MÚSICA Mais antiga em atividade ininterrupta do Brasil, Orquestra Sinfônica do Recife faz 88 anos Hoje, grupo é formado por 85 membros e comandado pelo maestro Marlos Nobre, de 79 anos

Por: Mabson Rodrigues - Diario de Pernambuco

Publicado em: 30/07/2018 08:39 Atualizado em:

Foto: Andréa Rêgo Barros / PCR
Foto: Andréa Rêgo Barros / PCR
Criada no dia 30 de julho de 1930 por Vicente Fittipaldi, a Orquestra Sinfônica do Recife comemora nesta segunda-feira 88 anos de existência. Anteriormente denominada Orquestra Sinfônica de Concertos Populares, a banda realizou seu primeiro concerto no Teatro de Santa Isabel, sua atual sede. Com anos de história e tradição, a mais antiga em atividade ininterrupta no Brasil realiza anualmente mais de 30 concertos, classificados como especiais, oficiais, populares e comunitários.

A Sinfônica do Recife já teve como regentes nomes como Vicente Fittipaldi, Mário Câncio, Diogo Pacheco, Eugene Egan, Carlos Veiga entre outros grandes músicos. Atualmente sob a regência do recifense Marlos Nobre, o grupo é formado por uma equipe de 85 membros, que através da fusão entre violinos, violoncelos, flautas, clarinetes, trompas, oboés, percussão e diversos instrumentos musicais dão vida ao um verdadeiro espetáculo da música erudita.

Reconhecido como um dos maiores maestros do país, Marlos Nobre, de 79 anos, é colecionador de vários títulos e conhecido internacionalmente. O pernambucano afirmou que conheceu a música e a orquestra ainda na infância, ficando fascinado por toda harmonia. “Comecei a frequentar os concertos da Sinfônica aos meus 12 anos, no Teatro de Santa Isabel e tenho plena certeza que isto foi um dos fatores que mais contribuíram para que eu tomasse a maior decisão da minha vida, que foi ingressar no mundo da composição”, disse.

Anos depois formado no ramo das ciências sociais, o musicista largou o diploma conquistado na faculdade para desespero de seus pais, e seguiu com destino a cidade de São Paulo e depois para o Rio de Janeiro onde ganhou, aos 21 anos, o primeiro reconhecimento como compositor, numa das competições mais importantes do país, o Concurso Música e Músicos do Brasil. “Meus pais sonhavam com uma carreira de médico ou advogado, considerada na época a mais segura e normal. Mas, apesar de ter estudado com Gilberto Freire e outros nomes da Faculdade de Direito e Filosofia, eu tomei coragem e comuniquei ao meu pai que me dedicaria à composição musical. Foi uma decepção para ele. Porém, apesar de tudo isso, eu venci de cara a minha primeira competição”, declarou o regente.

Autor de mais de 240 obras em vários gêneros musicais, o recifense foi condecorado em 2013 a Medalha do Mérito Cultural do Brasil, no grau de comendador, consolidando ainda mais sua história no meio musical. No decorrer da carreira, o maestro que foi bolsista da Fundação Rockefeller, recebeu também mais de 25 prêmios nacionais e internacionais. Para os 88 anos da Sinfônica do Recife, Marlos preparou e dedicou uma de suas composições, a Opus 124, considerada por ele uma mistura de experiências vividas em diversos lugares do Brasil. “Essa peça reúne ritmos que me fascinam desde criança. A junção do Maracatu com outros ritmos como o samba do Rio, o carimbó do Pará, Prenda Minha de Porto Alegre entre outros, que misturados formam uma fantasia sinfônica alucinante”, afirmou o pianista.
 


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