Literatura Biografia celebra a trajetória do pernambucano Carlos Ranulpho, o Mercador de Beleza Descobridor de talentos e negociante hábil, o marchand ganha livro lançado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe)

Por: Breno Pessoa

Publicado em: 30/08/2018 08:31 Atualizado em:

A publicação é o 15ª título da coleção Memória, dedicada a biografar personalidades da história política e cultural do estado. Foto: Cepe/Divulgação
A publicação é o 15ª título da coleção Memória, dedicada a biografar personalidades da história política e cultural do estado. Foto: Cepe/Divulgação

Uma história de arte, nome da exposição que a galeria Ranulpho (Rua do Bom Jesus, 125, Bairro do Recife) inauguranesta quinta-feira (30), às 19h, tem duplo significado. É tanto sobre o legado histórico dos artistas e obras selecionados, quanto em relação ao próprio marchand que dá nome ao local, Carlos Ranulpho, 90 anos. Com mais de cinco décadas de atividades, ele tem a biografia contada no livro Carlos Ranulpho - O mercador de beleza (Cepe, 250 páginas, R$ 80), de Marcelo Pereira, que será lançado na ocasião. A publicação é o 15ª título da coleção Memória, publicada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), dedicada a biografar personalidades da história política e cultural do estado.

Embora seja dedicado a Carlos Ranulpho, o livro acaba por contar também um pouco da história de grandes artistas do cenário nacional, já que as trajetórias deles estão, direta ou indiretamente, relacionadas à atuação do marchand. Entre esses nomes, Vicente do Rego Monteiro, Lula Cardoso Ayres, Cícero Dias, Wellington Virgolino, João Câmara, Aldemir Martins, Iberê Camargo, Maria Carmem, Portinari, Volpi, Mário Nunes, Teruz, Brennand, José Cláudio, Reynaldo Fonseca, José de Moura, Delano, Aloísio Magalhães e Guita Charifker.

A Ranulpho, é creditada a formação de um público local consumidor de arte, algo praticamente sem difusão nos anos 1970, quando começou a investir em mostras e exposições no Recife. “Ele está sempre absorto pela tarefa de aumentar a qualidade concreta da realidade social. É o que tem feito pela arte e pela distribuição dela. Ele é dos que constroem o cosmo onde antes havia apenas matéria caótica”, afirma o curador e crítico de arte Jacob Klintowitz, em texto introdutório no livro. “E tem um admirável olho para a arte, pois, ao longo de tantas décadas, passaram por suas mãos hábeis muitos dos melhores artistas brasileiros”, acrescenta.

Apesar de muitos dos artistas associados a Ranulpho serem hoje nomes consagrados nacional e internacionalmente, o galerista segue de olho em novos talentos. Em 2015, por exemplo, ele incluiu como destaque em uma exposição o jovem Rafael Guerra, então com apenas 28 anos, e o mais novo entre os artistas selecionados. “Mesmo resistindo às inovações, a Galeria Ranulpho, nesses mais de 50 anos de existência, é responsável pelo lançamento e profissionalização de excelentes artistas, não apenas de Pernambuco, como também de vários outros estados do Brasil”, reforça a professora do Departamento de Teoria da Arte da UFPE, Ana Elisabete de Gouveia, no prefácio do volume.
 
Pelo menos parte do reconhecimento alcançado por alguns artistas pode ser creditado ao faro de Ranulpho, a exemplo do xilogravurista J.Borges. “Ranulpho procurou o dramaturgo e escritor Ariano Suassuna para lhe mostrar as matrizes de gravuras que adquirira de J. Borges. Ariano ficou surpreso, pois não conhecia, e com o maior entusiasmo declarou que, depois de Samico, ele era o maior gravador do Brasil”, narra o jornalista Marcelo Pereira no livro.

Aliás, Ariano Suassuna também esteve entre os artistas presentes no acervo do marchand. Pereira conta que, em meados de 2015, Carlos Ranulpho encontrou, ao acaso, 22 desenhos originais do escritor, feitos para O romance da d’A Pedra do Reino e o príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. Ranulpho não lembrava mais que possuía os desenhos e acabou por levar as obras de volta para a família do paraibano.


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