livro Bráulio Bessa, poeta do Encontro com Fátima Bernardes, lança livro A obra Poesia que transforma é o primeiro trabalho do cearense

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 01/08/2018 13:52 Atualizado em: 01/08/2018 13:59

O sucesso do cearense começou na web em suas próprias redes sociais. Foto: Igor Barbosa/Divulgação
O sucesso do cearense começou na web em suas próprias redes sociais. Foto: Igor Barbosa/Divulgação

“Muita gente fala que eu digo o que as pessoas precisavam ouvir. E eu digo que não é só isso. Acho que, muitas vezes, é o que as pessoas precisam dizer.” É assim que o poeta Bráulio Bessa define o fato de ter sido, no ano passado, o artista mais assistido e mais compartilhado das plataformas da Rede Globo na internet, com 158 milhões de visualizações.

O sucesso do cearense começou na web em suas próprias redes sociais. A repercussão fez com que ele parasse na televisão e se tornasse, há três anos, participação fixa no programa Encontro com Fátima Bernardes. Toda sexta-feira, Bessa sobe ao palco e declama um poema sobre temas sensíveis e atuais, como depressão, suicídio, homofobia e racismo. Nesse período, mais de 100 assuntos deram origem às poesias, que desde o último dia 21 ganharam também as páginas em um livro, o primeiro da carreira do escritor, Poesia que transforma, de 192 páginas.

Lançada pela editora Sextante, a obra é a estreia de Bráulio Bessa nos livros e traz 30 poesias escolhidas a dedo. Todos eles tiveram algum efeito transformador, seja no próprio autor, seja nos fãs dele. Além dos poemas, o livro apresenta depoimentos de pessoas que relatam a influência das palavras declamadas por Bráulio na televisão em suas vidas.

Ideia

Esse poder transformador, inclusive, foi o que motivou o cearense a criar a obra. Durante uma palestra, ele ouviu uma pessoa que sofria de depressão falar que, após escutá-lo na tevê, desistiu de cometer suicídio. “O livro surge desse entendimento de que realmente existe um poder transformador na palavra, na mensagem e na poesia. O livro fala desse poder na minha vida, de um menino de 14 anos que não tinha praticamente sonho e de repente sonha em ser escritor, poeta e em transformar a vida das pessoas, até chegar nesse momento em que a minha poesia transforma e mostra o eu, Bráulio Bessa transformado, como agente transformador”, explica.

Depois do relato, Bessa foi até as redes sociais e pediu que os seguidores compartilhassem histórias parecidas. “Em 24 horas, recebi mais de 8 mil depoimentos. Entendi a abrangência que essa mensagem tem, porque eu vi depoimento de todo tipo de gente, com todo tipo de problema falando de uma variedade muito grande de poemas”, revela. A partir daí, teve a ideia do livro, mas não queria uma obra comum, apenas com as poesias. “Eu queria fazer um apanhado de poemas que tinha declamado nesses últimos anos, que já tivessem um efeito na vida das pessoas. Mas só que eu queria dar voz a quem foi transformado, daí surgiu a ideia de trazer alguns dos depoimentos colhidos desses mais de 8 mil”, completa.

Poesia que transforma começa com o principal poema de Bráulio, o texto Recomece, um dos mais conhecidos por ter se tornado viral na internet. Também no início, o cearense divide o início na literatura, que veio influenciada ao acesso à obra de Patativa do Assaré, poeta, compositor e repentista cearense. Nas demais páginas, os poemas de Bráulio dividem espaço com os relatos dos fãs do ativista cultural.

Poesia que transforma
De Bráulio Bessa 
Editora Sextante 
192 páginas. 
Preço médio: R$ 29,90 e R$ 19,99 (e-book).

Entrevista

Você começou a fazer sucesso na internet. Como isso se deu?
Fiquei fascinado pela poesia de Patativa do Assaré e, naquele dia, botei na minha cabeça que seria poeta, que faria um livro. Morando numa cidade pequena, tive essa sensibilidade de entender que o poeta popular nordestino, ele geralmente vai para a feira da cidade para declamar poemas o mais alto possível para chamar a atenção das pessoas e olhei para a internet e disse: “Está aí a maior feira do mundo, com todo o tipo de gente, não fecha hora nenhuma e não tem fronteiras”. Comecei a gravar vídeos de cordéis, poemas e assuntos diversos e publicar na internet.

Como aconteceu a oportunidade de entrar no Encontro?
Em 2014, alguém da produção viu um desses vídeos e me convidou para ir ao programa para falar do meu trabalho de luta pela valorização da cultura popular nordestina, não necessariamente sobre a poesia. Fui lá para falar do meu trabalho como ativista cultural e foi bacana. Me convidaram, então, para participar quando tivesse algum assunto relacionado à cultura nordestina, como uma espécie de especialista. Até que um dia declamei um poema e a plateia levantou e bateu palma. Deu aquele estalo e o diretor-geral perguntou se eu escrevia sobre qualquer coisa. E eu disse que escrevia sobre tudo. Ele me pediu para escrever um poema para o próximo programa com um dos temas. Aí, eu fiz, ele me falou que ia ser toda semana, que era a cara do Brasil e que a gente faria o povo brasileiro descobrir que gosta de poesia. Já são três anos.

Para você, qual é o motivo do sucesso de suas poesias?
Acho que essa empatia e essa conexão que existe é pura e simplesmente pelo fato de eu fazer a coisa com muito mais sentimento, do que talento e de ser algo orgânico, sem bolar estratégias para ser viral. Escrevo um dia antes. Normalmente escrevo na quinta à noite e na sexta-feira estou ali entregando a minha alma, o meu sentimento, é realmente o que eu sinto e inconscientemente as pessoas percebem isso.

Por ser um artista nordestino, como é para você ter essa repercussão por todo o Brasil?
Acredito muito que toda cultura, ela nasce local para ser global. Na internet, eu era o cara do Nordeste que faz poesia de cordel, de repente chego na televisão, eu sabia que estava falando para milhões de pessoas em todos os cantos desse Brasil, e eu disse que ia falar para o ser humano, para o povo e não só para o nordestino. A representatividade da minha cultura já está dentro de mim, do meu sotaque, na minha linguagem. Mas a minha mensagem ela tem que tocar o ser humano. Isso abriu uma estrada tranquila para eu viajar o Brasil todo. Faço feira de livro, eventos literários, palestras, bienais e é incrível como sou recebido no interior de São Paulo com o mesmo carinho que sou no interior da Paraíba. Hoje eu me considero um escritor brasileiro, que fala para o povo e tem essa liberdade de flutuar.

O livro teve uma ótima pré-venda. Como você recebeu isso?
O livro lançou em pré-venda e em 24 horas foi para o primeiro lugar da lista da Amazon. Eu fiquei assustado. A gente vive num país que desestimula a leitura... Então, isso gera uma expectativa e uma gratidão muito grande. O que me deixa mais grato é que esse livro, esse conteúdo, chega a todo tipo de público, quero que desperte o interesse para muitas crianças, mas também para os idosos e que tenha esse poder transformador.



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