Luto Familiares e artistas do teatro pernambucano lamentam a morte de José Pimentel Artista faleceu nesta terça-feira, no Hospital Esperança, aos 84 anos

Por: Marina Simões - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/08/2018 11:50 Atualizado em: 14/08/2018 14:09

Artista interpretou Jesus por 20 anos na Paixão de Cristo do Recife. Foto: Paulo Paiva/DP
Artista interpretou Jesus por 20 anos na Paixão de Cristo do Recife. Foto: Paulo Paiva/DP

Após a notícia do falecimento do ator e diretor José Pimentel, 84 anos, conhecido por viver Jesus Cristo, familiares, artistas e produtores de teatro, políticos e figuras da cena cultural lamentaram a morte do diretor e se despediram de um dos grandes defensores do teatro pernambucano. 

José Pimentel foi vítima de complicações por um enfisema pulmonar. Ele faleceu às 9h30 desta terça-feira (14), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Esperança, na Ilha do Leite, onde estava internado desde a última quarta-feira (8). O artista estava respirando com a ajuda de aparelhos e sendo submetido a sessões de hemodiálise. A família ainda não definiu os horários do velório e sepultamento.

Confira os depoimentos:

Bruna Pimentel, neta
Sábado foi o último dia que entramos em contato com ele. Ele ainda respondia e mexia as mãos. No domingo já ficou debilitado. Meu filho se chama José Pimentel, igual ao nome do avô. Ele disse que o bivô Tetel estava furado e que não queria tocar no assunto. Parece que a criança sente. Sempre o acompanhei em tudo, como diziam: fui a menina dos olhos dele. Tanta coisa que aprendi com meu avô. A tratar as pessoas como iguais e atender a todos, não ter diferenciação. Meu avô tinha essência fora do comum, uma humanidade ímpar, que todo mundo adorava. Quero levar isso comigo e vou passar para o meu filho. Ele é um orgulho para a família. 

Paula de Renor, atriz, produtora e diretora
Uma das maiores emoções de minha vida artística, foi em 1997, na estreia da 1ª Paixão de Cristo no Recife, no estádio do Arruda. Fui assistir ao fim do espetáculo nas arquibancadas junto com o público, logo após terminar minha cena e não acreditava que depois de tantos problemas de tempo e recursos, tudo estava tão perfeito e lindo! Pensei: esse cara é inacreditável. Ele pode tudo! E ele pôde de fato! Conseguiu mobilizar espontaneamente e unir artistas de várias gerações de teatro, dos Oliveiras a Trupe do Barulho. Ele não era de fato o filho de Deus, mas fazia milagres! Admiro e devo muito a Pimentel! Ele me deu o maior sucesso de bilheteria, Besame Mucho, em 1988, criou a personagem Cláudia, mulher de Pilatos para mim, e me presenteou com uma cena de oito minutos junto com Tibi (Octávio Catanho). Me deu Ana Paes, na Batalha dos Guararapes e, me deu acima de tudo, seu respeito, talento, lealdade  e um exemplo de resistência. Estamos perdendo o mais popular e querido artista de teatro do Estado. Um de nossos maiores patrimônios.

Cleodon Coelho, escritor
Ele era um homem que surpreendia a todo momento. O halterofilista que foi parar no teatro como figurante da Paixão de Cristo. Para escrever o livro, fiquei indo ao encontro dele uma vez por mês, ao longo de 2017. Passava uma tarde inteira conversando. Quando o livro ficou pronto, li para ele e foi uma experiência muito interessante. Ele dava uns risos, fazia uns resmungos: 'Eu fiz isso mesmo?". E não alterou nada, não questionou o estilo e conteúdo. Essa era a maneira dele aprovar o resultado. Não esperava que ele dissesse que estava maravilhoso. O modo Pimentel de gostar era aquela risada. Saí bem feliz da  casa dele. Me orgulho de ter contado essa história. Apesar do apego à figura de Jesus, que ele nunca abandonou, ele era muito mais que esse papel. 

Geraldo Julio, prefeito do Recife
Foi com muita tristeza que recebi a notícia do falecimento do ator e diretor José Pimentel. Um homem cuja história de vida se confunde com a história da dramaturgia pernambucana, principalmente nos espetáculos da Paixão de Cristo do Recife e de Nova Jerusalém. Deixo aqui registradas minhas condolências aos familiares e amigos.

Prefeito do Recife Geraldo Julio e José Pimentel, no bairro do Recife. Foto: Andréa Rêgo Barros/ArquivoPCR
Prefeito do Recife Geraldo Julio e José Pimentel, no bairro do Recife. Foto: Andréa Rêgo Barros/ArquivoPCR


Sandra e Alfredo Bertini, diretores do Cine PE
Como cidadãos e também profissionais engajados na causa cultural, manifestamos nosso mais profundo pesar pela perda de José Pimentel. Que sua luta de ontem sirva de combustível para o necessário entendimento de que o fazer Cultura e, por extensão, o entretenimento representa o exercício de uma nova realidade econômica, também ditada pelos valores da inovação, da informação, da criatividade e do conhecimento. 

Renato Phaelante, ator
Pimentel é sem dúvida um guerreiro. Homem que trabalhou pela cultura no Estado. Como ator do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), resolvi dar as mãos a Pimentel quando ele foi jogado para fora de Jerusalém. Ele é sem dúvidas um homem que merece todo o respeito de Pernambuco. Tenho um respeito muito grande por ele e o admiro. Como diretor, nos relacionamentos muito bem. As brincadeiras que faziam para irritá-lo sabendo que ele era um brusco e que gostava de ser provocado. 

Vanda Phaelante, atriz
Fui a primeira mãe dele na Paixão de Cristo do Recife. Passei 12 anos interpretando Maria. Apesar de ser meio 'pipocado', as pessoas já riam das respostas e reações dele. Ele se irritava quando era erguido de forma errada na cruz e a gente ficava acalmando para que ele não falasse palavrão: Olha o telão! Ele tinha uma interação maravilhosa no palco. Pimentel aparentava ser uma coisa e era outra. Tinha o coração muito bom e ajudava muito as pessoas que estavam ao lado dele. 

Leidson Ferraz, pesquisador e jornalista
Podemos destacar a trejetória de Pimentel e a importância da qualificação de espetáculos ao ar livre que ele trouxe para o estado. Ele pensava a sonorização e  iluminação, e propôs que as falas fossem gravadas, ajudou a qualificar tecnicamente e trouxe muitas inovações aos grandiosos espetáculos ao ar livre. Sempre o admirei muito e ele era um mito. Comecei a fazer teatro depois de ter visto a Paixão de Cristo em Jerusalém. Ele foi minha inspiração. Ele era um misto de Peter Pan com Seu Lunga, que reclamava de tudo. Mas na convivência, você descobre um ser humano fantástico.


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