Cinema [Crítica] Primeira Noite de Crime é o mais contundente da franquia Quarto filme da série iniciada em 2013 serve como prólogo

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 27/09/2018 11:50 Atualizado em: 27/09/2018 12:00

Filme faz menção a incidentes recentes, como a marcha de supremacistas brancos em Charlottesville e massacre da igreja em Charleston. Crédito: Universal Pictures/Divulgação
Filme faz menção a incidentes recentes, como a marcha de supremacistas brancos em Charlottesville e massacre da igreja em Charleston. Crédito: Universal Pictures/Divulgação

O que aconteceria se, uma vez por ano, durante 12 horas, os cidadãos fossem liberados para cometer qualquer crime impunemente? Essa é parte da premissa de A primeira noite de crime, em cartaz nos cinemas a partir de hoje. Quarto filme de uma franquia iniciada em 2013, o novo capítulo funciona como prólogo, mostrando as origens da brutal medida adotada em um distópico Estados Unidos.

Os títulos anteriores da série mostravam o país com a lei do expurgo já bem estabelecida. A legislação polêmica teria como intuito a redução da criminalidade, instigando a população a canalizar toda a violência para um único momento do ano e, assim, diminuir índices no restante do ano. A produção mais recente, agora sob direção de Gerard McMurray (Código de silêncio) aprofunda o tom de crítica social visto nos longas anteriores e também na série televisiva (em exibição no Brasil pela Amazon Prime).

Neste prólogo, vemos um partido intitulado Novos Pais Fundadores no poder nos EUA, após um longo período de alternância entre Democratas e Republicanos. Com discurso populista e evidentes aspectos totalitários, o novo governo instaura, sob o pretexto de experimento social, a noite de crime, como forma de amenizar tensões da população. Neste momento inicial, a medida é adotada apenas na região de Staten Island, na cidade de Nova York.

Como forma de engajar os residentes a não abandonarem o local durante a noite de crime, o governo concede a quantia de US$ 5 mil para quem se mantiver no distrito e benefícios financeiros ainda mais elevados para quem se candidatar a cometer crimes durante o período. Embora conte com o apoio de parte dos moradores, a nova lei é encarada por muitos como uma proposta para dizimar populações mais pobres.

A primeira noite de crime acrescenta a esse cenário o componente racial, algo não tão bem explorado anteriormente na franquia, colocando como protagonistas um núcleo de afroamericanos e hispânicos. Com referências claras à insurgência de movimentos supremacistas brancos e neonazistas em todo o mundo, particularmente nos EUA do governo Trump, o filme traz sequências que dialogam diretamente com acontecimentos recentes, a exemplo da marcha de Charlottesville e massacre da igreja em Charleston.

Apesar da temática relevante e bem colocadas críticas, A primeira noite... escorrega em problemas habituais da franquia, como alguns personagens excessivamente caricatos e diálogos, por vezes, demasiado didáticos. Mas é o capítulo mais consistente da série até agora.

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