Cinema [Crítica] Marcha Cega é retrato da truculência policial em São Paulo Documentário entra na programação do Projeta às 7, dedicada a produções brasileiras

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 27/09/2018 12:30 Atualizado em: 27/09/2018 12:32

Filme registra acontecimentos de manifestações realizadas entre 2013 e 2017. Foto: Salvatore Filmes/Divulgação
Filme registra acontecimentos de manifestações realizadas entre 2013 e 2017. Foto: Salvatore Filmes/Divulgação

Além de trazerem à tona inúmeros problemas políticos e sociais, as manifestações que tomaram conta do país nos últimos anos, em particular a partir de 2013, evidenciaram, muitas vezes, outra chaga: a truculenta repressão policial. A questão, cujos exemplos podem ser vistos em diversos estados, virou objeto de análise no documentário Marcha cega, em cartaz no Cinemark a partir de hoje, dentro da programação do Projeta às 7, com sessões de segunda a sexta, sempre às 19h, com preços promocionais (R$ 12 e R$ 6). A produção foi exibida pela primeira vez no Recife durante o CinePE, em junho, e foi selecionada para o festival suíço Visions du Réel.

Ainda que aborde um tema cujos reflexos são sentidos em todo o país, o documentário explora exclusivamente acontecimentos ambientados em São Paulo entre 2013 e 2017. O filme reúne depoimentos de especialistas em segurança pública e ativistas, muitos deles vítimas durante os atos. Um dos personagens-chave do filme é o fotógrafo Sérgio Silva, que ficou conhecido nacionalmente ao, durante a cobertura de uma manifestação contra o aumento das tarifas do ônibus, ser atingido por uma bala de borracha e perder um olho.

Outros que dão depoimentos no filme são o antropólogo e ex-secretário de Segurança Nacional Luiz Eduardo Soares, o vereador Eduardo Suplicy e o tenente-coronel reformado da PM Adilson Paes e Souza. "Eu tenho muito que agradecer a coragem e a disposição de todos os entrevistados", afirma o diretor Gabriel Di Giacomo, que realizou o filme de maneira independente. Sobre as vítimas de violência física ou psicológica retratadas no documentário, o realizador observa que "muitos ainda estão respondendo a processos e suas histórias acabam sufocadas no meio do fluxo das timelines das redes sociais". Ele acrescenta que "um sentimento comum entre todos e que lhes impulsiona a querer falar é a sensação de injustiça".

Marcha cega toca em um importante tema e traz consistentes pontos em defesa da desmilitarização da polícia e sobre a necessidade de reformulação das políticas de segurança. Construído de forma linear e bastante convencional, é um documentário que não depende de arrojo técnico para despertar a atenção. O conteúdo é contundente por si e os registros das manifestações que intercalam os depoimentos confirmam, em definitivo, a urgência de se debater o problema.

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