Música Em clima nostálgico, Rouge faz seu primeiro show no Recife A capital pernambucana foi escolhida para a última apresentação da turnê de revival do grupo pop que foi uma febre nos anos 2000

Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 11/08/2018 10:19 Atualizado em:

Mais maduras como artistas e pessoas, elas reencenam as coreografias icônicas e trazem a harmonia entre as cinco vozes. Foto: Carol Caminha/Divulgação
Mais maduras como artistas e pessoas, elas reencenam as coreografias icônicas e trazem a harmonia entre as cinco vozes. Foto: Carol Caminha/Divulgação


Seis mil garotas são selecionadas para competir em rigorosas audições de canto, dança e carisma, enquanto tudo é televisionado com sucesso de audiência. O objetivo é formar a girl band mais bem sucedida do Brasil. Poderia ser o roteiro de alguma distopia sobre a indústria do entretenimento, mas foi dessa forma, em 2002, que o grupo Rouge surgiu e tornou-se uma verdadeira febre entre crianças e adolescentes.

Em 2017, após 11 anos do término, o quinteto pop surpreendeu os fãs e decidiu embarcar em uma turnê de revival, intitulada Rouge 15 anos. O último show será realizado no Clube Português, Zona Norte do Recife, neste sábado, a partir das 22h. Essa também será a primeira apresentação do grupo em Pernambuco.

Aline Wirley, Fantine Thó, Karin Hils, Li Martins e Lu Andrade foram as jovens que venceram o reality show Popstar (SBT) e realmente conseguiram a façanha de formar o grupo feminino que mais vendeu discos na história do país - foram seis milhões de cópias com quatro álbuns lançados. A musicalidade pop totalmente importada das paradas globais conquistou o público teen. Os shows esgotavam com facilidade, produtos licenciados se multiplicavam e os singles eram reproduzidos em repeat nas rádios, sendo lembrados até hoje quando assunto esbarra em “canções nostálgicas dos anos 2000”.

Foto: E3 Fotografia/Divulgação
Foto: E3 Fotografia/Divulgação

Com direção do pernambucano Pablo Falcão (responsável pelo selo de festas Chá da Alice), a atual turnê já percorreu todo o Brasil com a proposta de relembrar esses sucessos do passado (Ragatanga, Brilha La Luna e Anjo Veio me Falar) com as novidades do grupo, que reatou contrato com a Sony Music, lançou o single Bailando e incluiu todo o catálogo nas plataformas de streaming, após anos de imbróglios jurídicos.

Mais maduras como artistas e pessoas, elas reencenam as coreografias icônicas e trazem a harmonia entre as cinco vozes. Desta vez, sem o julgamento da imprensa (que as chamavam de “fabricadas”) ou coerção de empresários. Agora, as coisas parecem fluir com mais naturalidade nos palcos e nos bastidores. Foi justamente aquela pressão do início que iniciou o processo de desgaste do quinteto. Cansada dos holofotes e do trabalho exaustivo, Lu Andrade saiu da banda em 2004 e voltou a morar com a mãe em Varginha (MG). Dois anos depois, o grupo se dissolveu.



Entrevista - Lu Andrade, integrante do Rouge

Por que o retorno agora?
Foi espontâneo. Eu não falava com as meninas há 15 anos. Certo dia, o Tiago Abravanel sugeriu uma reunião, na mesma época que o Pablo Falcão. A ideia era fazer uma festa e deu tudo certo. Nós lavamos a roupa suja, nos acertamos, e decidimos fazer quatro shows com o Chá da Alice (evento do Pablo), que depois virou um retorno sério.

O show no Recife vai encerrar a turnê. Como foi a experiência até aqui?
Foi incrível. É como se estivéssemos enxergando a nossa história de uma forma que não tivemos oportunidade antes. Eu, por exemplo, canto até em faixas que eu não tinha participado, pois já havia saído do grupo. Sentir o carinho dos fãs novamente e ver os shows sempre lotados trouxe um sentimento de cura. Realocou nosso local no mundo como artistas.

Quais as diferenças entre o grupo daquela época com o de hoje em dia?
Está tudo mais leve. Isso inclui o trabalho e o convívio profissional. Não levamos as coisas de forma tão pesada e enxergamos as dificuldades como forma de crescimento. Eu, por exemplo, quero viver de forma alegre com as meninas e aproveitar esses minutos juntas. Isso reflete muito a nossa maturidade. Naquela época, éramos jovens e vieram muitas responsabilidades junto com a fama. Hoje, conseguimos enxergar o Rouge como uma bênção.

Nos últimos anos, a música pop cresceu muito no Brasil. Acha que, ainda naquele tempo, o Rouge abriu portas para que isso acontecesse?
Acho que o Rouge foi o primeiro grupo pop do Brasil, digo um estilo pop importado da gringa. Naquele tempo, os produtores brasileiros nem tinham músicas para a gente, tivemos que pegar de fora e fazer novas versões. Justamente por isso sofremos muito preconceito. É legal ver o pop tão grande hoje. É um gênero muito permissivo e que abrange muita coisa, tudo é permitido. Acho que tem que crescer cada vez mais.

O Rouge foi uma febre no país. Consegue descrever como foi participar disso?
Confesso que eu achava tudo muito assustador. Eu não tinha muita noção do que foi o Rouge, até hoje não tenho e acho que nunca vou ter. Foi difícil para mim ser famosa da noite para o dia. Perder liberdades e ser explorada do jeito que fomos, mas hoje nós curtimos muito mais. Conseguimos andar na rua, as pessoas não reconhecem tanto, mas amam quando fazemos shows. Temos nossas vidas preservadas e, como já disse, tudo é mais leve.

SERVIÇO
Rouge - Tour 15 anos, com DJs Xande Medeiros, Vini V e Riana Uchôa
Onde: Clube Português (Avenida Conselheiro Aguiar, 172, Graças)
Quando: sábado, às 22h
Quanto: R$ 60 (pista) a R$ 170 (open bar), disponível no Sympla


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