que sou essas coisas todas que dizem. Quando recebo elogio, fico logo encabulado. Compor rápido não tem segredo, é só se concentrar na melodia e fazer. Posso compor uma música agora mesmo se você quiser.





Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.