Artes plásticas Arnaldo Antunes celebra as palavras em exposição no Recife A mostra Palavras em Movimento promove um passeio por caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos realizados em toda sua carreira artística

Por: Caio Ponciano

Publicado em: 16/08/2018 10:51 Atualizado em: 16/08/2018 20:26

Foto: Paulo Winz/Divulgação
Foto: Paulo Winz/Divulgação

O cantor, compositor e poeta Arnaldo Antunes - que esteve no Recife na semana passada com show da banda Tribalistas - volta à capital pernambucana, desta vez para mostrar uma outra vertente: a de artista plástico. A exposição Palavra em movimento, que marca os 30 anos de produção visual do multiartista, aporta na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife) de hoje a 14 de outubro. 

Sob a curadoria de Daniel Rangel, a mostra promove um passeio pelas três dimensões - verbal, vocal e visual - da obra de Antunes e reúne, em ordem cronológica, caligrafias, colagens, instalações e objetos poéticos realizados em toda sua carreira artística. “O público mais desavisado vai chegar procurando Arnaldo Antunes tribalista e vai encontrar Arnaldo Antunes artista. A exposição é de artes visuais, com serigrafias, objetos, esculturas e uma série de trabalhos onde ele experimenta as linguagens das artes visuais e a palavra como tensão”, diz o curador.

Em Palavra em movimento, cada período da vida de Arnaldo foi trabalhado sobre um suporte. Nos anos 1980, ele se dedicou a colagens. Na década de 1990, começou as serigrafias. Já no começo dos anos 2000, Arnaldo fez vídeo e começou a experimentar os primeiros objetos.

“Na série de fotografias, tem a exposição Luz escrita, com uma série de trabalhos com luz, e a Interno exterior, uma série de caixinhas de porta-retrato digital, que se conecta com o trabalho das colagens de 1980”, continua Daniel. “Fiquei na casa do Arnaldo por um bom tempo, revirando coisas antigas dele. A gente ficou mais ou menos seis meses construindo a curadoria da exposição, vasculhando tanto arquivos digitais, quanto pessoais e físicos, atrás dessas obras.”

Além da leitura, a mostra propõe uma interatividade mais direta com o público em alguns trabalhos particulares, nos quais os visitantes podem tocar na obra. A exposição, que já passou por São Paulo, Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro, Florianópolis e Salvador, sempre conta com a presença do artista desde a montagem até a inauguração.

“Arnaldo sempre tem muito o que falar desse processo. Eu acho que a arte é como uma espécie de refúgio poético para ele, porque ele vive tanto a música mais profissionalmente e as artes visuais se torna um local onde ele experimenta com maior liberdade”, conclui Daniel. A abertura ocorre nesta quinta-feira (16), às 19h, com acesso gratuito.



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