Música Pop coreano invade a cultura ocidental e ganha grupos covers no Recife Competição de k-pop é um dos destaques da programação do Festival da Coreia, realizado no Centro de Convenções

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 23/09/2018 17:35 Atualizado em: 24/09/2018 09:11

Foto: Gabriel Melo/DP
Foto: Gabriel Melo/DP

Desde que o conceito de "música pop" surgiu nos anos 1950, os Estados Unidos têm sido o principal exportador desse gênero para o mundo, reflexo de seu status de potência econômica. O establishment midiático já assistiu alguns fenômenos não-estadunidenses, como a “invasão britânica” liderada pelos Beatles e o sucesso dos mexicanos do RBD. Poucos esperavam um fenômeno de fora do ocidente, algo que se tornou realidade com o k-pop, estilo que fincou a Coreia do Sul na geopolítica da indústria musical global.

Desde o início desta década, grupos coreanos como BTS, EXO, GOT7, Monsta X, Twice, Red Velvet, Big Bang e 4minute estão liderando o que tem sido chamado de “onda coreana” - ou “halyu”. Os estilos musicais e performáticos dessas bandas não fogem muito da estética consagrada pelas boybands e girlbands norte-americanas - exceto o maior enfoque na dança, os vestuários exóticos e, é claro, o idioma oriental. Com coreografias elaboradas e superproduções em clipes, esses grupos estão conseguindo ganhar crianças e adolescentes em diversas partes do mundo.

No Recife, o movimento tem ganhado diversos admiradores nos últimos anos. Esses jovens têm se unido, inclusive, para formar grupos “covers” idealizados para reproduzir as danças. Essas equipes competem em eventos dedicados à cultura pop oriental na cidade, com destaque para o Supercon e o Anima Recife. Neste domingo, será realizado o Festival da Coreia, no Centro de Convenções, em Olinda, com entrada gratuita. A competição de k-pop é um dos destaques da programação.

Apesar de recente, essa cena de grupos covers é ampla e bastante competitiva: Faster Z, X.O Dance Team, Jjang, Soldiers, ACE, Heirs, Hathi Machine e Move são algumas equipes de destaque. O All Might, idealizado por Rafaela Cabral, de 14 anos, é outro exemplo de como esse nicho tem crescido. Formado pela adolescente junto com Vitória Santos, 15, Letícia de Morais, 16, Dandara Lourenço, 13, Natália Santos, 13, e Vitória Almeida, 18, o grupo existe desde fevereiro deste ano.

“Eu comecei a conhecer o k-pop através das minhas amigas. Nós vivíamos dançando, olhando os vídeos na internet, então eu dei a ideia de que podíamos nos apresentar nos eventos. Assim o grupo nasceu”, explica Rafaela, que ressalta que o termo “all might”, significa “tudo pode”. “Se tivermos determinação e responsabilidade, podemos chegar onde queremos, por isso seguimos ensaiando até conseguir visibilidade”, conta a menina, que se reúne com as amigas para ensaiar em locais como o Parque da Jaqueira, na Zona Norte, um ponto com volumosos grupos de jovens ensaiando, assim como o Parque Dona Lindu, na Zona Sul.

Rafaela elenca alguns motivos do fascínio coletivo pelo gênero musical de um país localizado a mais de 17 mil km do Brasil. “Tem chamado atenção de muita gente por conta da dança, mas também tem a questão das músicas, que variam de estilo, os conceitos dos clipes. E também por causa das mensagens. Muitas meninas do meu grupo começaram a gostar após ler as letras das canções.”

DANÇA VIRAL
Estudante do curso de Dança na UFPE, a recifense Júlia Gusmão é integrante do grupo P2R2. Questionada qual o principal fator que diferencia os grupos de k-pop dos grupos do pop norte-americano e britânico, ela ressalta a dança, fortemente influenciada por movimentos contemporâneos e urbanos, a exemplo do hip hop. “É um tipo de dança que apresenta passos chaves, aqueles movimentos que você fica viciado em repetir várias vezes, com um potencial meio que viral. Alguns outros grupos famosos prezam pela qualidade da coreografia, que seja elaborada o suficiente para que as pessoas fiquem maravilhadas em ver nos clipes ou nos palcos”, avalia.

Um outro fator que diferencia bastante o mundo do k-pop é a forma como essa indústria é construída. Os aspirantes são selecionados por empresas que investem pesado nos astros e controlam todos os aspectos da carreira: aulas de canto, dança, teatro e até mesmo alterações estéticas, como cirurgias plásticas.“É uma questão de produto, os integrantes nem são chamados de ‘artistas’, mas sim de ‘ídolos’, que os produtores podem montar como querem”, explica a estudante. “De acordo com estudos de públicos, esses produtores criam modelos. Alguns ídolos se destacam por um estilo próprio de dança ou voz e isso pode acabar contaminando todo o resto do grupo.” Em resumo, eles são altamente treinados para fazer sucesso no mercado internacional.



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