Entrevista Banda Atitude 67, que mistura de rap com pagode, faz primeiro show no Recife O grupo é empresariado por Thiaguinho e se tornou conhecido com o hit Cerveja de Garrafa

Por: Marina Simões - Diario de Pernambuco

Publicado em: 18/08/2018 09:00 Atualizado em:

Os artistas abriram mão dos seus empregos - jornalista, advogado, empresário, arquiteto, administrador e oceanógrafo - e apostaram na carreira a partir de 2016
Os artistas abriram mão dos seus empregos - jornalista, advogado, empresário, arquiteto, administrador e oceanógrafo - e apostaram na carreira a partir de 2016


Seis rapazes entre 29 e 31 anos, naturais de Campo Grande (MS), terra onde o sertanejo tem força, formam a banda  Atitude 67, que optou por tocar pagode e se destacam por fugir do óbvio quando o assunto é sonoridade. O grupo emplacou com o hit Cerveja de garrafa e traz repertório autoral cheio de gingado para o primeiro show no Recife, neste sábado, a partir das 22h, no Itaipava 14. A noite também terá Rafa Mesquita e o grupo Sambar & Love. Os ingressos para a festa custam R$ 80, e estão à venda nas lojas Figueiras e no site Bilheteria Digital.

Dentro do gênero, os barbudos estão mais próximos do pagode paulista ou pagode romântico, que se popularizou após os anos 1990 com letras de amor e grupos numerosos como Jeito Moleque, Sorriso Maroto, Inimigos da HP, entre outros. "A gente não quer ser taxado. Uma galera diz que não é samba e o público do rap diz que não é rap. Ninguém quer nos assumir", brinca o líder da banda Pedrinho Pimenta, autor da maioria das letras. A banda é formada por Pedrinho (vocalista), Éric (violão e vocalista), Karan (pandeiro e vocalista), GP (rebolo), Leandro (reco reco) e Regê (surdo), que são amigos de infância e se juntaram de forma despretensiosa, o que pode ter contribuído para a fórmula dar certo. "A banda já tem 15 anos, mas antes a gente não levava a sério. Era banda de colégio, só tocava festas de aniversários e churrasco de amigos. Em 2016, a gente resolveu apostar, pedimos demissão dos nossos empregos, e nos mudamos para São Paulo", conta. 

A trajetória do grupo é recente e ganhou o empurrão das redes sociais. Os artistas abriram mão dos seus empregos - jornalista, advogado, empresário, arquiteto, administrador e oceanógrafo - e apostaram na carreira a partir de 2016. No ano passado, gravaram e lançaram o primeiro disco, Atitude 67 – Ao vivo, pela Universal Music. No repertório, estão faixas autorais como Saideira, Cerveja de garrafa, Dia X, Parede, Linda de mar, Quinto andar, Vou te escrever um rap, Casal do ano e Desarrumar. 

A produção da banda é assinada por Dudu Borges, o arranjador por trás das carreiras de artistas como Luan Santana, Michel Teló e  Gusttavo Lima. O Atitude 67  agradou o cantor Thiaguinho e chamou a atenção de Neymar e outros jogadores de futebol, que compartilharam vídeos no Instagram.



Entrevista // Pedrinho Pimenta, cantor e compositor

A repercussão e sucesso da música Cerveja de garrafa foi uma surpresa? 
Escrevi Cerveja de garrafa para minha namorada. A música é biográfica. Eu estudava e trabalhava perto dela e toda vez que a gente ia sair, dizia que preferia tomar uma cerveja de garrafa porque nos bares é comum ter long neck ou chopp. Como a gente era estudante, a de garrafa era mais barata. A música foi lançada em outubro de 2017 e teve muito compartilhamento na internet. Vimos muita gente repostando, marcando amigos e artistas e jogadores de futebol. Rolou essa identificação imediata com o tema. Acho que por ser uma situação muito cotidiana. E a partir daí o público passou a nos conhecer e foi curtindo as outras canções. 

Como surgiu a banda?
Somos amigos de infância e nossos pais são muito próximos. Nos tornamos a segunda geração de amizades. A banda já tem 15 anos, mas antes a gente não levava a sério. Era banda de colégio, só tocava festas de aniversários e churrasco de amigos. Em 2016, a gente resolveu apostar, pedimos demissão dos nossos empregos e nos mudamos para São Paulo. A banda não tinha empresário, nem produtor. Fomos bater na porta dos bares e pedir para tocar. Conquistamos o circuito de bares da Vila Madalena. Até que compomos para uma cantora do estúdio do Dudu Borges e ele deu uma chance pra gente. 

Thiaguinho apadrinhou a banda. Como aconteceu essa aproximação?
Essa relação começou a partir do Dudu Borges. Fizemos uma música, O seu tom, e ele mandou para o Thiaguinho sem nos contar. Thiaguinho cresceu em Ponta Porã, também no Mato Grosso do Sul, e teve essa identificação logo de cara. Ele acabou gravando a nossa música no disco Só vem!, curtiu nosso som e apadrinhou o projeto como empresário. Já gravamos Saideira com ele também. 

Como escolheram o nome da banda? 
Somos banda de Atitude desde o início. Lá em Campo Grande, cidade bem voltada para o sertanejo, todos os nossos amigos também curtiam. A gente 'colava' no rap e foi aí que definimos essa atitude de ser diferente. Quando chegamos em São Paulo, era comum passar nosso número para os donos das casas e contratantes e o DDD do Mato Grosso do Sul é 67. Isso pegou. Na noite já nos apontavam o Atitude 67, se referindo a nossa origem. 

Vocês são considerados artistas da nova geração do pagode. O que caracteriza essa renovação?
Somos seis e respeitamos muito a opinião de cada um nesse projeto. São caras que tiveram influências musicais diversas e, na hora de compor, sempre é levado em consideração a opinião do outro. Temos um pouco de reggae, sertanejo, rap e também dos sambas antigos. As referências diversas deu essa mistura. 

O sertanejo é um dos ritmos em maior evidência, vocês remaram contra a maré ao eleger o pagode?
Me sinto na maré e não contra ela. Não adianta a gente ficar apontando o dedo ou questionar. A indústria do sertanejo é de fato muito competente, pois é feita por artistas que estão sempre unidos, são bons no que fazem e se fortalecem entre si. Não queremos remar contra. Fazemos o nosso som, mostramos as músicas para o Dudu Borges e ele colocou a magia dele como produtor. O resultado foi muito autêntico. Não levantamos a bandeira de samba, mas é esse som que a gente faz desde moleque e que vem melhorando a medida que ficamos mais experientes. 

Você já cantaram com Thiaguinho, Mariana Rios e Anavitória. Que outras parcerias podem surgir?
Temos muitos ídolos e é difícil citar os nomes. Mas queremos trabalhar com artistas que quiserem agregar. Estamos abertos. Tenho o sonho pessoal de fazer algo com Jorge Ben, mas talvez seja muito distante. Temos uma música gravada, que será lançada com a banda Otelo. É muito legal. 

Serviço
Quando: Sábado, às 22h
Onde: Itaipava Catorze ( Avenida Alfredo Lisboa, S/N, Bairro do Recife)
Hora: 22h
Ingressos: R$ 80 - à venda nas lojas Figueiras Calçados, comissários e shoppings e online pela Bilheteria Digital
Informações: 3441-9660


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