Música Banda Torpedo cancela agenda de shows após falecimento de Deivison Kellrs Corpo do artista falecido no último domingo foi sepultado em meio a emoção e tumulto, no Cemitério de Santo Amaro

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 22/08/2018 17:48 Atualizado em:

Os cantores Luiza Ketilyn, Francyne Roper e Júnior Dieckman dão continuidade ao grupo. Foto: Instagram/Reprodução
Os cantores Luiza Ketilyn, Francyne Roper e Júnior Dieckman dão continuidade ao grupo. Foto: Instagram/Reprodução


Após a morte do vocalista Deivison Kellrs, falecido no último domingo (19) por complicações de um câncer no fígado, a banda Torpedo decidiu cancelar a agenda de shows. "Nesse momento de dor e consternação, a banda Torpedo optou pelo cancelamento da agenda até dia 31 de agosto, devido ao luto em memória ao nosso guerreiro Deivison Kellrs. Pedimos a compreensão dos contratantes e empresários", informou o grupo através de um comunicado. 

A luta de mais de um ano contra um câncer no fígado e a força com a qual encarou a doença sensibilizaram até quem não conhecia o trabalho do cantor e compositor de 30 anos. Prova da popularidade e da comoção se deu durante o sepultamento no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, onde centenas de pessoas se juntaram para dar o último adeus ao artista. O momento reuniu músicos da cena brega recifense, familiares, amigos e admiradores. Apesar do tumulto, foi marcado pela emoção. Um verdadeiro coral de fãs entoou trechos de canções conhecidas na voz do vocalista da Torpedo, como a faixa Fase ruim, que fala sobre o fim de um relacionamento, mas ganhou novo significado após o diagnóstico de câncer. 


Deivison faleceu após uma parada cardíaca, na tarde de domingo (19), por complicações do câncer no fígado. O quadro de saúde se agravou no dia 10 de agosto, quando ele foi transferido para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de uma unidade hospitalar no Derby e passou a respirar com a ajuda de aparelhos. Segundo a equipe médica, por conta do estágio avançado da doença, as sessões de quimioterapia foram suspensas, o transplante de fígado foi descartado e as fortes dores abdominais estavam sendo controladas com morfina. O corpo do cantor foi velado na Câmara dos Vereadores e, em seguida, o cortejo seguiu para o Cemitério de Santo Amaro. O caixão, maior que o espaço destinado, precisou ser colocado sem tampa no jazigo. Os seguranças do cemitério e guardas municipais tiveram que usar armas de choque para conter o tumulto.

 

"Procurava não chorar perto dele, mesmo quando o quadro de saúde se agravou. Deus me deu Deivison e agora o levou para perto dele. Ele está em um lugar melhor. Fica um sentimento de tristeza e, ao mesmo tempo, de alegria, por ver todos esses fãs que ele cativou. Obrigada a todos pelo apoio", comentou o pai do artista, Marcos Antônio da Silva, 50 anos. "As músicas dele eram para todas as idades. As crianças adoravam e ele será sempre lembrado", concluiu. Deivison deixou um filho único, David Renan, de 9 anos.

 

Os integrantes do fã-clube Revanche fizeram uma camisa especial para ir ao velório e enterro. "As músicas eram marcantes e românticas. Ele também era sempre atencioso com a gente nos shows", lamentou a estudante Jennifer Nascimento. Vários artistas do movimento brega recifense compareceram ao local. As cantoras Francyne Roper, última parceira de Deivison, e Tayara Andreza, ex-vocalista da Torpedo, acompanharam as homenagens. Nomes como Michelle Melo, Kelvis Duran, Troia, Eduarda Alves e Isa Falcão também marcaram presença.

 

Ao lado de Tayara, Deivison participou do boom do brega recifense. A banda Torpedo começou em 2011 e conquistou o público com músicas como Diz na minha cara, Nosso relacionamento, Revanche e Foi amor, registradas no DVD Uma verdadeira história de amor (2013), show gravado no Clube Português, com 18 mil espectadores. “Ele deixa um legado de muito sentimento nas músicas. Eram letras reais que todas as pessoas vivem”, disse Ítalo Monteiro, da ProRec, uma das principais produtoras de clipes no estado. A companhia tem um arquivo inédito, um clipe da música Ausência, gravado com a formação antiga da banda Torpedo, antes da saída de Tayara Andreza. Os empresários avaliam se o material será divulgado na internet.

 

“Ele era muito carismático. Não é todo artista que consegue ter essa relação com o público e ele tinha presença de palco e muito talento. Era um artista diferente”, aponta Jozart, empresário da banda Sedutora e de Eduarda Alves. “Ele trouxe muitas novidades para o brega, como misturar o batidão romântico e elementos mais modernos, novas sonoridades. Era um grande artista”, elogia DJ Serginho, que ajudou Deivison a entrar na primeira banda de brega, Beijo da Paixão.

 

Solidariedade

O cantor Deivison Kellrs foi diagnosticado com câncer em julho do ano passado, quando precisou se ausentar dos palcos para tratar a doença. Desde então, ele se submetia a sessões de quimioterapia e medicamentos. A banda Torpedo manteve a agenda de shows e passou a ser comandada por Luiza Ketilyn, Francyne Roper e Júnior Dieckman. O empresário do grupo, Silvano Melo, produziu o evento #TodoscomDeivisonKellrs, realizado no N.B. Society Club, na Bomba do Hemetério, com adesão de vários artistas do brega, como Sedutora, Swing do Amor, Torpedo, Michelle Melo, MC Elvis, Dadá Boladão, MC Tocha, MC Japão, Roginho, Danilo Bolado, Clebinho, Anderson Roger, Espartilho e Banda Infiel. Os valores arrecadados foram doados para o tratamento do artista.



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