Entrevista Marisa, Brown e Arnaldo trazem show inédito ao Recife:'Tribalistas é música de cura' Artistas trazem repertório renovado e mensagem de união, carinho e respeito

Por: Marina Simões - Diario de Pernambuco

Publicado em: 10/08/2018 14:45 Atualizado em: 10/08/2018 15:15

Tribalistas cumprem agenda, nesta sexta-feira (10), no Centro de Convenções. Foto: Daniel Mattar/Divulgação
Tribalistas cumprem agenda, nesta sexta-feira (10), no Centro de Convenções. Foto: Daniel Mattar/Divulgação


São três gigantes da música: Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Juntos, dão os tons das cores, formatos, poesia e sons para os Tribalistas, em única apresentação, nesta sexta-feira (10), às 21h, no Centro de Convenções de Pernambuco. O projeto, que estreou em 2002 apenas em CD, ganha turnê inédita com repertório renovado e mensagem de união, carinho e respeito. "Tribalistas é música de cura", aponta Carlinhos Brown, em entrevista ao Viver.

Até então, o encontro de Marisa, Brown e Arnaldo não havia se consolidado no palco. "O show dos três é a primeira vez. É sempre uma grande alegria e prazer ter o privilégio de dividir o palco com eles. Uma divisão que soma, um ajuda o outro e vai complementando", afirma Marisa Monte. A turnê começou em Salvador e vai finalizar com dez apresentações até setembro. 

Os artistas explicam que nunca interromperam a parceria, e que esses anos permitiram muita troca, sem grandes pretensões, contabilizando 56 músicas juntos. No ano passado, a banda lançou o segundo álbum, composto por dez faixas. Entre elas, Um só, Trabalivre, Baião do mundo, Fora da memória, Aliança e Feliz e saudável.

No palco, eles são acompanhados por Dadi Carvalho (baixo, guitarra, bandolim e teclados), Pedro Baby (violão e guitarra), Marcelo Costa (bateria) e Pretinho da Serrinha (percussão). "A sonoridade dos violões está na mão de Marisa, e busco timbrar tudo a partir dela. Ela tem um toque muito especial. Faço o trabalho flutuante para acompanhar", conta Brown. O quarto elemento é a voz do público, que canta em coro ao relembrar sucessos como Velha infância, Já sei namorar, Passe em casa, Carnalismo, É você e outras. O espetáculo tem direção-geral de Leonardo Netto, direção de arte de Batman Zavareze e direção de produção de Simon Fuller. 

"Temos uma estrutura química e a psicografia de três de sentimentos bons. Isso fortalece a ideia que devemos continuar juntos. Penso em uma trilogia de Tribalistas. Não sabemos ainda se vai haver um terceiro disco. Mas se a gente sentar, em um dia fazemos, pois o encontro é sempre transbordante", sugere Carlinhos. 


Entrevista // Tribalistas

O que contribuiu para levar esse projeto ao palco?
Arnaldo: A expectativa não é só do público. Era uma equação complicada e só agora que conseguimos abrir esse espaço. Tivemos tempo de preparar, ensaiar e foi uma questão de agenda em comum mesmo. O Tribalistas é uma coisa que antecede o disco. A gente nunca parou de compor e de fazer coisas juntos. Mas chegou a hora.

Marisa: O desejo sempre existiu, mas a situação circunstancial impedia. São três artistas com carreiras sólidas, que vão para além da música, com arte, poesia e televisão. Eu, Carlinhos e Arnaldo somos muito produtivos e ativos. Logo no primeiro disco, eu tinha acabado de ter neném. Mas agora a gente conseguiu criar uma situação excepcional. É um momento feliz para nós. Uma situação rara e complexa de unir as agendas. Vai ser uma temporada curta, com um show por cidade. Mas estamos desfrutando com maior prazer. A gente nunca parou. 

As canções inéditas refletem a vasta referência musical do trio. Que mensagem há em comum?
Arnaldo: Não há apenas uma mensagem. Abordamos vários temas e de forma plural. A diversidade dos nossos olhares. São mensagens que estão implícitas na letra das músicas e na nossa vivência como grupo, que cria e reparte essa criatividade.

Marisa: A principal mensagem é o exemplo do nosso encontro. De respeito, do amor, da soma das diferenças que se complementam. Do que a gente pratica e que vai além das canções.

O anúncio da turnê criou um frenesi nos fãs. Como estão recebendo o carinho?
Arnaldo: Causa frenesi na gente também (risos). As pessoas cantam, batem palmas, balançam os braços juntos. É muito bonito de ver a música movendo essa energia. É realizador. 

Marisa: Estar com amigos no palco, o que tem melhor que isso na vida? Ver as pessoas celebrando, se abraçando, se beijando. Traz um Brasil leve, amoroso, que a gente ama, se identifica e sente saudade. Como fala a música: somos um só. A mensagem é essa. A gente é homem e mulher, é tudo.

Cada um carrega características e referências musicais. Como é a divisão de tarefas?
Carlinhos: É dotado de energia que fortalece a química que já existia. Eu sou viciado nos Tribalistas. Nunca tivemos interesse em ser um destaque na frente do outro. A gente quer destacar a música. Nossa energia criativa não está nem aí para quem faz o quê. Sou percussionista e sempre procuro adaptar o som com as notas de Marisa. Ela tem uma leitura de palavra bonita, então uso sons de madeira, coisas que somem. É um cuidado 'Gilbertiniano' para que o grupo ecoe em conjunto. Há essa energia viciante, que faz com que a química flua e a gente respeite os limites, sem forçar nada. 

Na construção da sonoridade, que caminhos decidiram trilhar?
Carlinhos: Esses arranjos foram afinados por belos pratos da cozinha brasileira nos nossos encontros em almoços, momentos na Bahia e na casa de Marisa. Da despretensão de ser alguma coisa, não somos individualizados. Nós somos fãs dos Mutantes, da Tropicália e bebemos na fonte de tudo Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho construíram. Temos uma conexão que não sei como explicar.

Desde 2002, muita coisa mudou, como as formas de fazer e consumir música e gerir a carreira. O que incluíram de novo no processo de criação? 
Arnaldo: Mudou muito como se ouve, comercializa e se convive com a música. Mas dentro disso tudo, o mais importante é a arte em si. A música pode ser feita no lápis e papel ou no teclado, mas a palavra é verbalizada e o afeto presente é muito real, continua a mesma coisa.

Serviço
Tribalistas
Quando: Sexta-feira (10), às 21h (abertura dos portões às 17h)
Onde: Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda
Ingressos: Pista - R$ 150 e R$ 75 (meia); Frontstage - R$ 190 e R$ 95 (meia). 
Informações: 3034-6162


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