Cinema A Freira reafirma força da franquia de terror Invocação do Mal Novo filme derivado tem identidade própria e entrega boa dose de horror diversão

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 05/09/2018 20:12 Atualizado em: 05/09/2018 20:20

Gravado em antigas edificações da Transilvânia, filme tem atmosfera que remete a clássicos do terror. Foto: Warner Bros./Divulgação
Gravado em antigas edificações da Transilvânia, filme tem atmosfera que remete a clássicos do terror. Foto: Warner Bros./Divulgação

Cidade do México - O local escolhido para a primeira exibição mundial para a imprensa de A freira, novo capítulo da franquia Invocação do mal, combinou perfeitamente com a atmosfera da produção. Em um convento desativado, construído no século 17, na capital do México, jornalistas de vários países puderam conferir o mais recente filme da série cinematográfica, em exibição a partir desta quarta-feira, em sessões de pré-estreia.

Leia também: 
Diretor de A Freira relata experiência sobrenatural durante as filmagens
Ator do filme revela ter medo de produções do gênero
Protagonista recorreu à meditação para evitar pesadelos com a freira Valak

Hoje funcionando como museu em uma reserva natural, o Convento Desierto de los Leones, distante 15 km do centro da Cidade do México, guarda semelhanças com as locações históricas na região da Transilvânia, na Romênia, onde o filme foi gravado. Instalado em uma área de 1,5 hectares, o mosteiro mexicano, embora bem conservado e cercado por bosques, tem no aspecto algo lúgubre, principalmente nos longos corredores que conduzem às antigas celas.

Realizada em uma noite chuvosa, com o termômetro marcando por volta dos 5ºC, a sessão para a imprensa foi realizada em uma grande dependência do claustro, especialmente equipada para abrigar a projeção. Uma freira de verdade, inclusive, acompanhou a primeira sessão e espalhou água benta pelo local, antes do longa ser exibido. Inevitavelmente, a ambientação contribui bastante para a imersão no filme, mas A freira tem potencial, mesmo em uma confortável sala de cinema multiplex, para causar impacto nos espectadores.

Assim como a macabra boneca Annabelle teve seus próprios filmes (2014 e 2017), a demoníaca freira Valak (Bonnie Aarons), vista em Invocação do mal 2 (2016), ganhou um título solo. Dirigido por Corin Hardy, que tem na bagagem apenas um longa-metragem, o competente A maldição da floresta (2015), A freira tem roteiro de Gary Dauberman e argumento de James Wan, este último o idealizador da franquia.

A história se passa nos anos 1950 e tem como ponto de partida o suicídio, aparentemente sem explicação, de uma freira, em um convento remoto na Transilvânia. O incidente chama a atenção do Vaticano, que envia o padre Burke (Demian Bichir) e a noviça Irene (Taissa Farmiga) para investigar o caso. Ao chegar, a dupla se depara com uma série de acontecimentos estranhos e uma aura de mistério em torno das religiosas da ordem.

Como alardeado pelo material publicitário, A freira é, realmente, o capítulo mais assustador da série Invocação do mal. Ao mesmo tempo em que guarda algo do terror de filmes clássicos como O exorcista (1973), sensação reforçada também pela presença do padre exorcista vivido por Demian Bichir, a produção entrega também uma boa dose de cenas de ação que o aproximam, um pouco, de títulos como Van Helsing (2004). O grande defeito é não aprofundar tanto na personagem-título: o filme acaba por não ir muito além do que já foi apresentado sobre Valak em Invocação do mal 2. Por outro lado, tem o mérito de amarrar muito bem toda a trama no universo cinematográfico estabelecido até agora, conectando a história com várias referências aos outros filmes da série. 

Com fotografia elegante, ótimos cenários e bom ritmo, além de um bem utilizado senso de humor (sobretudo a cargo de Jonas Bloquet, responsável por interpretar Frenchie, o camponês que guia Irene e Burke), A freira parece se encaixar muito bem no universo de Invocação do mal, ao mesmo tempo em que mantém a assinatura do diretor Corin Hardy. Apesar de apostar nos inevitáveis sustos baseados em aparições inesperadas, acompanhadas de efeitos sonoros barulhentos, há, sim, uma boa construção da atmosfera de terror, com bom uso de silêncios e cenários inevitavelmente medonhos. Merece citação também a ótima performance de Taissa Farmiga, que não só convence no papel de noviça como mostra reforça a vocação para filmes do gênero e entrega uma personagem forte e bem desenvolvida dramaticamente. 

É um eficiente filme de gênero, bem atuado, e que entrega exatamente aquilo que promete exatamente aquilo que promete: horror e sustos, em uma narrativa que não deixa de lado o fator diversão. 

*O repórter viajou a convite da Warner Bros.




Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.