arte Filme sobre irmãos albinos pernambucanos participa de Festival Internacional em São Paulo Com direção de Lívia Perini, Cor de Pele enfatiza os conflitos e os desafios que a pigmentação da pele é capaz de provocar na vida de uma criança

Por: Mabson Rodrigues - Diario de Pernambuco

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 24/08/2018 15:35 Atualizado em: 04/10/2018 16:42

O filme foi selecionado para participar do um dos maiores eventos ligados ao cinema do país. Foto: Patrick Tristão
O filme foi selecionado para participar do um dos maiores eventos ligados ao cinema do país. Foto: Patrick Tristão

Não existem diferenças onde há amor. Essa é uma das lições deixadas pelo o filme, Cor de Pele, curta metragem gravado em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A película conta a história de três irmãos albinos, vivendo numa família multirracial, numa cidade onde impera a cultura afro e o calor. O filme foi selecionado para participar do um dos maiores eventos ligados ao cinema do país, o Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, que ocorre até o dia 2 de setembro, na capital paulista. 

Com direção de Lívia Perini, cineasta responsável por produções como o programa Rainha da Cocada, veiculado pelo canal GNT, Cor de Pele enfatiza os conflitos, as limitações e os desafios que a pigmentação da pele é capaz de provocar na vida de uma criança. O documentário traz um olhar lúdico e infantil, através de depoimentos feitos por Kaun, um garoto albino de 11 anos, revelando sua rotina e a convivência com familiares e amigos. 

Em forma de homenagem, o filme foi baseado no ensaio fotográfico A Flor da Pele, do premiado fotógrafo pernambucano, Alexandre Severo, morto num acidente de avião em 2014. De acordo com Lívia Perini, diretora do curta, a história dos irmãos olindenses tem chamado a atenção do Brasil e de alguns países no mundo por trazer em sua construção a leveza e a doçura das crianças diante das adversidades. “Desde o inicio o foco sempre foi fugir das polemicas ligadas ao sofrimento, ao racismo ou preconceito. Nós queríamos um filme infantil, a partir do olhar das crianças diante de uma situação delicada. E foi isso que chamou e chama a atenção no filme, os relatos, a forma com que a história é contada, através da graciosidade do Kaun e de seus irmãos”, explicou. 

O curta ganhou o prêmio de melhor roteiro e direção durante a 11ª edição do Curta Taquary. Foto: Patrick Tristão
O curta ganhou o prêmio de melhor roteiro e direção durante a 11ª edição do Curta Taquary. Foto: Patrick Tristão


Produzido pela produtora cinematográfica recifense, Karla Laet, que atuou em projetos como os longas, Ilha da Ausência Azul e Organismo, o curta, Cor de Pele levou cerca de três anos para ficar pronto. A cineasta pernambucana de 36 anos se apaixonou pela história dos irmãos e passou a acompanhar a rotina das crianças e da família por vários dias. Segundo Laet, a convivência com os personagens foi cercada de lições de amor, companheirismo e superação. “Eu fiquei encantada com o projeto logo de cara. A partir daí, foram meses convivendo com as crianças e cada dia que passava era uma nova lição de vida, de superação que mexia não só comigo, mas com toda a equipe. Foram dias incríveis, que ficaram para sempre na nossa memória”, afirmou Karla.

Para os responsáveis pelo projeto, o resultado de Cor de Pele não poderia ter sido melhor. “Cada pessoa que assiste o filme é impactada de um jeito. Em festivais tem gente que chora, gente que ri. E foi isso que nós queríamos desde o inicio, mostrar uma situação de vida diferente pelos olhos de uma criança, sendo fiel ao sentimento dela. O filme ficou leve como a vida de uma criança deveria ser, sendo ela rica, pobre, branca ou negra”, completou. 

Desde seu lançamento, Cor de Pele tem participado de diversos festivais do Brasil e do mundo como Arizona Internacional Film Festival, Brazil Internacional Film Festival, Mostra Brasil 10, Festival de Triunfo entre outros. O curta ganhou o prêmio de melhor roteiro e direção durante a 11ª edição do Curta Taquary, em Pernambuco. Nos próximos meses, a obra será incluída também na programação de eventos em São Francisco e Boston, nos Estados Unidos e ainda em Toronto, no Canadá. 


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